Esquerda desorientada
11:35 | 07/05/07 | Carlos Bencke
Foto: Le Figaro/Pelissier-AFP
Nada mais adequado para encerrar a cobertura das eleições baguettísticas do que as palavras de um socialista explicando a própria derrota. Quem fala é Dominique Strauss-Kahn, ex-ministro da Economia (1997-99, quando Lionel Jospin era Primeiro-ministro):
“Quando, no final das coisas, não somos claros sobre o que dizemos aos franceses, eles não têm como nos seguir. (…) Falamos aos franceses sobre a questão das aposentadorias, mas não dizemos a eles o que vamos fazer porque não temos a ousadia de ir ao fundo do problema. (…) Falamos aos franceses sobre a questão nuclear, mas não somos claros sobre o assunto. Falamos aos franceses sobre o protencionismo e a TVA [imposto embutido nos produtos] sobre a importação, mas como dentro do PS [Partido Socialista] existem todas as correntes, então também não somos claros.”
É evidente que Strauss-Kahn, no fundo, deve estar com uma ponta de felicidade pelo fracasso da campanha de Ségolène, que o derrotou nas primárias do Partido Socialista. Mas o ex-ministro é um dos “menos piores” do PS e o que ele diz mostra o que até os socialistas já sabiam: Ségolène fez sua campanha inteira sobre o nada absoluto - ou sobre a demência absoluta, como chamar José Bové para “estudar” a questão da globalização.
Dentro dos 46,94% de votos que a socialista conseguiu (contra 53,06% de Sarkozy), há uma parcela enorme de eleitores que, apesar de ver um grande vazio em Ségolène, votaram nela por medo e/ou ódio de Sarkozy. Como sabemos muito bem, adotar a estratégia Regina Duarte não é lá a melhor saída.













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