Injustiça para corrigir injustiça
12:07 | 23/01/08 | Gabriel BrustPara quem vinha achando a idéia de cotas na universidade muito boa em tese, vale a pena conhecer as primeiras histórias reais do que restou do primeiro vestibular da UFRGS com cotas. Corrigir injustiça com um método injusto lembra o “olho por olho, dente por dente”. E não conheço sociedade civilizada que tenha dado certo sendo guiada por este tipo de moral. Leiam o depoimento de Cibele Corbellini da Silva Rosa, 19 anos, reprovada em Medicina (publicado na Zero Hora de hoje):
“Há um ano, me mudei de Lajeado para Porto Alegre para fazer cursinho e me preparar para o vestibular de Medicina. Estudei de manhã, de tarde e de noite, não tive feriado ou final de semana, abdiquei de namorar e sair com os amigos. Depois de tudo isso, consegui a nota que era necessária, mas não ganhei a vaga. Pelo boletim de desempenho, meu lugar foi o 126, e havia 140 vagas. Mas fui discriminada por não ser negra ou estudante de escola pública. Isso dá uma mistura de revolta e frustração. Minha mãe se esforçou para pagar escola particular a vida toda para que eu conseguisse vaga em uma universidade pública. Não temos dinheiro para que eu estude em uma instituição particular. Pagamos impostos que ajudam a manter a universidade, e agora não vão me aceitar? Vim com a minha mãe e a nossa advogada ao Ministério Público Federal para iniciar uma ação contra essa discriminação. Esse sistema é injusto porque discrimina quem alcançou o índice necessário.”
Postado por Gabriel Brust, 12:07, 23/01/08, na(s) categoria(s) Demência moral. Você pode acompanhar os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Deixe um comentário ou coloque um trackback em seu site.
12:37, 23/01/08
Trê pontos:
1) Cotas são uma merda enorme. Conheço um professor que é de uma COMGRAD e ele me disse que a fauna que entrou este ano é algo. Do total de 50 vagas, a partir da 27 não entrou pela universal. O único aprovado em cotas raciais foi o 80o colocado na classificação do curso. E vem me dizer que não vai diminuir a qualidade do corpo discente. Fora que só fere um principiozinho básico constitucional chamado ISONOMIA. Queremos um estado de direito no Brasil ? Quem sabe o governo começa respeitando a constituição.
O instrumento das cotas é um absurdo por que incumbe a Universidade de consertar toda a merda que é o ensino público. O grau de evasão desta barra deve ser enorme. Já imaginou a quantidade de gente que vai ficar em Calculo I ?
2) Por que a criatura não entra na justiça ? O sistema de cotas é determinação do CONSUN, não é uma lei. Entra na justiça e garante a tua vaga.
3) “Estudei de manhã, de tarde e de noite, não tive feriado ou final de semana, abdiquei de namorar e sair com os amigos.”
Plagiando o eterno Luís Pareto:
“Grandes merda que tu tá fazendo vestibular pra medicina”
E daí ? Tu não queria entrar na na Medicina ? Tem que estudar umas 27 horas por dia. Odeio vestibulando da Medicina chorando que tem que estudar até morrer.
13:12, 23/01/08
Mas seria uma boa idéia fazer uma comparação NO ATACADO entre as injustiças que acontecem sem e com as cotas.
Por exemplo: se não temos cotas, os egressos do ensino particular prevalecem. EM MAIORIA, gente que pode pagar e não paga. E os que estudaram em escola pública e não entrarão por falta da cotas tb pagam imposto, como essa estudante.
13:36, 23/01/08
Bah! O Estado vai conseguir fazer brotar o racismo em gente que nunca sentiu tal sentimento. E um sentimento de certo modo justificado: eu não gostaria de ser tratado por um médico que, desconfio, entrou na universidade pela porta dos fundos…
14:07, 23/01/08
Brasileiro tem mais é que se fuder, seja preto ou branco, egresso de escola particular ou pública.
14:17, 23/01/08
Diego:
EU pago mais imposto que a maioria dos egressos de escola pública. Por que eu tenho menos direito a entrar numa universidade PÚBLICA do que eles ? O que eu quero é MERITOCRACIA pura e simplesmente. O problema é que o sistema de ensino público não-federal é um LIXO, então vamos trabalhar apara melhorar o ensino básico e médio.
Além do que, o ensino médio não serve pra nada, por que ele apenas prepara para o vestibular, que será realidade de uma pequena minoria dos egressos. Poderíamos ter poucas escolas convencionais , de excelência, e o resto em escolas técnicas, que não preparariam para o vestibular, mas ensinam uma profissão.
Via de regra, um egresso de escola técnica tem MUITO mais chance de ser empregado que um egresso de alguns cursos universitários, por que não há necessidade de profissionais de ensino superior na proporção que temos cursos formando este profissionais. Mas há a necessidade de profissionais técnicos, que deveriam ser muito mais numerosos que os profissionais de curso superior e não o são.
15:32, 23/01/08
Vamos acabar com o ensinopúblicogratuitoedequalidade.
Universidade, agora, só pra quem puder pagar.
Mr. Pê.
15:38, 23/01/08
Falando sério: o negócio é entrar na justiça CONTRA essas medidas das Universidades.
Se bem que aí no Bovinão, com todos os juízes e desembargadores adeptos do Direito Alternativo, vai ser difícil conseguir uma decisão como a os juízes e desembargadores conservadores (maus, bobões e feios) daqui do Manezão:
AÇÃO CIVIL PÚBLICA Nº 2008.72.00.000331-6/SC
AUTOR : MINISTERIO PUBLICO FEDERAL
RÉU : UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA - UFSC
O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL propõe ação civil pública, veiculando pedido
de antecipação de tutela no sentido de determinar à UFSC que garanta as vagas e conceda o direito de
matrícula e freqüência às aulas a todos os candidatos que alcançarem a pontuação mínima exigida para a
classificação em cada curso, ignorando-se o direito de preferência concedido pela Resolução Normativa
008/2007. O objeto do pedido principal é a declaração de nulidade dessa Resolução e conseqüente
destinação das vagas do concurso vestibular 2008 aos candidatos aprovados por ordem de classificação.
Aponta que dependerá de Lei, no sentido material e formal, qualquer medida que
estabeleça critérios étnicos ou sócio-econômicos para ingresso no ensino público superior.
Oportunizada a manifestação da UFSC, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.437/92, foi
promovida a defesa da Resolução Normativa nº 008/2007 e do Programa de Ações Afirmativas como um
todo.
Decido.
Ante o exposto, defiro a antecipação de tutela para determinar ao Magnífico Reitor
da UFSC que garanta as vagas e conceda o direito de matrícula e freqüência às aulas a todos os
candidatos que tenham alcançado a pontuação mínima exigida para a classificação em cada curso,
ignorando-se a preferência concedida pela Resolução Normativa nº 008/2007.
15:42, 23/01/08
Esqueci de assinar o comentário anterior.
Mr. Pê.
15:53, 23/01/08
CARECA PEDE COTA
Chega de preconceito! Sou careca. O preconceito é grande. Apesar da música dizer que “é dos carecas que elas gostam mais” todos nós, carecas, temos imensa dificuldade com elas, que preferem os de madeixas avantajadas. Minha pergunta é : quando será garantida as cotas para carecas ? Chega de preconceito!
16:04, 23/01/08
Reconheço, como diz o Gabriel, que se está utilizando um sistema injusto para corrigir injustiças. Por contraditório que pareça, no entanto, a curto prazo é a única saída.
Algumas considerações:
1) O investimento em ensino fundamental e médio de qualidade é o caminho óbvio, mas cujos resultados aparecerão em 50 anos, no mínimo, tamanha a debilidade do sistema de ensino no Brasil.
2) o que a UFRGS deve fazer, com rapidez maior do que a utilizada para criar as cotas, é ampliar o número de vagas. colocar mais alunos em cada sala de aula. Cansei de assistir aulas na companhia de mais meia dúzia. é perfeitamento possível ampliar em 30% as vagas em cada curso, mesmo índice das cotas. Enterra o argumento dos que ficaram em posição que, no ano passado, teriam sido aprovados.
3) O princípio da isonomia, citado aqui, é subjetivo, já que é um conceito socialmente construído. Como ser isonômico com desiguais?? Estudos consolidados, a começar por Bourdieu, mostram que o ingresso na Universidade pública (especialmente em determinados cursos) dependem de fatores como a escola freqÜentada pelo aluno (pública ou privada), a disponibilidade de tempo(a moça da matéria, bem ou mal, tinha as manhãs, tardes e noites disponíveis para estudar), a estrutura cultural e econômica da família e instrumentos de preparação (cursinhos e aulas particulares, por exemplo). Um desses fatores sozinho não aprova. Dois juntos aumentam significativamente as chances do candidato.
4) o Estado está revelando um racismo que existe e é escondido sob a cordialidade brasileira, desde que cada um ocupe seus devidos lugares…
5) nada mal que a Universidade conserte deficiências do ensino público. não há problema nenhum nisso. além do mais, as universidades estão infestadas de analfabetos funcionais cuja única qualidade é os pais deterem poder aquisito para pagar pelas vagas ocupadas. todos sabemos disso e ninguém reclama.
16:04, 23/01/08
Reconheço, como diz o Gabriel, que se está utilizando um sistema injusto para corrigir injustiças. Por contraditório que pareça, no entanto, a curto prazo é a única saída.
Algumas considerações:
1) O investimento em ensino fundamental e médio de qualidade é o caminho óbvio, mas cujos resultados aparecerão em 50 anos, no mínimo, tamanha a debilidade do sistema de ensino no Brasil.
2) o que a UFRGS deve fazer, com rapidez maior do que a utilizada para criar as cotas, é ampliar o número de vagas. colocar mais alunos em cada sala de aula. Cansei de assistir aulas na companhia de mais meia dúzia. é perfeitamento possível ampliar em 30% as vagas em cada curso, mesmo índice das cotas. Enterra o argumento dos que ficaram em posição que, no ano passado, teriam sido aprovados.
3) O princípio da isonomia, citado aqui, é subjetivo, já que é um conceito socialmente construído. Como ser isonômico com desiguais?? Estudos consolidados, a começar por Bourdieu, mostram que o ingresso na Universidade pública (especialmente em determinados cursos) dependem de fatores como a escola freqÜentada pelo aluno (pública ou privada), a disponibilidade de tempo(a moça da matéria, bem ou mal, tinha as manhãs, tardes e noites disponíveis para estudar), a estrutura cultural e econômica da família e instrumentos de preparação (cursinhos e aulas particulares, por exemplo). Um desses fatores sozinho não aprova. Dois juntos aumentam significativamente as chances do candidato.
4) o Estado está revelando um racismo que existe e é escondido sob a cordialidade brasileira, desde que cada um ocupe seus devidos lugares…
5) nada mal que a Universidade conserte deficiências do ensino público. não há problema nenhum nisso. além do mais, as universidades estão infestadas de analfabetos funcionais cuja única qualidade é os pais deterem poder aquisito para pagar pelas vagas ocupadas. todos sabemos disso e ninguém reclama.
16:25, 23/01/08
E não conheço sociedade civilizada que tenha dado certo sendo guiada por este tipo de moral.
As cotas nas universidades existiram nos EUA por muito tempo, e ajudaram a formar uma classe média bem atuante.
Pior que a injustiça é a desinformação.
16:31, 23/01/08
Essa turma das cotas e do PT só vai se sossegar quando implantar o racismo no Brasil
16:52, 23/01/08
bourdieu é aquele sociólogo que criticava a televisão por manipular as massas, mas não perdia a chance de participar de qualquer programa a que fosse convidado?
sou mais o guy debord, que ao menos se manteve recluso depois de criticar o espetáculo.
no mais, acho que a guria essa precisa parar de choramingar, porque a vida é assim mesmo. ela que se acostume.
pelo mesmo motivo, sou contra as cotas. quer entrar na universidade pública? dá um jeito e estuda. os leitores das folhas óticas em que se marca as respostas do vestibular não distinguem cor da pele.
16:53, 23/01/08
Luís Felipe: seguindo a mesma política do olho por olho, os EUA têm pena de morte. Não acho que seja o ideal de sociedade.
16:55, 23/01/08
a ZH bem que podia botar um link para as outras matérias do especial junto de cada trecho.
17:00, 23/01/08
“Um dos integrantes da comissão especial que implantou o sistema na instituição, Edílson Nabarro, confia na manutenção do resultado do vestibular.
- O que muitas dessas pessoas querem não é Justiça, mas a manutenção do monopólio étnico. Em outras universidades federais que adotaram a reserva de vagas, também houve ações judiciais e a decisão final sempre acabou favorável às cotas - afirma.”
MEO DEOS DO CÉO!
as pessoas querem é entrar na universidade, pura e simplesmente. pê tê profundo esse edílson.
17:02, 23/01/08
Esse Luís Felipe é o príncipe dos babaquinhas esquerdistas.
Entrei no blog dele e vomitei (luisfelipe.blogsome.com).
Vá gostar de Mino Carta no quinto dos infernos!
17:16, 23/01/08
Bom, eu também não acho, Gabriel. Na verdade, o sistema de cotas da UFRGS é muito pior por ser confuso do que por ser injusto. Todos esperávamos que alguém faria essa choradeira da menina colocada no post. Informações da mesma ZH me dizem que NENHUM negro cotista entrou na medicina. E daí?
Eu não sou um extremo defensor das cotas, mas é só sair na rua para ver que a inclusão do negro na sociedade está bem longe de ser real. E aqui proponho um exercício. Quantos negros vocês vêem nos restaurantes onde comem, nos bares onde passam a noite e nos cinemas onde assistem filmes?
Não é uma questão de dinheiro. São muitos os negros que ganham bem - as pesquisas demonstram que ganham bem menos, mas admitamos que existe um avanço neste aspecto - e são muitos mais os negros que gastam boa parte dos seus salários em CDs e aparelhos de som. Só que a entrada no curso superior ajuda a incluir as pessoas na cultura daquele país. Assim como aconteceu nos EUA.
Não me parece assim tão simples, a questão das cotas. Nem mesmo pelo lado da justiça. Ou alguém pode me dizer que o vestibular da UFRGS, com algumas questões que passam LONGE dos temas abordados no ensino médio público estadual, é uma forma impecavelmente justa de ingresso na faculdade?
17:26, 23/01/08
luís felipe, o vestibular é justo porque as MESMAS questões são feitas para TODOS, sem distinguir classe social ou cor da pele. isso é isonomia.
se ainda fosse o tempo da prova oral para o vestibular, até faria sentido imaginar alguns professores discriminando candidatos, mas como disse acima, leitores óticos não distinguem classe ou cor da pele.
e já que gostam de citar tanto os EUA, vale a pena lembrar que lá a seleção é muito menos justa e dá muito mais margem a arbitrariedades, porque envolve análise de currículo, entrevista e tudo o mais.
17:37, 23/01/08
sinceramente, eu espera de um jornalista, no mínimo, apuração dos fatos, já que da zero hora sei que não posso esperar. Segundo a UFRGS divulgou ANTES do vestibular, o número de vagas para acesso universal para medicina não era 140, e sim 98. Ou seja, essa menina sabia desde antes de fazer a prova que teria que ficar entre as 98 melhores, visto que 21 era para ensino público e outras 21 vagas ensino público autodeclarado negro, o que na verdade é uma subdivisão dentro das cotas para ensino público e não propriamente uma cota racial como vem sendo dito. E como sou a favor das cotas para ensino público, não vejo tanto fundamento assim na carta dela.
17:38, 23/01/08
sinceramente, eu espera de um jornalista, no mínimo, apuração dos fatos, já que da zero hora sei que não posso esperar. Segundo a UFRGS divulgou ANTES do vestibular, o número de vagas para acesso universal para medicina não era 140, e sim 98. Ou seja, essa menina sabia desde antes de fazer a prova que teria que ficar entre as 98 melhores, visto que 21 era para ensino público e outras 21 vagas ensino público autodeclarado negro, o que na verdade é uma subdivisão dentro das cotas para ensino público e não apenas uma cota racial como vem sendo dito. E eu como sou a favor das cotas para ensino público.
17:38, 23/01/08
sinceramente, eu espera de um jornalista, no mínimo, apuração dos fatos, já que da zero hora sei que não posso esperar. Segundo a UFRGS divulgou ANTES do vestibular, o número de vagas para acesso universal para medicina não era 140, e sim 98. Ou seja, essa menina sabia desde antes de fazer a prova que teria que ficar entre as 98 melhores, visto que 21 era para ensino público e outras 21 vagas ensino público autodeclarado negro, o que na verdade é uma subdivisão dentro das cotas para ensino público e não apenas uma cota racial como vem sendo dito. E eu como sou a favor das cotas para ensino público.
17:40, 23/01/08
sinceramente, eu espera de um jornalista, no mínimo, apuração dos fatos, já que da zero hora sei que não posso esperar. Segundo a UFRGS divulgou ANTES do vestibular, o número de vagas para acesso universal para medicina não era 140, e sim 98. Ou seja, essa menina sabia desde antes de fazer a prova que teria que ficar entre as 98 melhores, visto que 21 era para ensino público e outras 21 vagas ensino público autodeclarado negro, o que na verdade é uma subdivisão dentro das cotas para ensino público e não apenas uma cota racial como vem sendo dito. E eu como sou a favor das cotas para ensino público.
17:41, 23/01/08
ao anônimo: volte sempre! de preferência, deixe um comentário.
trasel: eu entendo, esse é o principal problema. Será que isonomia representa justiça sempre, porém? Um caso rápido de isonomia que não representa justiça é a questão dos senadores: Roraima tem os mesmos 3 de São Paulo, etc.
Tu pode ser contra as cotas, mas deve ter algum motivo além da “isonomia”. Por exemplo, tu pode ser contra as cotas por que os negros não são tão discriminados assim e a sociedade não vai melhorar em nada com facilidades para os negros. Sei lá.
17:49, 23/01/08
Se cada decisão na sociedade fosse feita baseada na cor/credo/raça/etc. de uma pessoa, estaríamos FUDIDOS, Luís Felipe.
Ahn, pensando melhor…
17:56, 23/01/08
como disse a Emily, a pessoa conhece o regulamento antes de jogar. Lembram da nota de corte?
até 1998, todo vestibulando tinha que fazer 9 questões em cada prova para passar
neste ano, a média de matemática foi 8, e aboliram este critério…
primeiro: quantas pessoas entraram na justiça antes de 1998 para abolir a nota de corte? Tenho certeza que muita gente passaria nos seus cursos fazendo menos que 9 em uma matéria apenas. Eu fiz 5 em Matemática no primeiro vestibular (em 2002) e passaria em História.
segundo: quantas matérias a ZH fez, depois do fim da nota de corte, para dizer que era uma vergonha os vestibulandos entrando na faculdade com menos que 9 pontos em algumas matérias?
18:45, 23/01/08
isonomia (assim como a democracia) não é o melhor dos mundos, mas ainda é melhor do que as alternativas.
mas tenho diversas outras razões para ser contra as cotas, sendo a principal delas considerar as cotas um incentivo à mediocrização ainda mais ampla do ensino médio público.
e também um incentivo à PEDAGOGIA DA VAGABUNDAGEM. tipo o lance aquele de ninguém mais rodar no ensino público, cujo nome esqueci. progressão? ciclos?
19:09, 23/01/08
incentivo à mediocrização? discordo totalmente. Boa parte do conteúdo do vestibular simplesmente NÃO APARECE na maioria dos colégios públicos. É impossível para um professor, p.ex, ensinar durante os três anos de Literatura do Ensino Médio todos os livros das leituras obrigatórias, principalmente por que estas mudam e aumentam todo ano, só para dar um exemplo.
Em segundo lugar, a dificuldade do vestibular têm aumentado progressivamente (existem cada vez mais candidatos) e em nada isto se refletiu na qualidade do ensino médio. Nem sei como se refletiria.
segundo: pedagogia da vagabundagem? mas por acaso o estudante cotista NÃO PRECISA estudar para passar? Por acaso ele ganha a vaga de presente? Nem vou citar as estatísticas que demonstram o inverso disso tudo - o desempenho dos cotistas, na maior parte das universidades, têm sido equânime ao desempenho dos não-cotistas. Estou levando em consideração apenas a lógica. Quantos dos nossos colegas de faculdade não desempenharam, no ensino superior, notas equivalentes à sua colocação no vestibular?
A questão dos ciclos é outra história, até podemos discutir por aqui. Tem problemas na questão da aprendizagem e grandes ganhos na evasão escolar. Mas é outro tema, não tem nada a ver com isso. O cotista também faz o vestibular, não dá para esquecer disso.
19:11, 23/01/08
incentivo à mediocrização? discordo totalmente. Boa parte do conteúdo do vestibular simplesmente NÃO APARECE na maioria dos colégios públicos. É impossível para um professor, p.ex, ensinar durante os três anos de Literatura do Ensino Médio todos os livros das leituras obrigatórias, principalmente por que estas mudam e aumentam todo ano, só para dar um exemplo.
Em segundo lugar, a dificuldade do vestibular têm aumentado progressivamente (existem cada vez mais candidatos) e em nada isto se refletiu na qualidade do ensino médio. Nem sei como se refletiria.
segundo: pedagogia da vagabundagem? mas por acaso o estudante cotista NÃO PRECISA estudar para passar? Por acaso ele ganha a vaga de presente? Nem vou citar as estatísticas que demonstram o inverso disso tudo - o desempenho dos cotistas, na maior parte das universidades, têm sido equânime ao desempenho dos não-cotistas. Estou levando em consideração apenas a lógica. Quantos dos nossos colegas de faculdade não desempenharam, no ensino superior, notas equivalentes à sua colocação no vestibular?
A questão dos ciclos é outra história, até podemos discutir por aqui. Tem problemas na questão da aprendizagem e grandes ganhos na evasão escolar. Mas é outro tema, não tem nada a ver com isso. O cotista também faz o vestibular, não dá para esquecer disso.
19:55, 23/01/08
“(…), ensinar durante os três anos de Literatura do Ensino Médio todos os livros das leituras obrigatórias”
Hmm… que eu saiba, as leituras obrigatórias não devem ser ensinadas, e sim lidas.
Sei lá, tenho vários colegas de UFRGS que estudaram a vida toda em escola pública, economizando pra pagar um cursinho no último ano… quem tu acha que vai ocupar as vagas de escola pública? E se for assim mesmo, será que as cotas sociais se justificam?
20:42, 23/01/08
Putz, gente, tá divertido isso aqui.
Ainda bem que apareceu esse Luiz Felipe pra substituir o Eduardo, que deu no pé… ou são a mesma pessoa?
Eu si divirto…
Mr. Pê
20:46, 23/01/08
“As cotas nas universidades existiram nos EUA por muito tempo, e ajudaram a formar uma classe média bem atuante.”
ERRADO. Nos EUA, a seleção NÃO É por um exame vestibular, como é aqui, eles fazem o SAT, que é um exame padrão para todo o país e de posse de um currículo, mais a pontuação do SAT, enviam este material às universidades que querem cursar. As universidades escolhem como querem. Então, quais as chances de um negro ser aceito na Universidade do Alabama ( é uma cena do Forrest Gump. ) Ou seja, as cotas nos EUA são para evitar a discriminação racial.
Como bem disse o Träsel:
“os leitores das folhas óticas em que se marca as respostas do vestibular não distinguem cor da pele.”
Ou seja, o vestibular é um processo isonômico no sentido mais estrito da palavra, não distinguindo raça, sexo, religião, apenas o desempenho.
O pior das cotas é que desvia a atenção do problema da educação secundária ser um lixo, por que agora os alunos da rede pública tem mais chance de entrar na UFRGS.
“o desempenho dos cotistas, na maior parte das universidades, têm sido equânime ao desempenho dos não-cotistas”
Ah, sim, claro, veja bem, um aluno de teve média 480 COM CERTEZA terá o mesmo desempenho que um com média 560, óbvio. PêTê não sabe somar.
21:02, 23/01/08
é, o negócio é que os cara querem tapar o sol com a peneira, pq é muito mais fácil pro governo inventar as cotas, do que investir num ensino público de qualidade no segundo e primeiro graus.
minha pergunta pra quem defende as cotas. quem é negro e estudou em escola particular, o que faz? ou vai dizer que eles não sofreram preconceito racial?
21:18, 23/01/08
“Nem vou citar as estatísticas que demonstram o inverso disso tudo - o desempenho dos cotistas, na maior parte das universidades, têm sido equânime ao desempenho dos não-cotistas.” eu realmente gostaria de ver essas estatísticas, pq ainda não vi nenhuma pesquisa indicando isso e no dia a dia tbm nao vi estudantes que refletissem as estatísticas que o Luis Felipe nem vai comentar. Aliás, pelo que eu escutei, uma certa porcentagem dos estudantes cotistas não consegue acabar todas as cadeiras do primeiro ano.
0:15, 24/01/08
Estudantes de escolas públicas que estarão em peso na UFRGS, já entravam em grande número e agora vão entrar mais ainda:
Volégio Militar, Tiradentes e Aplicação.
Nestes tem seleção prá entrar, existe alguma isonomia.
O problema das cotas já está aí e não é no choro da menina de Soledade elas incentivam um tipo novo de racismo, quem viver verá.
8:45, 24/01/08
“Quem viver verá”
Fatalismo típico de esquerdopata.
Não precisa dizer mais nada.
Mr. Pê
10:29, 24/01/08
que eu não entendo, e se alguém souber me informe, porquê o pessoal que tem dinheiro e faz cursinho não estuda em universidade privada onde o ensino deve ser muito melhor (por ser privado) e deixa a universidade pública (pior qualidade por ser pública) para as pessoas menos favorecidas.
11:12, 24/01/08
Cibele, acho que tu deves ler novamente o manual do candidato. não há 140 vagas e tu não passou. e diga-se de passagem que nenhum auto-declarado negro também passou.
11:15, 24/01/08
eu sugiro para Cibele esperar três anos para o CONSUN bater o martelo de que as cotas não serviram para nada e voltar para o que sempre foi antes: quem paga o melhor cursinho, fica com a vaga. gosto desse senso de ISOMOMIA.
13:51, 24/01/08
“eu não gostaria de ser tratado por um médico que, desconfio, entrou na universidade pela porta dos fundos…”
quem forma o profissional é o vestibular ou a faculdade?
Sou totalmente a favor das cotas.
14:29, 24/01/08
não funcionam tags HTML por aqui? vamos para as aspas, então
“Hmm… que eu saiba, as leituras obrigatórias não devem ser ensinadas, e sim lidas.”
isso foi uma piada, suponho.
Anita:
http://www.secom.unb.br/unbagencia/ag0806-40.htm
pesquisa feita na Bahia
http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=807818
pesquisa no Rio de Janeiro
http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL27514-5604,00.html
evasão escolar no Paraná
http://www.irohin.org.br/onl/clip.php?sec=clip&id=2075
matéria da Folha que também traz dados da Unicamp.
às vezes o desempenho é melhor: em outros casos, é pior, como demonstra o Universia em 2004 sobre a Uerj (dados anteriores aos supracitados)
http://www.universia.com.br/html/noticia/noticia_clipping_bdfjj.html
via de regra, porém, o desempenho não é sempre pior como querem fazer crer. É equilibrado.
“Nestes tem seleção prá entrar, existe alguma isonomia.”
O Aplicação não tem seleção para entrar há quase 30 anos. É sorteio.
14:31, 24/01/08
não funcionam tags HTML por aqui? vamos para as aspas, então
“Hmm… que eu saiba, as leituras obrigatórias não devem ser ensinadas, e sim lidas.”
isso foi uma piada, suponho.
Anita:
http://www.secom.unb.br/unbagencia/ag0806-40.htm
pesquisa feita na Bahia
http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=807818
pesquisa no Rio de Janeiro
http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL27514-5604,00.html
evasão escolar no Paraná
http://www.irohin.org.br/onl/clip.php?sec=clip&id=2075
matéria da Folha que também traz dados da Unicamp.
às vezes o desempenho é melhor: em outros casos, é pior, como demonstra o Universia em 2004 sobre a Uerj (dados anteriores aos supracitados)
http://www.universia.com.br/html/noticia/noticia_clipping_bdfjj.html
via de regra, porém, o desempenho não é sempre pior como querem fazer crer. É equilibrado.
“Nestes tem seleção prá entrar, existe alguma isonomia.”
O Aplicação não tem seleção para entrar há quase 30 anos. É sorteio.
15:34, 24/01/08
A/C Menininha que reclamou:
Passe o ensino fundamental em uma escola do municipio.
Chegue aos 16 anos e arranje trabalho em uma fabrica de calçados.
Faça o ensino medio a noite em escola do estado trabalhando durante o dia das 6:45 as 17:15
Faça faculdade pagando R$ 200,00 por disciplina.
ENTRA NA JUSTIÇA AGORA!
16:02, 24/01/08
eu tentei postar um comentário que tinha alguns links para a Anita, de pesquisas comprovando o desempenho dos estudantes cotistas, mas não entrou até agora!
17:43, 24/01/08
Comentários com links totalmente completos passam pelo crivo dos blogueiros. Se eles julgarem o seu comentário “aprovável”, eles o aprovam. Ou não.
17:59, 24/01/08
Luis Felipe,
me diz o qual o link (conteúdo) que eu dou google nele.
18:05, 24/01/08
quanto a comparar situacao das universidades americanas e universidades brasileiras, eh muito complicado. as cotas la, ao mesmo tempo que permitiam que alunos negros tivessem na universidade, eram um instrumento de censura, pq nao entravam mais alunos negros do que a quantidade prevista na cota. ensino nos eua eh muito perverso ate hoje, se vc nao tem dinheiro vc nao consegue estudar.
11:56, 25/01/08
Liberei os comentários com os links ali.
Tinha ficado preso no $i$tema como sendo spam.
14:49, 25/01/08
“mas por acaso o estudante cotista NÃO PRECISA estudar para passar? Por acaso ele ganha a vaga de presente?”
Na prova de matemática, com média 8, o candidato só precisa acertar “verdadeiramente” 3 questões porque 5 questões vem “de graça” chutando-se tudo numa letra só. Acertar 3 questões numa prova de 25 significa saber apenas 12% da matéria do ensino médio. E quem acertou 8 em matemática já garantiu uma nota um pouco acima de 500. E os resultados mostraram que cotistas entrariam com média harmônica ponderada menor do que 500, o que é permitido pelas regras do edital.
21:02, 20/10/09
Realmente as cotas são injustas! Isso foi o modo mais fácil e prático pra resolver um problema. Que é o baixo nível das escolas publicas. Pense comigo: o que mais fácil; modicar todo um sistema e gastar dinheiro (o nosso dinheiro) ou fazer um burrinho entrar na universidade?