Entrevista com Onyx Lorenzoni - Parte III e final

10:05 | 01/04/08 | A Nova Corja

Vamos nós à terceira e última parte da entrevista com o deputado federal e candidato a prefeito de Porto Alegre Onyx Lorenzoni (DEMO-RS). A primeira parte da entrevista está aqui e a segunda, aqui.

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“Aos talentosos e criativos da Nova Corja, um abra$$o do Onyx.”

(… continua)

Então o que é o sonho da Prefeitura de Porto Alegre? Primeiro, eu sou porto-alegrense. Nascido, criado e desmamado aqui. Nasci no Menino Deus, na frente do que era a antiga Ilhota, uma das maiores vilas populares que Porto Alegre já teve. Eu amo a minha cidade. Acho que ela, nas minhas quatro eleições, me deu apoios espetaculares. Acho que eu devo tentar devolver para a minha cidade o que ela me deu. Em 2004 quando eu fui colocado para disputar a eleição – que não estava no meu horizonte pessoal, foi um pedido que o Jorge Bornhausen me fez – eu comecei a estudar administração pública e me apaixonei. Sou apaixonado por administração de cidades. Acho que nas cidades tu ainda podes trazer o novo para o processo político, ou seja, tu podes trazer o novo no processo político, ou seja, novas relações políticas, balizar um novo comportamento na administração, usar a criatividade, ser inovador. Pode olhar para esse bairro [São Geraldo, onde está a sede do DEMO-RS] que muita gente diz “ah um bairro velho, antigo, sujo, escuro” e eu vejo aqui força. Já andei por mais de 20 capitais pelo mundo e vejo aqui um potencial pra se transformar num dos maiores centros de lazer, serviço e moradia da região metropolitana de Porto Alegre. Me bota naquela cadeirinha lá [Prefeitura] pra ver se eu não transformo esse bairro.

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“O Fogaça se perdeu por não ter um projeto para a Prefeitura da cidade.”

Por que a gente vai em Shangai e fica extasiado? Por que a gente vai em Hong Kong e fica deslumbrado? Por que se vai a Dubai, Lisboa, e se fica encantado e bate foto enlouquecidamente? Por que lá se deu espaço para que a criatividade dos arquitetos e urbanistas se expressasse. Onde é que Porto Alegre, nos últimos 30 anos, dá espaço para que arquitetos e urbanistas se expressassem? Simples.

Walter: Qual a avaliação que o senhor faz da atual gestão do prefeito Fogaça?

Onyx: Primeiro, a última eleição em Porto Alegre foi um plebiscito: “fica PT, sai PT”. Fadiga dos metais, mesmice, a população cansou. Ainda não tinha estourado o escândalo do mensalão, então o episódio nacional não bateu aqui. Acho que interferiu forte em 2006, mas em 2004, não. Para aquele cenário, pelo acúmulo que ele [Fogaça] tinha com a cidade, era com certeza quem tinha melhores condições de ir ao segundo turno e vencer a eleição. A gente surgiu naquela eleição, eu comecei ela em 9º lugar e terminei em 3o. Tivemos uma ascensão muito grande por que começamos a entender a cidade e a se mostrar para ela. Eu caminhava seis, sete horas por dias nas vilas e bairros de Porto Alegre, então a gente construiu algo importante: “pô, o cara do PFL fez mais votos do que o cara do PDT”. Em Porto Alegre [onde o PDT tem, tradicionalmente, uma base muito maior]. Quer dizer, tem alguma coisa aí, não é só um acaso.

Daí para frente o Fogaça se perdeu por não ter um projeto para a Prefeitura da cidade. Ele tinha um projeto de conquista de poder, mas não tinha pensado como ia fazer se chegasse ao poder para transformar a cidade. Então, ele se perdeu, primeiro, numa coligação amplíssima – na Prefeitura, hoje, tem não sei quantos partidos lá dentro, dez, eu acho, ou onze. Construiu um compartilhamento da administração e cada partido lá tem seu feudo: o dos Transportes, o do Planejamento, o da Smov, o do não-sei-onde, cada partido tem um. E uma federação de feudos nunca é uma gestão. Tanto que hoje tem vinte e tentas Secretarias em Porto Alegre.

Walter: Mas o Democratas hoje tem dois vereadores, vocês não teriam que também fazer uma ampla aliança para se eleger?

Onyx: Sim, claro que vamos fazer, mas isso tem que se dar não no clientelismo, não no fisiologismo, que é a prática que o PT instaurou e que o Fogaça manteve.

Leandro: Quer dizer que o Fogaça não “manteve o que estava bom e mudou o que estava ruim” [bordão de campanha], ele manteve o que estava ruim e…

Onyx: Ele manteve o que estava ruim… [risos]. E tentou dar uma melhoradinha no que estava bom. Não, manteve… e em algumas coisas piorou.

Träsel: Por exemplo?

Onyx: A relação dos empreendedores com a cidade.

Leandro: Eles fugiram?

Onyx: Não, eles dizem que era mais fácil na época do PT do que na época do Fogaça. Tinha menos intermediários no passado do que tem hoje, já me disseram várias vezes isso.

Leandro: Tinha mais “capitalismo” na época do PT, então…

[gargalhadas gerais]

Onyx: Não sei se a palavra é bem “capitalismo”, acho que está muito distante disso. Talvez um “mercantilismo empresarial monopolista”. Mas, essa é uma queixa que eu ouço. Acho que a gente vai ter a chance, esse ano, de discutir modelo de gestão. Como é que vai ser a cidade? O cara que eu vou botar lá pra ser prefeito da minha cidade, o que esse cara vai fazer? Quais são as idéias dele? Como é que a administração dele muda a vida do meu bairro? Como vai ser melhor pra eu viver no quarto distrito ou lááá na Restinga? No Lami ou lá na Santa Rosa? Vai continuar uma coisa burocratizada com o cidadão pedindo pelo amor de deus pra prefeitura resolver os problemas ou a prefeitura vai ser ágil, descentralizada e atender às demandas do cidadão? Ele vai continuar desconhecendo quem são os principais Secretários de Porto Alegre ou [a Prefeitura] vai ter um time de dez, onze pessoas apenas, que ele sabe de cabeça como os grandes times do Inter ou do Grêmio? Precisamos de um time motivado para colocar Porto Alegre como a capital brasileira da inovação, da criatividade, da recuperação do espaço público e da qualidade de vida. É isso. Ou vamos ficar aí nessa mesmice julgando gênero pra saber se é melhor prefeito homem ou mulher. Isso aqui não é programa de auditório, pô! Isso aqui é uma disputa de capacitação.

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Dinheiro não precisa?

Träsel: Quais são, então, suas principais propostas para Porto Alegre?

Onyx: A administração terá que responder às demandas do presente. Número um é segurança. A prefeitura, na minha cabeça, tem que se envolver com isso. Eu já fui a Madri, Nova York, Bogotá, Medelín, cidades que enfrentaram o processo da criminalidade e atenuaram. Em todos esses episódios as prefeituras tiveram papel fundamental, mesmo na Colômbia, onde a polícia não é municipal, como em Madri… a polícia da cidade de Madri tem apenas sete anos e é considerada uma das melhores da Europa. Não por acaso é uma das mais bem pagas. E Madri resolveu seus problemas de segurança, tanto que a cidade recebe por ano o que o Brasil recebe de turistas. Era um problema muito grave lá e isso foi resolvido. O envolvimento da prefeitura é fundamental na inteligência, nas ações complementares e na prevenção. Eu encaro a Guarda Municipal de forma a atuar preventivamente. A Guarda Municipal está para a segurança como o agente comunitário está para a saúde – eles previnem a doença. Quando a doença, ou o crime, se instalam, aí é Brigada Militar, Bope, Polícia Civil e etc.

Saúde: não entra na minha cabeça que em uma cidade com quatro faculdades de medicina – Fundação, PUC, UFGRS e Ulbra, esta última em Canoas, mas é aqui do lado – que as pessoas tenham que ir, como eu verifiquei na Restinga, às 4h da manhã, pra fila do posto pra pegar cinco fichas de atendimento. Tem que ser possível criar um outro mecanismo que não esse. Mas aí precisa criatividade, ousadia, ver o que o mundo já fez e quais foram as experiências brasileiras para apresentar alternativas na eleição.

Leandro: Dinheiro não precisa?

Onyx: Precisa, mas nem tudo é dinheiro. Por exemplo, o Distrito Federal está implantando o conceito educação em tempo integral. Mas veja bem, não é escola integral, é educação integral, ou seja: mecanismos para manter a criança na escola das 8h30 até às 17h, o que é vital principalmente à criança de baixa renda. Então, educação integral é algo que dá pra fazer com articulação, boa vontade e muito pouco dinheiro. O DF está com um projeto de botar, até o ano que vem, 321 crianças nesse jogo sem construir nenhum prédio. Acho que aí é vontade, criatividade, é isso o que eu falo – inovação. Não é ficar inventando coisas faraônicas em Porto Alegre, é gestão, saber focar no problema e usar a inteligência. Então, nessa ordem [o programa]: segurança, saúde e a questão da educação que é gravíssima em Porto Alegre, sobretudo dos zero aos seis anos. A prefeitura, em quatro anos, fez cinco ou seis creches. Tem um projeto pro final desse ano fazer 25, isso é ridículo. E não é só levantando parede que a gente resolve a vida das pessoas. Outra coisa é a Porto Alegre do futuro. A minha idéia é fazer gestão corporativa, botar todo mundo em uma única sala, derrubar as paredes, todos os secretários, prefeito e vice trabalhando juntos. “Ah, tu tem um problema no bairro tal?”. Entra lá e resolve teu problema. Tu dá agilidade, responsabilidade, compartilha espaço, acaba com o feudo político. E eu vou ser um prefeito presente. Segunda-feira vou atender quem for na prefeitura.

Leandro: O “prefeito presente” é algum tipo de recado ao poeta [Fogaça]?

Onyx: É claro que sim. Prefeito é assim: começa 7h, 8h da manhã e não tem hora para parar. Segunda na prefeitura pra atender quem for lá, não tem hora marcada. Sexta-feira com hora marcada e terça, quarta e quinta na rua. Na rua! Aquela frase do Rudolph Giugliani que eu gosto muito, “lugar de prefeito é onde o povo está”. Prefeito tem que estar na rua, ele é o síndico, o gerente. Como é que o gerente resolve o problema da loja, do supermercado? Se ele está vendendo sapato e o cara vem de lá dizendo que não tem mais sapato preto, ele tem que ir lá no estoque ver o que está acontecendo. Prefeito é para isso.

Walter: Pegando o gancho desse choque de gestão que o senhor propõe…

Onyx: Choque de gestão não, é qualificação da gestão. Odeio essa coisa de “choque”, me dá choque ouvir isso.

Leandro: “Choque de gestão” deu azar na última eleição.

[gargalhadas]

Onyx: Sim, as experiências foram terríveis. Melhor é sem choque.

Walter: Queria falar sobre a orla do Guaíba, pra mim o maior exemplo de inoperância das administrações [neste momento, nosso filó$ofo é interrompido. Onyx se levanta e pega um mapa de Porto Alegre que estava atrás da mesa e o coloca em cima de uma cadeira, bem na frente do Con$elho desta Corja].

Onyx[ajeitando o mapa]: Porto Alegre começou a discutir se ia ou não revitalizar o cais Mauá antes de Puerto Madero [porto revitalizado de Buenos Aires, hoje, uma das áreas mais valorizadas da cidade]. Os argentinos fizeram o Puerto Madero, transformaram o local na maior destinação turística da América Latina, não gastaram um centavo de dinheiro público e nós continuamos rigorosamente no mesmo ponto em que nós estávamos há 20 anos. O que acho: que temos quem enfrentar o muro.

Leandro: Derrubar?

Onyx: Não sei, buscar uma alternativa. Não tenho medo de encarar a discussão se o muro fica ou sai. Orçamento Participativo é para isso. Agora, Orçamento Participativo com 5, 10 mil pessoas eu estou fora. Orçamento Participativo com 100 mil. Tem que ver tecnicamente, se for suportável, tem que abrir. Se a sociedade disser derruba, derruba. E eu tenho a intuição de que o muro não tem mais sentido. Pedi para fazer um levantamento que me mostrou que com o que teve de represamento dos rios que abastecem o Guaíba nos últimos 30 anos, o que teve de tomadas de água para arroz e lavouras, o rio não tem mais a vazão que tinha. Até, eventualmente, em uma enchente como a que teve nos anos 40 não teria o mesmo impacto. E outra: do jeito que está hoje, quem me garante que o sistema de bombas vai funcionar em caso de emergência? Eu não teria medo nenhum de enfrentar essa discussão, assim como não tenho medo de discutir se devemos cercar praças ou transformar o Centro de Porto Alegre em um território livre para o cidadão. O cidadão vai pode andar, tomar um chopp, 10h da noite em pleno Centro como um turista vai em Madri e anda na Praça Maior e ninguém toca nele. Ou tu vai em Bogotá e anda no centro à meia-noite sabendo que a 500 metros tem um guarda. Nós vamos dar condição de o cidadão fazer isso, ah isso nós vamos. Hoje, o Centro da cidade está privatizado pelo pivete, pelo punguista, pelo camelô, pelo flanelina. Nós vamos devolvê-lo ao povo.

Träsel: O que o senhor acha do projeto do prefeito Fogaça de o Centro não ser mais o fim da linha de vários ônibus?

Onyx: Na minha leitura, está caindo de maduro, há muito tempo, um ajuste entre Prefeitura e governo do Estado para “empurrar” a Rodoviária para um local mais afastado, e fazer na atual Rodoviária o terminal de ônibus do Centro. Os ônibus estarem circulando onde circulam hoje é um absurdo. Bota lá na Rodoviária e de lá tu faz, com conforto… o cara tem que vir com ar condicionado, bem limpinho, ajeitado, não essa moleza que as empresas de ônibus têm hoje. Se servem muito da população e servem pouco a população. Por exemplo, passagem única, no meu governo vai ter. O cara que tá desemprego, não tem vale-transporte e corre atrás de biscate vai ter sim, das 5h30 às 7h30 da manhã, das 19h às 21h, paga uma passagem e vai poder correr a cidade toda. Não vamos onerar o sistema, vamos fazer com racionalidade, mas vamos fazer. As empresas vão servir ao público, e não se servir do público, como tem sido usual durante os governos PT e Fogaça: não dão explicação a ninguém, a passagem da cidade é reajustada em uma ação entre amigos, numa confraria que ninguém controla. Aí tem lá no custo da passagem até o aluguel e o pagamento do IPTU do prédio que está a empresa, remuneração dos diretores, tudo embutido. É um negócio incrível.

Leandro: Nem mesmo com a Carris no meio, uma empresa pública que poderia servir para equilibrar as coisas…

Onyx: Nada, é um jogo de cartinhas bem marcadas. Bem, mas voltando então, acho que a gente tem que pensar em Porto Alegre não apenas no porto – isso está caindo de maduro.

Walter: O problema é que o projeto está emperrado, não anda.

Onyx: Sim, mas tinha um projeto aprovado e o governo Fogaça, em acerto com o governo Estadual, zerou a pedra. O projeto aquele que o governo Britto ganhou num concurso nacional de não sei quantos projetos morreu. Agora tem que fazer tudo de novo. Acho que as pessoas que estão nesse projeto… deve estar bom essa coisa de “vamos revitalizar o porto”, pois já estão há três, quatro, cinco anos nesses cargos ganhando salários, diárias, viajando por aí. Bem, então acho que essa área aqui [mostra no mapa] que vai do Veleiros até a ponta do Gasômetro é um atestado de incompetência. Quando foi feita a avenida Beira-Rio, o projeto do Collares previa no mínimo duas marinas, e hoje não tem uma sequer. Essas marinas eram pra dar acesso ao rio, para que as pessoas pudessem curtir a orla. Isso tem que ser enfrentado, da mesma maneira como tem que ser mais qualificada essa área do balneário de Ipanema. Temos que começar a nos preocupar com acessibilidade lá pra Serraria, Belém, porque Porto Alegre vai se expandir pra lá, já que a Zona Norte saturou. Então, do ponto de vista estrutural, a cidade vai ter que ter duas grandes vias que eu chamo de “estruturadoras”, uma norte-sul andando do Norte pro Leste e outra andando do próximo à Beira-Rio. Nós vamos ter que construir isso pra dar acessibilidade à cidade. A Terceira Perimetral, citada como grande obra, quando foi projetada, há quase 50 anos atrás, abraçava 85% da área viária de Porto Alegre. Hoje, essa margem é de 25%.

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“Essa área aqui que vai do Veleiros até a ponta do Gasômetro é um atestado de incompetência.”

Leandro: São duas pistas e com trechos de estacionamento, a coisa mais ridícula do mundo.

Onyx: E cheia de sinaleiras. Ela é a antítese de um processo que melhora a circulação da cidade.

Träsel: Deputado, o tempo está acabando e eu gostaria de fazer uma última pergunta. O que leva o senhor a acreditar que desta vez será possível vencer as eleições?

Onyx: Primeiro pela relação que eu tenho construído com a cidade de Porto Alegre. Segundo, por que acho que a gente ganhou musculatura política, conceito, e eu me considero um político que tem credibilidade com as pessoas. Mesmo as que são antagônicas com minha forma de pensar reconhecem que eu tenho coerência, que me mantenho firme com minhas posições e nessa geléia geral que é a política brasileira acho que isso é um diferencial que as pessoas notam. É aquela história que meu avô Antônio dizia: “não dá bola para o que o teu avô fala, presta atenção no que o teu avô faz”. Isso é uma coisa que eu trago desde a infância, acho que o tempo está me proporcionando mostrar isso, que eu mereço confiança. Acho que isso é a base para poder construir uma eleição. As pessoas sabem que eu tenho um perfil completamente diferente do Fogaça, ele é um prefeito que serviu a um propósito da cidade mas que está aquém do que a cidade precisa hoje. Eu serei um prefeito, se for eleito, pró-ativo, participativo, de me envolver com as questões da cidade, um prefeito sem preguiça, que vai pensar, propor, inovar, criar e lutar para recolocar Porto Alegre como uma das mais importantes capitais do Brasil.

Eu me lembro de o Jaime Lerner vir a Porto Alegre aprender como era o sistema de transporte da cidade. Hoje, com o que aprendeu em Porto Alegre – e evoluiu, evidentemente – ele desenha sistemas em todo o mundo. Nós vamos preparar um projeto para a cidade que venha com apoio de nomes como Jaime Lerner, Cássio Taniguchi, Cesar Maia, Kassab, Alceni Guerra, Moroni Torgan, quer dizer, vamos construir com os talentos locais e com pessoas que já enfrentaram questões administrativas um projeto que encante a cidade. Nós temos possibilidades de boas alianças, teremos uma candidatura com tempo de TV, com um bom número de candidatos a vereador e vamos falar uma língua diferente. Hoje está toda a cidade comentando um episódio como se fosse novo, que é o fato de ter três mulheres disputando a eleição. Eu já vi isso, eu era vice da Yeda quando ela concorreu contra Maria Augusta Feldman e Maria do Carmo. E o debate tem sido muito focado em torno de assuntos que já se exauriram. São 20 anos de teses que já não atendem a população de Porto Alegre, teses defendidas pela esquerda. O Fogaça fez muito esforço para se aproximar dessas teses. Eu acho que a cidade precisa de novas idéias e um partido de perfil centro-reformista – como é os Democratas – pode fazer a diferença. É um discurso completamente diferente do que o Fogaça vem fazendo, do que “as meninas” vão propor, com todo o respeito que tenho pelas três mas, apesar de elas serem novas, o discurso delas é velho. Que proposta nova o PCdoB pode trazer para Porto Alegre? Que proposta nova o PT tem para Porto Alegre? Que proposta nova o PSOL tem para Porto Alegre? Quer dizer, é o mesmo do mesmo. Talvez mais bem maquiado, só isso. Quem vai trazer algo novo para Porto Alegre somos nós. Ninguém fala do futuro, todo mundo só quer tratar do hoje. Está bem, e o amanhã? Enquanto nós ficamos tratando do hoje, Florianópolis nos passou, Curitiba nos passou, Goiânia nos passou, Palmas [ênfase aqui] daqui há pouco nos passa. Pô, pára aí, né! Vamos voltar a ser uma cidade onde criatividade, cultura, inovação, talento e mérito voltem a ser coisas importantes. Que negócio é esse de as crianças em Porto Alegre serem empurradas para passar de ano sem saber nada? Aí vão para as provas nacionais e nosso desempenho é pífio. Para que, pro PT brandir que baixou a repetência e a evasão? Sim, cara-pálida, mas as crianças não sabem nada, são analfabetas funcionais. Resolveu o quê? Foi cômodo para a Prefeitura, foi cômodo para os professores? Acho que a gente tem que voltar a ter coisas importantes como trabalho, mérito, desempenho, esforço. E quem andar nessa linha, com esses conceitos… podemos encantar Porto Alegre. E se encantar Porto Alegre, a gente ganha a eleição.

Träsel: Obrigado, deputado.

Leandro: A gente tem uma certa dificuldade para manter o blog, é um pouco caro. Então a gente pretende leiloar essa cuia aqui caso o senhor seja eleito prefeito. Então gostaria que o senhor assinasse aqui pra gente… naquela brincadeira do “Gritaria e Chimarrão”.

[Onyx assinando a cuia.]

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Quem sabe a gente também não pede para a Manuela assinar…

Träsel: Qual a erva que vocês tomam aqui?

Onyx: Alvorada.

Leandro: Sobrou um espaço aqui (na cuia). Quem sabe a gente também não pede para a Manuela assinar…

[gargalhadas]

Onyx: Coloquei aqui: “Aos talentosos e criativos da Nova Corja, um abraço do Onyx.”

Corja: Obrigado!

Onyx: Adorei a entrevista. Quando vocês quiserem, estou à disposição.

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Postado por A Nova Corja, 10:05, 01/04/08, na(s) categoria(s) Eleições 2008. Você pode acompanhar os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Deixe um comentário ou coloque um trackback em seu site.

21 comentários para “Entrevista com Onyx Lorenzoni - Parte III e final”

  1. Alisson Coelho diz:

    Foi bem na entrevista, melhor do que eu esperava…

    Alguns atos falhos: Associar seu nome com outros quadros do DEMO como o césar maia…é uma burrice!

    Associar seu nome com a Yeda, ele não devia fazer isso.

    Seguir o estilo da Yeda, quando ganhou a eleição estadual…O novo jeito de governar só que com outro rótulo…

    Acho que o Onyx, para o bem dele, devia se afastar da imagem de outros politicos demoniacos, de outros estados…
    Devia ficar beeem longe da Yeda e do novo jeito, fazer um discurso diferente dela…

    Se ele fizer isso, talvez não faça uma fiasqueira na eleição, algo como um 5° lugar que eu consideraria vexatório!

  2. mcb diz:

    Maaaazzz ah… a entrevista do Onyx vai dá um pwned na da Manu. Se cuida DJuventude!

  3. Francisco Luz diz:

    Porra, olha o TAMANHO da cuia. Muita gritaria nessa aí.

  4. 189.6.163.92 diz:

    Problema profundo com o entendimento do que representa “capitalismo” para os corjeanos. Até esse Demo aí consegue se sair melhor…

  5. Leandro Demori diz:

    “Leandro: Tinha mais “capitalismo” na época do PT, então…”

    Aspas: indicação de uso ressalvado

    É comum pôr entre aspas uma palavra quando queremos explicitar que por algum motivo o uso dela no enunciado está sob ressalva. Há várias razões para ressalvar o uso de uma palavra com aspas, entre elas:

    - Indicar que se trata de gíria, estrangeirismo, regionalismo, jargão profissional, neologismo ou outro caso com conotação polêmica. Ex.: O ministério autorizou o “realinhamento” dos preços.

    - Indicar ironia. A palavra diz o oposto do que se pretende. Ex.: Ele ficou muito “alegre” com a visita da sogra.

    LÍNGUA PORTUGUESA: REVEJA COM URGÊNCIA.

  6. 189.6.163.92 diz:

    Post de meses anterior, idem.

  7. Diogo diz:

    “Acho que a gente tem que voltar a ter coisas importantes como trabalho, mérito, desempenho, esforço.”

    Faltou cs colocarem o cara contra a parede nessas horas em q ele começa a falar abobrinha…

  8. hshshshshshs diz:

    [gargalhadas gerais]

    momento sintomático. chego a imaginar a cena.

    isso não foi uma entrevista, foi um chazinho de comadres.

  9. Alisson Coelho diz:

    Se essa situação de comadres existiu, não foi um chazinho…

    Foi uma rodinha de chimarrão mesmo!

  10. Tolinho diz:

    Entrevista boa é com o negão Collares

  11. Leandro Demori diz:

    “Entrevista boa é com o negão Collares”

    Fato.
    Passaria uma hora falando dos Cieps e mais outra do aterro da Beira-Rio.

  12. LS diz:

    Pode falar sobre o calendário rotativo com o Collares também. seria uma boa.

  13. Leandro Demori diz:

    ENTREI EM COMA:

    “Alceu Collares administrou Porto Alegre no período de 1986 a 1988. No mandato atípico de três anos, fez mais obras que o PT em doze.

    http://www.collaresonline.com.br/obras_portoalegre.asp?Link=obraspoa

  14. Gilson diz:

    Não lembro de terem perguntado sobre “cercar o parque”. É ótimo para testar a capacidade dos candidatos em driblar temas polêmicos . “Pois é , pensando bem, tem a segurança, mas tem a liberdade de ir e vir e tem os passarinhos , mas tem as drogas e assaltos , além do resgate da cidadania “. Sugiro para as próximas.

  15. Carmencita diz:

    “Pulguistas… e Chirmarrão”.

  16. Walter Valdevino diz:

    Wolltou, Carmencita!

  17. diz:

    Bela foto.
    Vocês, gaúchos, sabem apalpar uma cuia.

  18. marcos diz:

    http://www.ritla.net/index.php?option=com_content&task=view&lang=es&id=2313

    engraçado dizer que Florianópolis ultrapassou Porto Alegre. até 2005 matava-se mais por 100 mil hab. em PoA, agora em Florianópolis.

  19. dante diz:

    “Bela foto. Vocês, gaúchos, sabem apalpar uma cuia.”

    zé, sempre de olho nos gaúchos, hein!

    ;]

  20. Nando diz:

    Não acho que o Fogaça consiga resolver os problemas que ele não conseguiu resolver com um outro mandato.
    Acho também que esta estória de reeleição é injusta e favorece o uso da maquina publica. Acredito que não deveria ser permitido, basenando nossos votos somente nas propostas dos candidatos.

  21. Roberto diz:

    Tem rolo na casa da Maria do Rosário.Ela declarou na receita por R$ 280 mil.MAs vale hoje no mercado mais de R$ 350 mil.Na época da compra já estava em mais de R$ 350 mil.!!!!!!!!Comprou a casa novinha!!!!!!O cara que vendeu pra ela mora na casa ao lado.Eu conheci a casa e sei que ele nao vendeu por R$ 280 mil!!!!!!!Estava no mercado por mais de R$ 350 mil com certeza!!!!!!!!E mais, deu como parte de pagamento a casa em que morava,uma bela porcaria,por R$ 160 mil!!!!Façam a conta 280 -160 igual a 120 de retorno em dinheiro!!!!!!Não tem lógica,porque o construtor não estava apertado,precisando vender,pelo contrário estava tranquilo.Tanto que vendeu a casa pronta.Aiííí´teeemmm!!!!!!Com toda certeza de 20 anos de mercado imobiliário que tenho,ela não pagou R$ 280 mil nacasa,ainda mais colocando uma dação como parte de pagamento!!!!!!!!!!!!!!!

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