Carta da desgovernadora comentada

14:23 | 14/07/08 | Marcelo Träsel

As emoções do caso Dantas, do processo do PB e da resistência ao PL 89/2003 andaram nos fazendo esquecer um pouco da desgovernadora Yoda. Mas não se enganem! Estamos de olho.

Carta-compromisso, por Yeda Crusius

Por dever de ofício e interesse cívico, mais do que qualquer outra pessoa, tenho refletido sobre os fatores que permitiram, durante tantos anos, a seqüência de atos hoje denunciados, ocorridos no Detran. Como cidadã consciente, reagi. Como governadora, tomei todas as medidas para que se averigúe até o limite de punição dos responsáveis e a recuperação dos valores tomados ao Estado.

Também temos refletido sobre isso. A conclusão óbvia é que um partido inexpressivo, quando recebe um governo de Estado por uma sucessão de acasos infelizes, precisa se ajoelhar perante partidos maiores que vêm aparelhando o Rio Grande do Sul há décadas. Outra conclusão: não se deve mexer em esquemas já montados, senão a galera se irrita, começa a brigar entre si e tudo acaba indo pro ventilador.

Enquanto nosso governo operava um rigoroso dever de casa, economizando tostões, com real ônus político, infligindo a si mesmo severíssimas restrições na despesa, tendo que dizer às justas demandas que nos chegam muitos “não” e raros “sim”, naquela autarquia surge a denúncia de milhões de reais se desviando por uma rede de ilegalidades e corrupção, por muitos anos seguidos.

Denúncia que, consta, a senhora havia recebido do vice-governador e ignorado em nome da “governabilidade”.

Isso me leva a uma primeira conclusão. Não tenho dúvida ao afirmar que o episódio do Detran, em relação ao qual sempre agi no tempo certo e no modo certo, se armou e desenrolou sob a bruma de um excessivo sentimento de autoconfiança. Somos induzidos a crer que estamos imunes, por formação e cultura, a determinadas enfermidades morais. É como se o frio e a geada nos livrassem de certas pragas. Mas isso não é verdadeiro, porque o mal sempre encontra um modo de se infiltrar pelas frestas da rotina e pelas debilidades da natureza humana, principalmente quando neste ciclo mundial as instituições mais tradicionais vão tendo que se abrir para incluir transparência e agilidade como atributos essenciais de sobrevivência no servir o público.

Não entendi bem, talvez a má poesia tenha atrapalhado, mas “sempre agi no tempo certo e no modo certo”? Não avacalha, governadora! Quanto a essa história do mal se infiltrar em tudo, sugiro a leitura de Coração das Trevas, de Joseph Conrad.

Foi tudo muito triste.

De fato.

Nenhuma alegria pode provir de algo tão lamentável.

Errado. Aqui na Nova Corja a gente está se divertindo bastante. Nóis sofre, mas nóis goza!

Nenhum dividendo político pode ser extraído legitimamente de situação tão grave. O contato com essa realidade causou abalo e sofrimento a todas as pessoas de bem. Enquanto pelo lado da gestão e do desenvolvimento econômico e social nosso governo contabiliza avanços; de outro, o Estado - não apenas o governo - saiu ferido em seus brios. E contra isso nos levantamos todos para mais uma importante tarefa caseira, em consonância com o ditado popular: casa arrombada, tranca na porta.

De novo a lengalenga dos brios feridos. Governadora, a única pessoa que se sente atingida pessoalmente por essas denúncias é a senhora. Nós, o povo, estamos é furibundos com essa roubalheira e, de certo modo, sentindo um pouco de Schadenfreude. Aliás, 48% de nós se deram conta de que o responsável por essa situação é a senhora, tanto que consideram o governo ruim ou péssimo. Mas OK, talvez algumas pessoas estejam pensando algo como “é isso que dá botar paulista no governo”.

É a segunda conclusão a que chegamos. Torna-se imperioso rever todos os nossos instrumentos de controle. O importante conjunto de medidas que estaremos adotando nos próximos dias farão do Rio Grande do Sul o Estado mais transparente e bem controlado, no que tange ao respeito ao dinheiro público, do Brasil. Vamos envidraçar as estruturas de despesa do governo, seus centros de custo, como no Detran, e montar uma rede de cruzamento de informações que irá trancar e retrancar nossas portas à ação dos malfeitores. Nosso governo não teme a luz do dia. Pelo contrário, é nela que se fortalece e dela que se alimenta. Por isto, oferecemos ao povo gaúcho nossa carta-compromisso.

Se quer resolver as coisas, melhor mandar prender todos os envolvidos nessas falcatruas e responder às questões em aberto, como por exemplo a história da compra da mansão subfaturada com recursos de origem ainda inexplicada, em lugar de tentar desmoralizar o vice-governador e desviar o foco das graves declarações do ex-chefe da Casa Civil. Criar novas entidades no governo é criar novas chances de corrupção, apenas.

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Postado por Marcelo Träsel, 14:23, 14/07/08, na(s) categoria(s) Desgovernada Yeda. Você pode acompanhar os comentários deste post através do feed RSS 2.0. Deixe um comentário ou coloque um trackback em seu site.

23 comentários para “Carta da desgovernadora comentada”

  1. Fróid diz:

    Por mim ela pode pegar essa carta e…..

  2. gg diz:

    ?ox??q ??d ?ç?q?? ?p no??? lns op ?pu??? o?? o

  3. Schopenhauer diz:

    Schadenfreude o caralho!
    Mas assim ó: tu não entendeu nada, tá!?

  4. Marcelo diz:

    Essa carta morreu quando se noticiou que a leitura foi testemunhada por JLV.

  5. Diogo diz:

    Juro que por um momento li:

    Carta-TESTAMENTO, por Yeda Crusius.

  6. Walter Valdevino diz:

    “Carta-TESTAMENTO, por Yeda Crusius.”

    Desintegrei.

  7. Catarina diz:

    ANÁLISE PARI-PASSU
    “Como cidadã consciente, reagi. Como governadora, tomei todas as medidas para que se averigúe até o limite de punição dos responsáveis e a recuperação dos valores tomados ao Estado.”

    Hã-hã, antes de iniciada a CPI, deu pra ver a ansiedade dela em averiguar. Ela insistia em criar a CPI e os deputados aliados de partido, inexplicavelmente, insistiam em não assinar o pedido inicial…

  8. Catarina diz:

    “Não tenho dúvida ao afirmar que o episódio do Detran, em relação ao qual sempre agi no tempo certo e no modo certo, se armou e desenrolou sob a bruma de um excessivo sentimento de autoconfiança.”

    Flavio V. N. ameaçou contar tudo e ela disse: as portas do Piratini estão abertas, basta agendar com o Délcio - que foi defenestrado em seguida! Depois, misteriosamente, FVZ parou de pedir audiências no Piratini. Vai ver que foi isso o “agi no tempo e no modo certo”.

  9. Diogo diz:

    “É como se o frio e a geada nos livrassem de certas pragas.”

    Que esperança - depois que ela começou a usar pantalha…

    “O importante conjunto de medidas que estaremos adotando nos próximos dias farão do Rio Grande do Sul o Estado mais transparente e bem controlado, no que tange ao respeito ao dinheiro público, do Brasil.”

    Demência plena no gerúndio.

    “Por isto, oferecemos ao povo gaúcho nossa carta-compromisso.”

    Meo Deos, que o Padre Voador caia sobre nossas cabeças!!!

  10. A Nova Corja » Blog Archive » Yoda $$$$ counter diz:

    […] A Nova Corja var gaJsHost = ((”https:” == document.location.protocol) ? “https://ssl.” : “http://www.”); document.write(unescape(”%3Cscript src=’” + gaJsHost + “google-analytics.com/ga.js’ type=’text/javascript’%3E%3C/script%3E”)); var pageTracker = _gat._getTracker(”UA-3784460-1″); pageTracker._initData(); pageTracker._trackPageview(); « Carta da desgovernadora comentada […]

  11. Pudim diz:

    Estou tentando fazer a conexão entre essas declarações, mas não está fazendo muito sentido…

    “Como cidadã consciente, reagi. Como governadora, tomei todas as medidas para que se averigúe até o limite de punição dos responsáveis e a recuperação dos valores tomados ao Estado.” e “Não posso ter problemas com o Zé Otávio”

    “Não tenho dúvida ao afirmar que o episódio do Detran, em relação ao qual sempre agi no tempo certo e no modo certo” e “Não está na minha linha de ação demitir uma pessoa porque tomou chope no Shopping Total”

  12. Walter Valdevino diz:

    “Meo Deos, que o Padre Voador caia sobre nossas cabeças!!!”

    KHDKDA

    Parem com isso.

  13. Catarina diz:

    Como diria Uálter Boi Divino: qui viajjjjj…
    Aliás, a pérola da redação:
    “Nenhuma alegria pode provir de algo tão lamentável”. Ôpa, a perereca raspadinha do telefonema aquele estava bem alegrinha - além do pessoal da New Corja, é claro…

  14. Catarina diz:

    “Isso me leva a uma primeira conclusão. Não tenho dúvida ao afirmar que o episódio do Detran, em relação ao qual sempre agi no tempo certo e no modo certo, se armou e desenrolou sob a bruma de um excessivo sentimento de autoconfiança.”
    Tradução:
    - Tá liberado, meu! Mete a mão que não dá nada! É nóis na fita, Manô!

  15. Catarina diz:

    Por favor, pauta para amanhã: alguém aí assina o Diário Oficial do Estado? Então pesquisa no DOE de 04.07.2008. Saiu a lista dos sonegadô de IPVA. Tem muito neguinho conhecido ali, hein??? Entre as placas ILW tem uma figurinha carimbada…

  16. Cynthia diz:

    “Por isto, oferecemos ao povo gaúcho nossa carta-compromisso.”
    Ah, sim, porque isso era TUDO o que precisávamos…

  17. Gringo diz:

    É uma carta-com-promíscuo…

  18. Catarina diz:

    “Carta-com-promíscuo”
    Fui cremado!!!

  19. dante diz:

    eu gostei dessa:

    “O contato com essa realidade causou abalo e sofrimento a todas as pessoas de bem.”

    sim, porque os LARÁPIOS não tão nem aí.

    me parece óbvio.

  20. BCozer diz:

    “É como se o frio e a geada nos livrassem de certas pragas”

    MORRI MILHÕES DE VEZES!

    Síntese do “Gaúcho é melhor em tudo.”

  21. Camilo diz:

    Tag “pantalha”.

    afhhafahsfldhç

    Não tinha visto, ainda.

  22. Pedro Henrique diz:

    “Vamos envidraçar as estruturas de despesa do governo, seus centros de custo, como no Detran, e montar uma rede de cruzamento de informações que irá trancar e retrancar nossas portas à ação dos malfeitores. Nosso governo não teme a luz do dia.”

    só tocar uma pedra e fazer quebra-quebra…

  23. Cristiane Pelajo diz:

    governo-zumbi.
    quem tem medo?

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