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Democracia madura

9:13 | 09/06/06 | Daniel Gallas

“Pelo menos duas hipóteses podem explicar o recuo do TSE, nenhuma delas passível de comprovação integral, pois os ministros insistem que só buscaram a tal segurança jurídica:
1) Foi uma decisão meramente política. A pressão de deputados e de senadores teria encontrado guarida certa entre os ministros;
2) A maior corte eleitoral brasileira teve um surto de amnésia de conhecimentos legais na terça-feira. A memória foi recobrada em 48 horas para que a decisão fosse totalmente reformada.
Pior para a credibilidade do TSE só se essas duas hipóteses juntas fossem verdadeiras.”

Fernando Rodrigues, na Folha de hoje, faz a melhor análise que li sobre a gigantesca patuscada do TSE.

Ele já chegou! E é o 26!

12:30 | 01/06/06 | Daniel Gallas

“Você sabe o que é justiça social? Nem eu.” Vídeo clássico do comecinho da redemocratização, por cortesia do Felipe Anghinoni.

Convenções partidárias

10:32 | 29/05/06 | Daniel Gallas

Bolinha vice do Simon, que por sua vez é vice do Lula, que vai bater no Alckmin, que queria o José Agripino, mas recebeu o José Jorge, que por sua vez prefere o Serra. Essa enrolação de alianças está perto do fim. Entre os dias 10 e 30 de junho, a lei obriga a realização de convenções partidárias que definem os candidatos oficiais de cada sigla. Bom lembrar que, apesar de toda a choradeira, a verticalização (obrigatoriedade de manter nos Estados as alianças nacionais) vai valer nas eleições. Abaixo o calendário das convenções já definidas.

PT - 24 de junho (sábado), às 10h. A Convenção Nacional do PT será no Minas Brasília Tênis Clube, na capital federal, e deve aclamar Lula na presença de mais de 3 mil filiados.

PSDB - 11 de junho (domingo) das 9h às 14h. A Executiva do PSDB confirmou a realização da Convenção Nacional em Belo Horizonte, no ginásio Mineirinho.

PFL - 14 de junho (quarta-feira), das 10h às 13h. No auditório Petrônio Portella, no Senado Federal, em Brasília.

PMDB - 29 de junho (quinta-feira), sem local e hora definidos. Aliás, quase nada está definido. A ala governista do PMDB conseguiu adiar de 11 para 29 de junho a Convenção que decidirá se haverá ou não candidato próprio. Esse prazo dificulta muito a vida de Simon e Garotinho, mas, no PMDB, quem dá a última palavra é sempre a Justiça.

PPS, PSOL, PDT - Sem definição. Aprovaram resolução que prevê a Convenção entre os dias 10 e 30 de junho, como manda a lei.

Diabólicos

10:20 | 29/05/06 | Daniel Gallas

Pedro Simon chama de diabólicos seus colegas do “MDB” e resume a campanha eleitoral de 2006 em entrevista à Folha (conteúdo fechado):

“Tudo o que o PT disser do PSDB praticamente é verdade e tudo que o PSDB disser do PT é praticamente verdade.”

Ironia certa

18:49 | 25/05/06 | Daniel Gallas

Fracassei miseravelmente ontem ao tentar fazer ironia com o PT. O editorial do Estadão de hoje dá a fórmula certa ao comentar a decisão do Supremo de fazer valer já em outubro a nova regra que responsabiliza também os candidatos pelos atos de seus tesoureiros:

Assim, se um gestor dos recursos de campanha que se chame, por exemplo, Delúbio, faltar com a verdade na prestação de contas à Justiça Eleitoral, o candidato a quem servir se verá, ele também, às voltas com os tribunais.

Para quem não lembra, Delúbio processou uma escola por citar em uma questão de concurso público um hipotético Delúbio como autor de crime contra a máquina pública. Além disso, o ex-tesoureiro é a musa inspiradora da nova regra.

Essa norma, aliás, é um grande avanço. Sem ironias. Impede esse papo de “eu não sabia”, que ninguém engole mais.

Então Lula falou A VERDADE

10:48 | 24/05/06 | Daniel Gallas

Da Folha de S. Paulo de hoje:

“Uma coisa eu tenho tranqüilidade, Sarney: nunca lhe ofendi”, disse Lula, que em 1987 chamou o presidente de “ladrão”.

Eremildo petista

10:34 | 24/05/06 | Daniel Gallas

Eduardo Suplicy é mesmo um idiota. Quando surgiu a CPI dos Correios para investigar irregularidades no governo PT, o senador foi lá e assinou o requerimento. Quando a CPI dos Bingos decidiu chamar Francenildo Costa para expôr a corrupção no Ministério da Fazenda petista, Suplicy também foi voto favorável. O senador já chegou até a pedir que Lula vá ao Congresso explicar o que diabos está acontecendo no governo, se é que ele ou alguém sabe.

Agora o senador quer que Márcio Thomaz Bastos, o ministro da Justiça, explique seu encontro com Daniel Dantas, o satã da Carta Capital. Suplicy não percebeu ainda que existe uma lei suprema no governo. Só por que o governo é a favor de investigações e esclarecimentos sobre todos os escândalos mencionados, não significa que o governo precisa apoiar qualquer medida que investigue ou esclareça. Quase uma lei de Newton, de tão lógica.

Infelizmente Suplicy não vai abandonar a sigla. Ele alega uma tal de “fidelidade partidária”. Infeliz para ele. Muito mais infeliz para o PT, que tem de aturá-lo.

Ainda Lembo

11:14 | 22/05/06 | Daniel Gallas

Manifestações de genialidade política aparecem onde a gente menos espera. Até semana passada, o insosso governador Claudio Lembo era o alvo preferido de toda a imprensa e da população, devido à semana de terror em São Paulo. Duas hábeis entrevistas depois - uma para a Monica Bergamo e outra para o Bob Fernandes - e toda a ira da crônica e do público passou para o Alckmin e para os tucanos. De rodas de amigos, a taxistas a colunistas de opinião, a incompetência tucana é o grande saldo final do episódio do PCC. Lembo jogou as luzes da ribalta em cima de seus aliados em apenas duas conversas com jornalistas. Inacreditável, considerando que há uma semana esse era o cara que falava para William Bonner no ar que “nada deu errado.”

Enquanto isso, aqui em São Paulo, a vida não poderia me parecer mais normal. No sábado, o metrô estava lotado em plena meia-noite, com a Virada Cultural. Bares e restaurantes lotados dia e noite, ruas tomadas de gente, meu único receio, por enquanto, é ir no jogo do Corinthians contra o Inter na quinta-feira. Nem vestígios daquele dia que o Emiliano narrou tão bem.

Abro o meu voto

21:42 | 03/05/06 | Daniel Gallas

Pouco comum para jornalistas, mas abro meu voto agora. Tenho visto tanta gente reclamando da falta de opções nas urnas neste ano. A crise está levando todos para a teclinha do branco na urna. Comigo, ocorre o contrário. Nunca foi tão fácil votar. É simples: só não voto em quem se aliar ao PMDB.

Com todo respeito ao PMDB - que fez muito pela redemocratização e que ainda possui gente séria nos seus quadros - as opções que a sigla apresentou até agora deixam claro que a única proposta política séria do Brasil é tentar deixar o PMDB de fora de todos governos de agora em diante. Vejamos:

1- Em 2002, pediu que votássemos em Serra, com Rita Camata no banco de reservas.
2- Já no final daquele ano, pediu que apoiássemos Lula.
3- Hoje apresenta duas alternativas: Lula ou Garotinho (ou Itamar, ou Rigotto, ou Quércia).

Não há proposta de governo ou projeto ideológico. Sem falar que no final dos anos 80, o PMDB tinha a presidência da República, das duas casas do Congresso e da Assembléia Constituinte. O megagoverno peemedebista fracassou e Ulysses teve desempenho eleitoral de síndico.

Quem tiver uma proposta de governo que não inclua essa Velha Corja, recebe o voto deste humilde redator da Nova.

Neoliberal

17:54 | 28/04/06 | Daniel Gallas

Se no Brasil toda a imprensa (até a Carta Capital) abandonou o Lula, no exterior o presidente ganhou um forte aliado. Depois de dois artigos e um editorial defendendo a reeleição do “nosso guia” (como diz Elio Gaspari), agora o semanário britânico Economist fala das maravilhas do combate ao desmatamento da Amazônia na gestão Lula.

“Não sou candidato. Só gosto de aparecer mesmo.”

11:45 | 27/04/06 | Daniel Gallas

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Foto: Paulo Dias

Diogo x Franklin

10:33 | 25/04/06 | Daniel Gallas

Tá apertada a coisa! Por enquanto, o placar parece as mãos do Lula: 5 a 4. A vantagem é do comentarista da Globo. Vote também na nossa enquete. Quem está certo? O Walt… o Diogo ou o Franklin?

Alguém ainda tem?

20:50 | 18/04/06 | Daniel Gallas

O ex-prefeito paulistano Paulo Maluf não terá que devolver os 25 Fuscas que deu de presente aos jogadores vencedores da Copa do Mundo de 70.

Isso saiu do túnel do tempo para o STF.

Marcelo Netto Watch

15:37 | 17/04/06 | Daniel Gallas

Meu interesse pelo Paloccigate diminuiu muito depois que o ministro caiu. O quanto há de verdade nos crimes do ministro será desvendado nos próximos dias, mas um dos dois principais objetivos dos inimigos do Palocci já foi atingido. O outro - o uso eleitoral do episódio durante a campanha - ainda estamos para ver.

Nos resta acompanhar as investigações para saber 1) quem era culpado e quem fez o que e 2) como será o papel das instituições na investigação de agora em diante. Hoje a polícia fez mais um Indiciamento Padrão.

On demand

11:08 | 14/04/06 | Daniel Gallas

Sem nenhum esforço de reportagem, é possível adivinhar o que as revistas semanais brasileiras vão dizer, antes mesmo de chegarem às bancas. Acabaram virando caricaturas delas mesmo.

O assunto da semana é o veredito do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre o mensalão. A Veja diz que o documento de 136 páginas é uma “necrópsia do PT”. Vai além e descreve “o que talvez seja – com exceção da nomenklatura soviética – a maior quadrilha jamais montada [na história da humanidade] com o objetivo de garantir a continuidade no poder de um mesmo grupo político.”

A Carta Capital, então, extrapola. Acusa o procurador de ser contaminado pelo caráter político da CPI dos Correios (que outro caráter existe na CPI, pergunto eu). Questiona por que o governo pagaria o mensalão para aprovar projetos que receberiam apoio natural dos parlamentares (receberia, pergunto eu). E conclui: “ou o MP descobre mais beneficiários ou será difícil sustentar a tese do mensalão.” Não será difícil, sustento eu.

O fim do texto é um clássico carta-capitalista. Relata como o empresário Daniel Dantas foi indiciado aos 45 do segundo tempo. Quem leu a Carta Capital uma vez na vida sabe que da bomba de Hiroshima ao assassinato de Kennedy, tudo, de alguma forma, foi obra de DD (ou o “Orelhudo”). Daniel Dantas? Who cares?

E a IstoÉ? Não, obrigado.