A prova de que não presta

10:35 | 26/05/08 | Walter Valdevino

Caetano Pê Tê Velo$o, filó$ofo, cientista político e mú$ico nas horas vagas, $urtando na Folha de S. Paulo de hoje:

Brasileiro adora dizer que o Brasil não presta

Músico critica a esquerda paulista, defende Mangabeira Unger e reclama da “inércia” no país, “salvo-conduto para cada um se mostrar irresponsável”

FOLHA - Que reflexos terá nos EUA a disputa Obama ou Hillary contra McCain na sua opinião?
CAETANO
- Uma coisa boa é que vai acabar a administração Bush. Todo mundo sabe que a Hillary Clinton apresentava uma maturidade maior, um traquejo maior em política, o modo como falava, se apresentava. Mas Obama é um sujeito mais simpático. Ele é mais bonito, parece mais sincero. Tem um atrativo pessoal, não é um atrativo técnico. Obama parece meu pai, é um mulato, parece um cara de Santo Amaro [cidade baiana onde Caetano nasceu]. Me sinto mais próximo dele do que daquela mulher que parece uma perua de tailleur. Adorei o discurso dele sobre raça. É uma abordagem mais brasileira, multipolar, reconhecendo a mestiçagem. Sem se resumir àquela coisa bipolar americana. Ouvi dizer que ele mesmo disse: pareço mais um brasileiro. De fato.

FOLHA - Obama foi aluno de seu amigo Mangabeira Unger, que, depois de dizer que o governo Lula era o mais corrupto da história, assumiu um cargo de ministro de Assuntos Estratégicos.
CAETANO
- É normal. Mangabeira sempre militou com suas idéias à esquerda. Esteve ligado ao PDT e ao Brizola por muito tempo, depois por um período bem mais curto a Ciro Gomes, no que, aliás, coincidia totalmente comigo. Foi José Almino Alencar [sociólogo e escritor] quem me chamou a atenção para que lesse os artigos dele na Folha. Eu li e gostei muito. Li o livro dele “Paixão”. Li muito de “Política”. Li esse livro de filosofia que se chama “The Self Awakened”. Tenho muito interesse nele porque parece pôr a discussão política brasileira num nível diferente do habitual. Pensa de uma maneira que pode ser produtiva. Ele vem tentando se aproximar do poder real para fazer com que algumas idéias dele sejam testadas, experimentadas, postas em prática. Pouco antes de Lula ganhar em 2002, ele escreveu na Folha, naquela coluna estreitinha da segunda página, que não era hora de discutir. Lula iria ganhar, então tinha de colaborar com ele. Foi o que ele fez.

FOLHA - Mas depois afirmou que era o governo mais corrupto da história.
CAETANO
- A história do mensalão foi realmente um escândalo, uma porcaria, uma coisa nojenta gritante. Alguns outros episódios assim vêm acontecendo, como esse -menor, porém não menos nojento- do novo dossiê, com Dilma e todo esse negócio. O Mangabeira, quando do episódio do mensalão, criticou durissimamente. Quando Lula chamou, ele aceitou, porque é coerente com o projeto que tem: aproximar-se do poder, dando forças à esquerda, para experimentar idéias produtivas de esquerda. Por que justamente esse escrúpulo, que ninguém exige nem do próprio Lula? Foi a única coisa que a imprensa exigiu do Mangabeira quando ele foi chamado. Tem duas coisas aí: uma que o Mangabeira não é muito simpático, apesar de, para mim, ele ser um sujeito espetacular. Mas ele também não faz muita questão de ser afável como os outros brasileiros. Ele mostra aquele aspecto prussiano para marcar diferença. Deseja marcar um certo distanciamento, contribui para que ficasse antipático para os jornalistas. Mas também a rejeição é por causa da novidade, da criatividade do pensamento dele. É uma mistura de ciúme e medo de experimentar verdadeiras mudanças até de pensar. Vejo assim. Você entendeu o que eu disse?

FOLHA - Por que acha que ele é folclorizado?

CAETANO - Porque todas as pessoas que tentam coisas importantes para o Brasil sofrem com essa inércia de o Brasil ter sido desimportante, uma espécie de salvo-conduto para cada um se mostrar irresponsável na sua área. As pessoas ficam com medo de assumir responsabilidade. Isso é inconsciente, mas é verdade. Brasileiro adora dizer que o Brasil não presta, que a língua portuguesa é uma porcaria, que todo mundo escreve errado e ninguém reclama. Tudo aqui é desrespeitado. Tudo que aponte para um negócio que crie responsabilidade… O Brasil vem fazendo isso, está crescendo, se afirmando, apesar disso… Essa força que puxa para trás, que segura, que dificulta é enorme. Essa reação a Mangabeira é uma manifestação disso.

FOLHA - Você não está com o governo, mas o governo está com você ao menos em relação a amigos como Mangabeira e Gilberto Gil.
CAETANO
- Cara, fui crítico do Lula, sou crítico do Lula e do governo, mas sou um crítico modesto. Porque não sou cientista político nem faço política nem quero me meter. Mas Lula não é qualquer pessoa. Não é um episódio de somenos importância. Desde que fiz 18 anos, gosto de votar. Meu pai me botou na cabeça que isso tem um valor cívico e me emociono, me lembro de meu pai. Gosto desse ritual democrático. Mas nunca chorei dentro da cabine. Só quando votei em Lula. Fiquei emocionado, meus olhos encheram d’água. É porque era Lula. Não é assim. Não é fácil. Quando vejo o povo brasileiro continuar, atrasadissimamente, na festa da posse de Lula -a única coisa que aconteceu até hoje- entendo. Me identifico com esse sentimento. Eu também sou moreno como vocês (risos). O fato é que não se pode perder a objetividade e a exigência crítica. A tradição latino-americana é de pais da pátria, caudilhos, líderes populistas. Recaídas nisso são freqüentes e um risco permanente. Não quero ser condescendente com esse negócio.

FOLHA - Como vê a possibilidade de a sucessão de Lula caminhar para a disputa entre a ministra Dilma Rousseff e o governador José Serra?
CAETANO
- Dilma pelo menos não é de São Paulo, não é da USP. Serra não é propriamente USP, mas essa esquerda paulista já encheu, já deu o que tinha que dar. E é o que Lula é também.”

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Postado por Walter Valdevino, 10:35, 26/05/08, na(s) categoria(s) Demência moral, Mangaba Unger. Você pode acompanhar os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Deixe um comentário ou coloque um trackback em seu site.

36 comentários para “A prova de que não presta”

  1. goiaba diz:

    Análi$e Fantá$tica. Melhor do que dos maiores “imtelequituai$” bananenses. Ganhou da Chauí. Ganhou do pai do Chico. Caetano para pre$idente do Univer$o djá!

  2. Alisson Coelho diz:

    Você entendeu o que eu disse = Jornalista é tudo burro mesmo.

    Lula = USP? Não entendi direito o paralelo…

    Mangabeira não faz muita questão de ser afável como os outros brasileiros = Só cus gringo!

  3. Rosalvo diz:

    Artista dando opinião sobre política ou qualquer coisa que não seja seu umbigo = lixo. Aqui e em qualquer lugar do universo.

  4. Leonardo diz:

    Tenho que concordar com o Goiaba, esta é uma das melhores análises políticas que li nos últimos tempos. O que diz pastante do nível atual das análises políticas.

  5. dante diz:

    “é coerente com o projeto que tem: aproximar-se do poder”.

    MELHOR.

    PROJETO.

    nenhum outro é possível.

    parabéns ao mangaba.

  6. Lucas Colombo diz:

    Concordo inteiramente com o Rosalvo. Artista quando fala de política sempre fala bobagem. O Caetano Veloso só deveria fazer música, que isso ele faz muito bem.

  7. Leonardo diz:

    Se for por isto, nem música deveria fazer. Caetano é só hype.

  8. Lucas Colombo diz:

    Leonardo, não reconhecer que o Caetano é um bom compositor é perder totalmente a capacidade de analisar qualquer coisa.

  9. gg diz:

    Ó minha mãe

    minha mãe

    mininha do Gantois!

    (Eu só quero ficar *ODARA*!)

    - Caetano, Presidente do Sarapatel

  10. Estevao diz:

    Lucas, não reconhecer que alguém pode achar Caetano um mau compositor é perder totalmente a capacidade de ver que uma opinião sua, ou a da maioria, não é necessariamente um fato.

    Ainda mais uma opinião musical.

  11. Lucas Colombo diz:

    Tudo bem, Estevão. Opiniões têm de ser embasadas em fatos. Então, façamos o seguinte: você e o Leonardo ouvem “O ciúme”, “Sampa”, “Desde que o samba é samba”, “Coração vagabundo”, “Terra”, e também os discos “Transa” e “Tropicália” inteiros. Além disso, peçam a opinião de um especialista em música sobre essas composições/obras. Depois a gente conversa. Se você não encontrar valor musical nisso tudo, só posso lamentar.

  12. goiaba diz:

    O que é isso, gentem, discutir música AQUI?

  13. goiaba diz:

    Mas que o Caetano é o cara, ah isso é…

  14. Lucas Colombo diz:

    Isso aí, goiaba. O blog é sobre política, não música. Parei.

  15. diz:

    J’accuse Mangabê de querê chegá ao pudê pra cumê o caê.

  16. Fróid diz:

    Caetano = Chato musical de galocha!!

  17. Cláudio diz:

    Caetano é uma mala que lembra o Clodovil! Mas faz músicas boas

  18. JOSÉ WAIMER PEREIRA DE CARVALHO diz:

    O Caetano se manifesta como quem “se acha”, mas, mesmo assim, concordo com ele. Mais, penso que o Mangabeira é, de longe, o melhor Ministro do Presidente. Tomara que o Presidente saiba avaliar bem as opiniões de seu Ministro.

  19. Mel diz:

    Sobre estes comentários: São preconceituosos, idiotas e vazios, bem “a Brasileira”.

  20. Joa da silva diz:

    Olha… Ceheguei a esse blog através dos links que apareceram quando busquei por Lucas Colombo, após ler a porcaria de artigo que o proprio teve a ousadia de publicar… Falando que caetao veloso é compositor de música de cinema… Que absurdo!!!! E pior… quis dizer que a musica de caetano pra cinema é “tao boa” que consegue sair da tela de cinema e caira na boca do povão… Nas palavras do nosso louco de plantão Lucas Colombo! “Caetano Veloso é outro gênio da música mundial que viu suas composições para cinema ganharem vida independente das imagens a que estão ligadas.” Qual é a ligaçao que existe entre a musica desse caetano e as imagens?????? Pelo amor de deus! Ate quando vai aparecer lunático dessa estirpe escrevendo esse tipo de porcaria??

    Lucas meu filho, vai estudar composição (Harmonia, Contraponto, Fuga,Fraseologia, Morfologia, e orquestração) e depois se especializar em Música de Cinema pra deixar de falar esse tipo de besteira… Que você seja fã da música medíocre desse cara tudo bem… cada louco com sua mania.. Mas não fale mais esse tipo de besteira…

    Se voce não conhece… favor procurar pelos trabalhos de Ennio Morricone, John Wiliams, Howard Shore e Cia… esses sim são grandes compositores e arranjadores de música de cinema.. Esses sim conseguem ligar uma imagem a música!

    Muito infeliz seu comentário… Que lástima…..

  21. Camilo diz:

    5 estrelas para o comment acima.

    Ennio Morricone FTW.

  22. Joao da silva diz:

    Obrigado Camilo! Bom saber que não estou só… As vezes pergunto a mim mesmo, se não seria eu o errado.. Pois a maioria das pessoas optam pelo senso comum.. Já se foi o tempo que as pessoas costumavam pensar… Vivemos hoje a época da paralisia cerebral coletiva!

  23. Ariela diz:

    João, cunhei ontem: “gente paralisada”.
    Tão óbvio, e tão comum.

  24. Lucas Colombo diz:

    Aiaiai… a deselegância é tanta que não sei nem onde começar. Mas deixem-me respirar fundo… Pronto. Vamos lá.

    Argumentação é algo raro em nosso país. Ataques pessoais, não. Infelizmente, eles são muito frequentes. Está aqui a prova.

    Eu também “cheguei a este blog” (ou voltei a ele) devido à mensagem muito mal-educada de um leitor com o brasileiríssimo nome João da Silva. No comentário, escrito num tom longe de ser considerado elegante, ele me qualifica de “lastimoso”, “lamentável” e “louco de plantão”, entre outros adjetivos bastante divertidos. Vejam só. De qualquer maneira, esta é mensagem de João da Silva é muito significativa do nível em que certas discussões são travadas aqui no Brasil - as culturais, inclusive.

    O texto a que João da Silva se refere foi publicado no site Usina Pazza, do qual fui editor e colunista. Quem quiser ler, o link é:
    http://www.usina.pazza.com.br/usina/arquivo/reportagem_11.htm. Eu o escrevi em 2005, e ainda hoje recebo comentários sobre ele, uns elogiando, outros criticando. Dos vários textos que já produzi em minha carreira de jornalista (muitos disponíveis em meu site minimomultiplo.com), este, inclusive, não é dos que mais me agradam. Confesso sinceramente que acho que o texto tem alguns probleminhas de estrutura. Não, porém, de argumentação, o que seria mais grave. Pelo menos eu o escrevi depois de muita leitura sobre o assunto em questão. E se tem algo que eu defendo em minha vida profissional é que todo texto de opinião (sim, porque o texto referido é de opinião) deve ser bem embasado. Coisa que, no seu caso, João, não ocorreu. Porque, na sua mensagem, você “critica” (bem entre aspas mesmo, porque crítica é outra coisa) minha opinião sobre Caetano Veloso sem lançar mão de um argumento sequer contrário a ela. Se você não concorda com minha opinião sobre o compositor, seria bom se fosse de encontro a ela (o que seria perfeitamente legítimo) com argumentos que a contestassem, e não com ataques do tipo que você usou na mensagem. Eu não devo satisfações da minha vida pessoal para ninguém, mas se para você isso for extremamente importante, digo então que já estudei música, sim. Estudei piano e teclado durante quatro anos. E conheço os nomes a que você se refere - Morricone, Williams, etc. E assim como os ouço e também Gershwin, Louis Armstrong, Chet Baker, Billie Holiday, Tom Jobim, Mozart, Bach, Chopin etc., também reservo alguns minutos para escutar Caetano Veloso, que é, sim, um grande compositor. Pergunte a quem entende do riscado se canções como “O Ciúme” e “Meu bem, meu mal” não têm harmonias e melodias sofisticadas e envolventes. Para alguns preconceituosos aqui, contudo, dizer isso soa como heresia…

    Além disso, o seu comentário é representativo de outro defeito do debate travado entre leitores e jornalistas no Brasil: você se manifestou sem ler
    o texto direito. Eu realmente não me lembro de ter escrito que “a musica de caetano pra cinema é ‘tao boa’ que consegue sair da tela de cinema e
    caira na boca do povão…”. Não há nenhum momento do texto em que falo isso. Eu escrevi que as canções que ele produziu para filmes são boas, sim, mas só. Não escrevi que elas são tão boas que “caem na boca do povão”. Ou você acha que eu penso que “Luz do Sol” e “Merda” são canções entoadas em qualquer rodinha de violão pelo “povão” deste país?… E, se você diz no comentário que Morricone, Williams etc. “sim conseguem ligar uma imagem a música!”, eu sinceramente recomendo que você faça uma consulta imediata no oftalmologista, porque meu texto é justamente sobre a vida própria que certas músicas originalmente compostas para cinema ou teatro ganham. A ideia para o texto não era falar de casos de músicas intimamente ligadas a imagens de cinema, e sim o contrário. Você pegou o bonde errado.

    Eu realmente acredito que discussão é algo para ser feito com base em argumentos, e não em ataques pessoais. Mas, já que você tomou a iniciativa, talvez seja o caso de dizer que o seu brasileiríssimo nome sugere muito. Você, “meu filho”, é João da Silva como muitas pessoas desse país em que se confunde discussão com troca de ofensas. Como amante de música e defensor do debate, sempre, eu teria o maior prazer de conversar civilizadamente com você sobre Caetano Veloso, Tom Jobim, Cole Porter, Michel Legrand, Mozart ou qualquer outro nome que eu aprecie e que seja destaque neste vasto universo chamado música. Aliás, no endereço de e-mail que você mandou pra mim, consta a palavra “jazz”, o que sugere que você, assim como eu, gosta de música americana (outro assunto sobre o qual eu conversaria com muito prazer). Mas, numa mensagem de 21 linhas, você quis me tirar todo o direito de emitir uma opinião. Você quis me proibir de dizer o que eu acho, como se, antes de redigir aquele texto, eu não tivesse lido sei-lá-eu quantas páginas sobre o assunto que abordaria e não tivesse aliado esta leitura a meus “conhecimentos formais de música”. Isso é que é, realmente, “lamentável”.

    Você tem todo o direito de detestar Caetano Veloso. Só não pode negar que o mundo bem-informado sobre música discorda muito de você. Eu ficaria interessado em ouvir de você os argumentos que sustentam sua atitude de classificar como “absurdo” minha opinião sobre o compositor. Não foi dessa vez que isso ocorreu. Tente de novo.

    Um aforismo do grande Millôr Fernandes (ou vocês também acham o Millôr uma “porcaria”, simplesmente?) que li hoje cedo parece que anunciaria e explicaria esse imbróglio todo em que eu veria meu nome envolvido agora às 18h: “O Brasil é um filme pornô com trilha de bossa nova”…

    P.S.: em relação a seu segunto comentário, só tenho a declarar que, se você visitasse meu site atual e lesse meus textos com atenção, constataria que eu raramente, raramente MESMO, fecho com o senso comum, porque acredito que a função de alguém que se lança a um debate não é fazer eco a outrem. É lançar um ponto de vista próprio. Ou você realmente acha que todas as pessoas, o absoluto SENSO COMUM, acha que Caetano Veloso é um bom compositor?? Se você afirma com tanta veemência que “Já se foi o tempo que as pessoas costumavam pensar…”, resta pouco a dizer…

  25. Joao da silva diz:

    Em primeiro lugar nao discuto textos de opinião, o que você escreveu foi um texto para um site envolvendo minha área (Música de Cinema) e eu não poderia deixar de jeito nenhum que tais afirmações se passassem por verdadeiras.

    Você diz que “estudou” sobre o assunto em questão (música de cinema? Acho que não…). Sobre meu argumento, ele é baseado nas técnicas composicionais e na ciência de unir música a uma cena (caetano faz musicas pra MPB não musica de cinema).

    Não duvido que tenha estudado teclado… Estudou pelo método cifrado? Você sabe ler uma partitura? Dizer que estudou teclado… Só isso não me satisfaz meu caro… O que duvido realmente é que tenha estudado COMPOSIÇÃO e duvido mais ainda se tenha se especializado em MÚSICA DE CINEMA pra poder falar sobre o tema. Não me parece que conhece o trabalhos de grandes compositores pra cinema como Ennio Morricone ,John Williams etc… E estes realmente merecem ser chamados de COMPOSITORES, pois dominam as matérias de COMPOSIÇÃO. Quem entende o que realmente significa escrever musica pra cinema e conhece o trabalhos desses artistas, não ousaria dizer que caetano é compositor de trilha sonora. Compositor é aquele que estuda COMPOSIÇÃO! Então lhe pergunto onde esse cara estudou composição? Pelo livro de Aumir Chediak?? Que piada! Jornalistas de seu nível insistem em misturar seus gostos pessoais (ou sua opinião baseada puramente em vivências pessoais ou paixões) com textos sérios… Já vi muito jornalista falar em aberturas de entrevistas “Estamos aqui com o cantor, compositor, arranjador e instrumentista Fulano de Tal!!”. Onde o Fulano de Tal estudou composição? Onde estudou canto? Onde estudou arranjo? Onde estudou seu instrumento? Eu estudei as matérias de composição (harmonia, contraponto, fuga, fraseologia, morfologia e orquestração), eu entendo do riscado senhor! E digo que as canções “O Ciúme” e “Meu bem, meu mal” não têm a sofisticação e engenho de uma “Clair de Lune” de Debussy ou um Nocturne de Chopin! Quando no meio erudito tal técnica cai em desuso, essa vai pra musica popular… Estas harmonias e melodias “sofisticadas e envolventes “ já foram utilizadas e muito melhor utilizadas por compositores do calibre de Fauré, Debussy, Ravel, etc.. Além do mais em se tratando de música popular, o Jazz se utiliza melhor dessas harmonias modernas que qualquer compositor da MPB (esse estilo tão aclamado entre os pseudo – intelectuais). Colocar o nome desse caetano entre esses os COMPOSITORES Tom Jobim, Mozart, Bach, Chopin é realmente uma heresia!

    Sobre minha frase “E pior… quis dizer que a musica de caetano pra cinema é “tao boa” que consegue sair da tela de cinema e cair na boca do povão…” De fato foram minhas palavras não suas, porém, foi exatamente o que você quis dizer. Novamente digo que ele nunca escreveu musica pra cinema e sim mais uma musiqueta da MPB e é óbvio que essas musiquetas que se enquadram muito bem na índole do nosso povo,” sairiam da tela” para (em suas palavras) “ganharem vida independente das imagens a que estão ligadas”.

    Realmente não acredito que as canções “Luz do Sol” e “Merda” seriam “canções entoadas em qualquer rodinha de violão pelo “povão” deste país”. Não exatamente do povão, mas na rodinha de violão (ou nos barzinhos de voz e violão) dos pseudo- intelectuais sim…

    Estamos falando aqui de Música de Cinema senhor! Como já dito acima caetano nunca escreveu musica de cinema e sim mais uma de suas musiquetas pra MPB! Não peguei o bonde errado não… O camarada é que não consegue entender o tamanho de sua falácia. Não soube se expressar direito (uma lástima para um jornalista)… Entendi a frase “Caetano Veloso é outro gênio da música mundial que viu suas composições para cinema ganharem vida independente das imagens a que estão ligadas.” Inserida no contexto Música de Cinema (a qual a música deve ser intimamente ligada a cena). Você quis dizer com o trecho “músicas intimamente ligadas a
    imagens de cinema”. Que a musica foi “composta originalmente para cinema” e depois foi parar em outro contexto, isso eu entendi… Por outro lado e eu estou falando da ligação necessária entre a música e a cena pra que esta seja chamada de trilha sonora.

    Lamento informar, mas seus argumentos são baseados em seu gosto pessoal e os meus em fatos, psicologia e ciência, ou você vai querer jogar fora todo o conhecimento que os seres humanos conseguiram juntar desde os antigos teatros gregos passando pela ópera e culminado nas nossas atuais produções cinematográficas e continuar dizendo que caetano é compositor de musica de cinema? É isso mesmo?? Isso sim é falta de argumento senhor.

    Não discuto gosto pessoal, cada um que faça da sua vida (ou dos seus ouvidos) o que bem entender! O que não posso ficar calado e que alguém com nenhum conhecimento sobre o assunto venha afirmar tais besteiras.

    O “mundo bem informado” discorda de mim? Acho que é justamente o contrário, o mundo que desconhece a psicologia, matemática, leis da física, enfim… Cultura e educação de uma maneira geral (ou ainda os pseudo-intelectuais ) é que discordam de mim, não misture as coisas…

    Realmente foi absurda sua afirmação de que algum dia caetano foi compositor de musica de filme, quanto suas músicas medíocres… Não tenho nada a ver com isso… O mundo ta cheio dessas coisas.. E não quero mudar isso sozinho.

    Sim! Eu acho q se faz senso comum achar que caetano veloso é um grande compositor… É só fazer uma pequena pesquisa junto ao povo brasileiro… Pergunte a dez pessoas se elas não concordam com você sobre a mestria do caetano frente a composição musical. Infelizmente dentre dez pessoas entrevistadas 7 ou oito iriam responder que sim! Pois a muito elas deixaram de pensar por si próprias e acreditam nas informações passadas a elas por pessoas próximas e jornalistas de sua espécie que fazem artigo ovacionado trabalhos medíocres e repetindo nas aberturas de entrevistas “estamos aqui com o grande cantor, compositor, e instrumentista Caetano Veloso!!” . Acho que isso legitima a minha frase “Já se foi o tempo que as pessoas costumavam pensar…” isso é o senso comum meu caro.

  26. Joao da silva diz:

    caetano não é um “genio da música mundial” por que não sabe trabalhar com os varios recursos que a musica oferece.. Grandes compositores da musica ocidental foram os grandes compositores eruditos (é preciso citar nomes?) É só ouvir uma composição pra orquestra deles e perceberá a diferença… Na musica erudita trabalha-se o ritmo, agógica, forma, instrumentação, modulções, desenvolvimento temático, melodia, harmonia etc… se trabalha realmente com o recusos musicas.. Não é isso que acontece com a música desse caetano.

  27. Leandro Demori diz:

    Não lerei.

  28. Camilo diz:

    Não lerei. [2]

    Pensarei num flame para postar aqui daqui a uma semana, caso a discussão esfrie.

  29. Lucas Colombo diz:

    João, você é tão preconceituoso em relação a Caetano Veloso e à música popular que acabou ficando cego. Primeiramente, quero dizer aqui que sua
    atitude de usar um blog sobre política e humor (como é o Nova corja) para iniciar uma discussão sobre música é, no mínimo, inconveniente. Meu
    e-mail está disponível no site que você visitou, e eu te forneci o endereço do outro que edito agora. Poderíamos perfeitamente debater por e-mail,
    pois tenho certeza de que muita gente que frequenta o Nova Corja não está interessada no que estamos dizendo aqui.

    Segundo, eu não faço distinções entre ‘música erudita’ e ‘música popular’ (nenhum crítico cultural sério hoje em dia ainda trabalha com esses
    conceitos). Apenas aqueles que reduzem tudo a uma disputa binária (direita-esquerda, Brasil-Argentina, arte clássica-arte popular…) ainda
    ‘discutem’ com base nessas divisões. O século 21 já chegou, “meu caro”. A meu ver, há músicas boas e músicas ruins, simplesmente.
    Discussões no estilo “guerra fria” me chateiam muito. Mas cá estou eu novamente para responder a você.

    Em nenhum momento quis que minhas afirmações se passassem por verdadeiras. Não sou o dono da verdade e, deusmelivre, nem almejo sê-lo (senão, nem seria jornalista cultural, área que pressupõe, ou deveria pressupor, discussão). Coisa que, no seu caso, parece não ocorrer, já que respeito à opinião alheia não é o seu forte.
    Seu argumento não é “baseado nas técnicas composicionais e na ciência de unir música a uma cena”, pelo simples fato de que você não tem um argumento. Você não argumentou, por A+B, que Caetano Veloso é um compositor ruim (de MPB ou de trilhas sonoras, o que for). Você ainda não me disse por que, a seu ver, as canções de Caetano são precárias. Você me ‘critica’ por ter dado uma opinião (e quis me tirar o direito de dá-la na sua mensagem anterior), mas o que você faz é só passar uma impressão a respeito do trabalho de Caetano, sem argumentar. Você já ouviu um disco dele com atenção e de cabeça aberta, sem ideias pré-concebidas? Sugiro que você faça isso.

    Novamente, afirmo que não devo explicações da minha vida pessoal a ninguém. Mas se apenas lhe “satisfaz” saber se sei ler partituras, digo que sim, sei ler. E aproveito para ressaltar que, mais uma vez, o seu comentário é representativo das ideias arraigadas que temos aqui no Brasil. Como a ‘ideia’ de que só quem entende de um determinado assunto é quem estudou durante anos sobre ele, até lançar uma obra definitiva a respeito que lhe confere o título de “especialista”. No Brasil, só é considerado “especialista” quem tem diploma de mestrado e doutorado, como se mais ninguém fosse capaz de estudar um tema por conta própria. Ainda mais no campo da arte. Quem dá opinião sobre um tema em que não tem diploma é “pseudo-intelectual”, não tem “nenhum conhecimento sobre o assunto” e frequenta “barzinhos de voz e violão” onde são tocadas “musiquetas”… Pra você, só pode falar de música de cinema quem é “especialista”, não é? Quem não estudou música por anos e anos, mas lê bastante a respeito, não tem capacidade alguma de emitir um parecer sobre um compositor, não?? Bem brasileiro, isso. “Compositor é aquele que estuda COMPOSIÇÃO!”? E cantor é só, e estritamente, aquele que estudou canto?? Nunca li algo tão preciosista e preconceituoso em toda minha pobre vida. Machado de Assis nunca estudou Letras, era um pacato funcionário público, e é o maior gênio
    da literatura brasileira em todos os tempos.

    O fato de jornalistas do meu “nível” escreverem, também, sobre gostos pessoais me parece óbvio. A matéria que você leu é assinada, o meu nome está lá como autor dela, e é claro que a opinião é minha, pessoal. Novamente, você parece não aceitar o direito que tenho de falar o que eu penso. Pelo visto, ter uma opinião contrária a você é como se fosse um ataque pessoal.
    Quanto à “O Ciúme” e “Meu bem meu mal” não terem “a sofisticação e engenho de uma “Clair de Lune” de Debussy”, também me parece óbvio. Ou Debussy era compositor de bossa nova e samba e eu não sei?.. O gênero a que Caetano Veloso se dedica é canção popular, o qual você, parece, considera um gênero “menor”. Fazer uma canção é criar um elo forte entre melodia e letra. Uma boa canção é aquela que tem boa melodia, boa letra e ótima relação entre ambas. E nesse sentido (pergunte a qualquer “especialista”) canções como as supracitadas são muito competentes. Cada qual no seu estilo, Debussy, Ravel, Caetano, Chico Buarque, Gershwin e outros do universo ‘música’ são competentes. Na MPB, é claro que eu acho o trabalho do Tom Jobim superior ao do Caetano Veloso (aliás, todos os compositores sérios da MPB são reverentes a Jobim). Mas o próprio Jobim gostava das canções de Caetano e o elogiou muitas vezes. E, já que o assunto aqui também é cinema, o diretor Michelângelo Antonioni também já deu a ele o prêmio que leva seu nome, na Itália, em 2001. Apenas quem tem olhos muito estreitos colocaria todo o trabalho de Caetano, sem exceções, na lata de lixo.

    Sobre a citação que você faz no quarto parágrafo, recomendo de novo que você releia o meu texto, porque aquilo não foi EXATAMENTE o que eu quis dizer. Eu me expressei bem no texto, sim. O “camarada” aí é que não soube lê-lo direito. Expressar-se bem realmente é importante, e por isso sugiro que você reescreva o quinto parágrafo, pois a segunda metade dele está bem confusa.

    Meu texto não é baseado em fatos?? Que coisa… então Caetano Veloso não foi convidado pelo diretor Fábio Barreto para compôr a música-tema do filme “Índia, a Filha do Sol” e afinal a compôs? Puxa…

    Eu não jogo fora “todo o conhecimento que os seres humanos conseguiram juntar”, não, pelo contrário. Acho cultura algo extremamente importante, e quem, sem preconceitos, lê jornais e livros, ouve músicas de vários tipos, vai ao cinema e a exposições sabe (ou deveria saber) que não existe apenas dois extremos em tudo. Há um vasto leque de possibilidades entre dois extremos. Quem tem conhecimento sabe que a realidade é mais complexa do que parece. Você está reduzindo tudo a uma disputa entre “música clássica” e “música popular”, o que lamento.

    Para emitir uma opinião, um crítico precisa de INDEPENDÊNCIA. Precisa estar em todos os lugares e em nenhum ao mesmo tempo. Eu gosto de artistas que muita gente não gosta e não gosto de artistas que muita gente gosta. Se Caetano Veloso é ou não apreciado pelo senso comum, não é fator determinante para eu apreciar o trabalho dele ou não. Eu não gosto de Paulo Coelho; muita gente gosta. Eu gosto de Phillip Roth; muita gente nem sabe quem é.

    E se você reforça a sua afirmação de que “Já se foi o tempo que as pessoas costumavam pensar”, só posso lastimar mais uma vez. Essa sua frase significa que você acha que o mundo todo, sem exceção, é burro, menos você. Que tristeza.

    Por fim, convido-o a encerrar o debate aqui no blog (repito: o nova corja não é um fórum sobre música) e, se você quiser, continuá-la por e-mail.
    Continuarei achando aborrecido responder a comentários do tipo “torcedor de Fla-Flu”, mas tentarei.

    (P.S.: Caro Demori, é melhor não perder tempo, mesmo…)

  30. Leandro Demori diz:

    Primeiramente, quero dizer aqui que sua atitude de usar um blog sobre política e humor (como é o Nova corja)

    Não entendi a parte do “humor”.

  31. Lucas Colombo diz:

    pois é, Demori, foi mal. A ideia de ‘humor ‘ já está dentro da de política. Fui redundante. Sorry.

  32. Joao da silva diz:

    Preconceito é o ato de chegar a um conceito (ou afirmação) antes do conceito em si. Algo como ver um cara todo de preto e achar que necessariamente seja um roqueiro… Nos seres humanos primitivos isso funcionava ate como uma técnica de sobrevivência. Imagine que uma tribo antropófaga usa um cocar vermelho enquanto a tribo não antropófaga usa um azul, se porventura um índio de cocar azul topar com outro com o cocar vermelho deveria então fugir… Para o nosso cérebro o preconceito é uma maneira de economizar tempo e energia (imagine se fossemos analisar sempre cada pessoa da cabeça aos pés em todos os detalhes…), assim, o ser humano racional divide aqueles que possuem características em comum em grupos! O preconceito (ou conceito antes do conceito) é um sentimento primitivo, logo, comum a todos os seres humanos. O que acontece é que as pessoas hoje em dia, utilizam esse termo de maneira pejorativa (tal qual nosso amigo Colombo), no sentido de que preconceito é algo errado… Quem tem preconceito é mau… Não é politicamente correto… A única verdade é que o exagero nunca é bom. Essas pessoas que utilizam o referido termo de maneira pejorativa raramente percebem quando estão agindo preconceituosamente, relacionam preconceito sempre a algo ruim, reprovável…

    Não disse que a música desse Caetano é ruim somente por ele falar besteiras na politica ou torcer por um time diferente do meu (isto é ser superficial, criar um conceito antes do conceito). Se cheguei a essa conclusao foi porque usei a razão… Afirmo também que não tenho preconceito a respeito da musica popular, mas como bom ocidental classifico coisas que diferem entre si (principio da individualidade na lógica?). Separo pedrinhas redondas de quadradas e faço distinção entre música erudita e popular, isso é puramente RACIONAL meu amigo! Você próprio não falou que Debussy nunca escreveu bossa? Pois bem… É claro que não! Ele era um compositor E-R-U-D-I-T-O e não P-O-P-U-L-A-R! Devemos realmente generalizar assim toda a musica? Não existem estilos? Assim não estaríamos sendo irracionais? Se faço tal distinção e por seguir meu instinto de ser humano RACIONAL e não, querendo usar isso para perseguir compositores de musica popular… O Jazz e uma música popular e eu adoro! Afirmo inclusive que ouço um grupo de rock australiano chamado AC/DC, sei que sua musica é pobre (no sentido de não se aproveitar dos vários recursos que a música oferece), porém, não deixo de ouvi-lo só por causa disso… O grande lance é saber a diferença que existe entre uma musica rica e uma musica pobre. Você pode gostar da musica pobre, mas tenha em mente que ela é pobre! Não se faz rica apenas pelo fato de você gostar dela… Eu nunca defenderia o Angus Young como um “Gênio da música mundial”. Essa e a principal diferença entre mim e você!

    Sobre a nossa discussão nesse blog, pensei a mesma coisa a principio… Mas depois achei que não seria problema, pois esse tópico estava parado já fazia algum tempo, nos só o colocamos pra andar… Mesmo nossa discussão não estando totalmente dentro do tema do tópico, acho sim que devemos continuá-la neste blog. Outro motivo que posto nele é pra tornar essa discussão pública. Restringir ela a e-mails seria no mínimo chato e estaríamos privando outras pessoas de emitir suas opiniões sobre o tema discutido. Segundo a dialética de Hagel, numa discussão, um lado vem com uma Tese e o outro com a Antítese, porém, somente um terceiro filósofo - depois de estudar as idéias de um e de outro - conseguiria chegar a Síntese das duas ideias. É muito raro numa discussão, que as duas partes cheguem a Síntese sozinhos (ate porque no meio disso tudo, ainda existe o ego de cada um). Deixemos então que as outras pessoas chegarem a Síntese!

    Também não sou dono da verdade, mas a busco incessantemente. Você por outro lado, vem com afirmações do tipo: Caetano “grande gênio da musica mundial” ou Caetano “compositor de musica de cinema”… Acredito que não a busca com tanta vontade por assim dizer… De fato hesitei em ser mais especifico em dizer o porque da música desse caetano ser medíocre. Se agi deste modo foi por saber que você não teria pressupostos teórico/musicais para entendê-lo. Assim preferi ser mais pratico, colocando exemplos dos trabalhos dos grandes compositores de musica de cinema e outros compositores eruditos (pra bom entendedor poucas palavras…). Contudo não quis dizer que só acredito na música erudita. Digo novamente, que a diferença entre mim e você esta no fato de saber o que faz uma musica ser rica e o que falta a outra para que eu a chame de medíocre. Só estará de fato livre de qualquer preconceito musical, aquele que possui esse conhecimento. Não preciso escutar mais musicas desse Caetano pra dizer que ela e realmente menor… Não cheguei a essa afirmação preconceituosamente, e sim após raciocinar muito a respeito…

    Menos mal que saiba ler uma partitura, mas infelizmente isso ainda não me satisfaz… Continuo duvidando que tenha estudado composição e tenha se especializado em música de cinema para poder falar sobre o tema. É lógico que para saber realmente sobre um assunto e necessário ESTUDAR MUITO sobre ele, ou o conhecimento pra você vem enquanto dorme? Não me espanta que tenha vindo de vossa senhoria a seguinte afirmação: Caetano é um grande gênio da musica mundial e compositor de musica de cinema… Estudar pra mim não implica freqüentar uma universidade e conseguir um titulo! Isso não me prova nada! Eu mesmo nunca pus os pés numa universidade… Estudei sim com dois grandes mestres um de teoria, outro de harmonia e composição. Mas não no âmbito superior, devo tudo que sei a eles e aos livros que me caíram em mãos. Acredito que para chegar ao conhecimento verdadeiro, o ser humano necessita apenas de bons livros e um cérebro! Contudo não desmereço o trabalho dos professores (pois também sou um deles), nem tampouco as instituições de ensino, pois elas têm sua função, apesar de andarem de baixíssimo nível por estas bandas.

    Não é somente “ler bastante a respeito”! É estudar por completo! Esmiuçar! Ler os vários livros técnicos sérios sobre o assunto! É desvendar o raciocínio de cada autor! É amar sua área de atuação acima de tudo e querer possuir a maior parte do conhecimento que os antigos conseguiram juntar ao longo de anos sobre o tema! Digo-lhe que pra trabalhar com música de cinema se faz necessário estudar as matérias de composição sim! As pessoas acham que podem dar o titulo de compositor a qualquer carinha que põe dois ou três acordes no violão seguindo receitinhas de bolo do almir chediak… Você realmente acha que isso é ser Compositor? Acha que a criatividade se faz presente em tal ato? Em outras profissões meu caro, você tem que estudar muito para ganhar determinado título. Um médico só e merecedor desse titulo após estudar seis anos, mais não sei quantos de residência etc… Por isso digo que cantor profissional é aquele que estudou canto sim! Compositor profissional é aquele que estudou as matérias de composição sim! E independente de instituições, pelo amor de Deus!! Você deixaria sua mãe ser operada por uma pessoa que leu duas ou três enciclopédias sobre o corpo humano? Acho que não… Na música - por ser algo que a princípio não faz mal a ninguém - as pessoas se acham no direito de chamar qualquer um de compositor, instrumentista, arranjador e outros títulos não merecidos. Digo-lhe que para ser profissional da área tem que estudar e muito!

    Como eu já falei, você e qualquer um podem gostar do que quiserem. O cérebro não é meu… Não tenho nada a ver com isso… O que não posso admitir e que você diga que Caetano seja um grande “gênio da musica mundial” e “compositor de musica pra cinema”.

    Gosto pessoal é: Você gostar de maçã e eu de manga… Você de amarelo e eu de preto… Falar inverdades é oura coisa… O que estamos discutindo aqui e que fique claro de uma vez por todas! É se Caetano algum dia foi “um grande gênio da musica mundial’ e “compositor de trilha de cinema”. Mais uma vez lhe peço… Não misture as coisas… Nunca duvidei aqui que Caetano Veloso tentou escrever trilha de filme… Não é que a discussão começou justamente por causa disso! Puxa… Não seja infantil Lucas! Em nenhum momento duvidei também que ele seja chamado pra TENTAR escrever musica pra cinema. Mais uma vez repito! O que estamos discutindo aqui é se ele é compositor de musica de cinema ou não! Se tal afirmação tivesse vindo de outro louco qualquer, não moveria uma palha pra discutir tal fato… Mas vindo de um jornalista que se diz “especialista em cultura”… Haaa meu caro… Não deixo passar em branco não..

    De fato considero que a musica popular por trabalhar menos com os recursos musicais (harmonia, melodia, ritmo, agógica, expressão etc…) se faz um gênero inferior frente ao erudito. Por outro lado não digo que toda a música erudita é boa simplesmente por isso.

    “Fazer uma canção é criar um elo forte entre melodia e letra. Uma boa canção é aquela que tem boa melodia, boa letra e ótima relação entre ambas.” Pra você o que vem a ser uma “boa melodia”? Boa música (ou musica rica) meu amigo, é muito mais do que isso!

    Estar em todos os lugares e nenhum ao mesmo tempo? Como é isso? Ou você tem algo a defender ou não tem… Ficar em cima do muro é no mínimo atestado de covardia… Mas por que então defende o caetano? Seria mais uma inconsistência lógica sua?

    Apelo novamente pra que continuemos nossa discussão por aqui… A não ser que o administrador ou os freqüentadores do site se pronunciem formalmente contra isso. E se for esse o desejo da maioria, proponho então que continuemos em seu site.

  33. Joao da silva diz:

    A prova de que não presta (aproveitando o mote do tópico!!)

    Já que o nosso Colombo permanece não entendendo o porquê de esse caetano ser um compositor menor, insistindo em dizer que não que não tenho argumentos pois “Não provei “por A+B”… Blá.. bla.. blá… Pois bem!

    Tomando como exemplo a música “O Leãozinho”, discorrerei de maneira bem simples sobre alguns dos vários recursos que um compositor (estudado) tem em mãos pra tornar sua música mais rica, e onde o nosso “Gênio da música mundial” pecou…

    Link para a cifra: http://cifraclub.terra.com.br/cifras/caetano-veloso/o-leaozinho-jtz.html

    1 - Harmonia: o acorde mais simples é aquele formado por três sons diferentes, porem, podemos construir acordes de até de cinco sons! Caetano usa nessa música, com exceção de “G7” (quatro sons) apenas acordes de três sons.

    Conclusão: Pobre em harmonia!

    2- Melodia: Toda melodia e formada pelas notas de alguma escala (neste caso ele usou a escala de do maior), podemos numa composição usar mais de uma escala (ou modular). De fato ele utiliza um acorde (Bb) que não pertence ao tom inicial,porem, não caracteriza modulação. Na parte “B” faz uma modulação bem comum (por tons vizinhos)… De Dó maior pra Lá menor.

    Conclusão: Poderia ser pior se usasse apenas uma escala, mas ainda sim poderia ter modulado para tons menos óbvios… Pobre em melodia!

    3- Ritmo: O ritmo é o esqueleto da música, ele é que deixa a musica inteligível. Do ponto de vista fraseológico, ele repete demasiadamente o motivo rítmico - que esta sobre o trecho -“gosto muito de te ver”. Algo que na linguagem falada poderia ser comparado a REDUNDANCIA…

    Conclusão: Pobre em ritmo (ou fraseologia)!

    4- Forma: É a maneira de organizar as partes de uma musica. A forma mais simples seria A – A’ onde a segunda parte é uma mera variação da primeira (não possuindo características muito diferentes pra ser chamada de “B”). Assim como na melodia ele não chegou a ser tão pobre por assim dizer… A referida musica possui apenas duas partes! Tomando então a forma “A-B-A”.

    Conclusão: Poderia ter usado uma forma menos pobre… Como a forma rondó por exemplo. A-B-A-C-A… Pobre na forma!

    Agora do porque de ele não ser um compositor de música de cinema:

    Música pra uma cena requer um grande conhecimento destes e outros recursos não citados, os quais estudamos em teoria musical e, sobretudo nas matérias de composição. Compor pra cinema exige não somente estudar composição, mas saber quais são as técnicas utilizadas para despertar no espectador sentimentos específicos tais como tristeza, amor, suspense, alegria… Só pra citar alguns mais comuns… Música de filme exige um trabalho imenso que envolve vários profissionais desde a idéia inicial da musica - pra determinada cena - ate o resultado final nas salas de exibição. Normalmente utiliza-se uma orquestra por que nela temos uma grande variedade de timbres a nossa disposição, o que contribui pra deixar a musica ainda mais dramática.

    Nosso Colombo quer reduzir todo esse esforço a uma voz e um violão… Isso deve funcionar bem em barzinhos de voz e violão, mas não quando se trata uma grande produção cinematográfica. Aqui vai um link: http://www.youtube.com/watch?v=gVpCqBgVrTg que acho interessante para ilustrar o que falei. Trata-se de um vídeo no qual o compositor da trilha sonora do filme E.T John Williams nos explica algumas coisas sobre o que é musica de cinema de verdade, no vídeo aparece cenas dele vendo os “takes” do filme e mostrando as idéias iniciais do tema ao diretor Steven Spielberg ao piano. O vídeo mostra ainda ele regendo a gravação da grande orquestra tocando os temas. Creio que este vídeo seja um bom argumento pra provar que esse Caetano nunca foi compositor de musica de filme!

  34. Joao da silva diz:

    Sobre a melodia: na verdade ele também não deixa claro a modulçao pra Lá Menor na parte “B” também não (existem algumas regras pra isso). Ainda na parte “B” ele faz uso de cromatismo no baixo A-Ab-G-Gb-F-E (muito comum por sinal…) e finaliza com a cadencia II-V-I (cadencia vulgar ou ainda pobre).

  35. Joao da silva diz:

    Sobre a Melodia: Na verdade ele também não deixa claro a modulçao pra Lá Menor na parte “B” (existem algumas regras pra isso). Na referida parte ele faz uso de cromatismo no baixo A-Ab-G-Gb-F-E (muito comum por sinal…) finalizando com a cadencia II-V-I (cadencia vulgar ou ainda pobre).

  36. Lucas Colombo diz:

    João, vamos encerrar o debate, por favor. Apesar de eu ser um defensor da discussão - desde que baseada em argumentos, e não em dogmas ou preconceitos -, não poderei continuar trocando mensagens com você. Não poderei em parte porque, como você, tenho trabalho a fazer, e em parte porque, conforme ressaltei no último comment, não gostei do tom em que este debate foi iniciado. Já debati com muita gente em minha vida e, felizmente, a maioria das vezes foi de modo elegante, bem informado e sem uso de adjetivos para desqualificar a outra pessoa como os que você usou. Nessas ocasiões, debati com prazer. Aqui, senti cansaço e lastimei o fato de tanta gente “nessepaís” (como diz o presidente) ainda ficar refém de ideias arraigadas. Fica pra próxima, certo?

    Mas aqui vão mais umas linhas (poucas) como minhas ‘considerações finais’ neste debate:

    1. como já falei, o artigo que gerou tudo isso foi escrito por mim já há algum tempo. Talvez hoje eu, com mais alguns anos de ‘estrada’ em cima,
    não fizesse uso do adjetivo “gênio” para me referir a um artista. Sinceramente acho, e nesse ponto talvez você até concorde comigo, que este adjetivo se vulgarizou nos últimos tempos. Hoje em dia, qualquer pessoa que faz um trabalho competente é “gênio”. Isso, a parcimônia no uso da palavra gênio, foi algo que aprendi nos últimos anos. Adjetivo nao é argumento. Faz parte do argumento, mas não é “o” argumento. Como afirmei no início, aquele texto não é dos que mais me agradam. Já produzi outros melhores (e bem avaliados por jornalistas de renome que visitaram meu site). Mas o texto segue lá, publicado do jeito que está, e eu sigo respondendo por ele, enfim.

    2. Sobre sua análise: eu já conhecia a cifra de “O Leaozinho” e até nem acho que seja uma grande canção, assim como outras de Caetano que poderiam ter harmonias melhores (”O Quereres”, por exemplo, poderia ter uma harmonia à altura da letra, bastante boa ao apresentar os contrastes da relação amorosa e ao usar palavras como “infinitivamente”, difíceis de ‘encaixar’). Mas eu falei pra você prestar atenção em canções como “Meu bem, meu mal”, e sugiro ainda “Desde que o samba é samba” e “Itapuã”, as quais, a meu ver, são superiores a “O Leaozinho” e “O Quereres” e, sim, têm ótima relação entre melodia e letra, como citei no comment anterior, além de mais uso de acordes “de mais de três notas”. Mas, claro, você selecionou, para análise, a canção que mais te convém.
    Vários outros bons compositores de canções também têm seus momentos chinfrins, como o Chico Buarque (”A Banda” também é uma canção pobre).

    3. assim como você escreveu, de certa forma, que gostar de Caetano Veloso é “problema meu”, o fato de você não apreciá-lo também é problema seu. Outros críticos e jornalistas melhores do que eu já disseram que Caetano é bom e deram motivos pra isso. Inclusive nos EUA e na Europa. A revista New Yorker, por exemplo, a mais prestigiada publicação de cultura do mundo, elogiou-o em mais de três páginas, em 2006. O New York Times também já falou bem dele. Não sou a única voz que diz que Caetano veloso é um bom compositor. Além disso, cantoras de jazz como a Karrin Allyson, que têm muito ‘ouvido’, como se diz, já gravaram canções dele. O Carnegie Hall, em Nova York, que geralmente se volta mais à “música clássica”, convidou Caetano, em 2004, para ser curador de uma série de shows de música brasileira - coisa que, para músicos “populares”, o Carnegie só faz quando vê neles muita qualidade. Como já afirmei, apenas uma visão muito estreita colocaria TODO o trabalho de Caetano no lixo.

    4. sobre “música clássica” e “música popular”, torno a afirmar que esta controvérsia já está desgastada. Elas não são polos opostos, inconciliáveis.
    É claro que, se a canção popular pudesse se equiparar à composição sinfônica, ela não teria duração de três ou quatro minutos. Por outro lado,
    porém, elas são a mesmíssima coisa. Diferentes e parecidas ao mesmo tempo (parece confuso, mas não é). Só se distinguem na forma como são feitas (se é feita segundo a ‘tradição’, se é ‘estudada’, ou se é mais intuitiva, etc.). Isso se depreende, por exemplo, da leitura de “O Cancionista - Composição de Canções no Brasil”, do Luiz Tatit. Ele analisa canções brasileiras e revela a riqueza delas no uso de recursos musicais, como você fala. Vale a pena.

    5. num comentário você escreveu que “Na música erudita trabalha-se o ritmo, melodia, harmonia etc”. E na “popular” não? João Gilberto teria um
    ataque cardíaco se você dissesse isso perto dele.

    Poderia escrever mais, mas paro por aqui, pelos motivos apresentados lá no início. Obrigado e até mais.

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