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“Crise? Mas eu trouxe gráficos bacanas”

9:54 | 10/11/08 | Rodrigo Alvares

Eu desisiti de assistir ao Canal Livre com a desgovernadora Yeda Crusius (PSDB) na Band depois que o jornalista Marcelo Parada perguntou algo do tipo “Como que um estado com uma elite tão politizada chegou a esse desastre de trem econômico nos últimos 37 anos e como o seu governo fez para sair dela”?

Yeda sorriu e falou, enquanto eu gritava “Manda o Busatto responder” para a TV: “O que se pôde fazer”. Larguei de mão e fui ver o VT do jogo do Grêmio. Mas voltei depois que vi o gol. Se não fossem as perguntas feitas nos últimos minutos do programa, o PSDB poderia usá-lo na propaganda eleitoral de 2010, porque Yeda levou seus próprios gráficos para mostrar a bonança financeira do Rio Grande do Sul.

Até que finalmente comecei a ouvir perguntas sobre a crise permanente do desgoverno. E de Cezar Bu$atto (PP$). “Eu fui dormir de um jeito naquela sexta e acordei de outro. Vi que se tratava de uma crise parlamentar e montei uma Solução Parlamentar com representantes de partidos da base aliada”. Curioso, lembro que aquilo foi chamado de Gabinete de Crise - o que realmente era - e um bando de gente pulou fora antes mesmo de ele começar a agir.

Mas foi sobre a traição do vice-governador, Paulo Feijó (DEMO), contra Bu$atto que Yeda deixou claro para os jornalistas de São Paulo o que aconteceu: “Hoje ele é um político exilado, que teve de deixar o país para refazer sua vida”. É, tomou champanhe um dia depois de ser pego contando todas as trampas e falências do Bovinão nas últimas quatro décadas e foi cobrir a eleição nos EUA, aquele paraíso dos lobistas. Que dó.

Ao falar sobre a casa, disse que a comprou “como deputada” e que o vazamento do material do Ministério Público e da Polícia Federal foi motivado por interesses políticos e econômicos. A desgovernadora fez questão de deixar bem clara a sua disposição em resolver o assunto: “O que pedem, eu mostro”. Seu governo é transparente, afirma. Acreditamos, Yoda.

Sim, já contou umas nove histórias diferentes e se mostrou atônita ao argumentar que querem ligar as trampas da casa à CPI do Detran. Isso não é verdade, Yeda. E tu sabe muito bem disso. Pena não ter ninguém ali para te dizer que essa investigação é por causa dos problemas no financiamento da tua campanha e dos esforços que tem feito para driblá-los.

Late blogging - 2º turno São Paulo

9:20 | 13/10/08 | Rodrigo Alvares

Quando o debate dos candidatos à prefeitura de São Paulo começou com o repórter Fábio Pannunzio alertando para os telespectadores “relaxarem em casa pelas próximas duas horas”, eu percebi imediatamente que todo o circo armado pela Rede Bandeirantes ia entrar em chamas. Diferente do debate no primeiro turno, desta vez rolou acesso completo ao estúdio onde transcorreu o barraco. Mas eu deveria ter notado que aquilo não ia dar certo bem antes de me refugiar ali dentro.

Cheguei ao pátio da Band e vi alguns jornalistas se acotovelarem para garantir frases e fotos de Marta Suplicy (PT). Não estava nem um pouco interessado em entrar no curral, mas a curiosidade falou mais alto. Depois que a ex-prefeita saiu, dei uma volta por ali e ouvi algumas jornalistas tentando sincronizar o que ela havia dito: “…ela disse que queria saber se ele [Gilberto Kassab (DEMO)] é casado? Ô, baixaria”, comentou uma delas.

Lembrei do rega-bofe do debate anterior e fui conferir se os acepipes já estavam à disposição dos esfomeados, mas no caminho encontrei o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB). Deu dó. Ele estava na frente da porta do estúdio e ainda assim ninguém vinha falar com ele. Entretanto, para manter a tradição democrática, as pessoas não faziam lá muita questão de pegar os salgadinhos com um guardanapo, ou algo que o valha - inclusive o ex-ministro da Educação Paulo Renato (PSDB).

Robson Fernandjes/AE
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“Pedágio urbano? Mandei o projeto para a Câmara, mas nunca ouvi falar”

Se o nível estava assim do lado de fora, comecei a temer o que me esperava dentro do estúdio. Infelizmente, entrei lá bem na hora em que começou o horário polítco. Tudo corria tranqüilo, até que deixaram muda a fala do presidente Lula (PT) na propaganda de Marta, o que já pôs os petistas a reclamar.

Parecia uma sessão de cinema. Mesmo com seus lugares guardados, muita gente saía e deixava para uma amiga guardar o seu com uma bolsa. Como eu estava no lugar indicado como “Imprensa”, estranhei quando o vereador e pagodeiro Netinho de Paula sentou ao meu lado. Cinco minutos depois, correram com ele dali.

No palco, Kassab parecia muito mais à vontade do que Marta. Sorria quando aparecia o Kassabinho na sua propaganda. A petista não se medrou e tocou o horror no prefeito logo no primeiro bloco. Perguntava do seu passado, para fazer ligação com Celso Pitta, e queria saber quem era o verdadeiro Kassab. A estratégia teria dado certo se ela não tivesse insistido tanto nesse bordão.

Robson Fernandjes/AE
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“Também sei mexer os braços como o Kassabinho”

Era muita miudeza sendo discutida. Pudera. Uma cidade com os problemas de São Paulo, e os dois ficam discutindo se implementar tenéti banda larga na cidade vai custar mião ou bião. Óbvio, é preciso que instalem logo, urgente. Preciso usar meu laptop enquanto estiver nos engarrafamentos ou de pé no busão.

Foi a partir daí que a baixaria começou a imperar. A claque petista aplaudia e os kassabistas grasnavam “Vai gritar lá fora” e “Sai, PT”. Teve uma hora em que me irritei e perguntei para quem estava ao meu lado quem era o cara que não parava de gritar contra as hostes petistas, mas aí a Lúcia Hipólito (Beijo, me liga) me disse que era a Zulaiê Cobra (sem partido). Confesso que não esperava ver gente tão bem apessoada e letrada apresentar traços de completo transtorno circunstancial. Enquanto isso, notei que até a iluminação acima da petista era mais forte do que em Kassab.

No segundo bloco, Marta apelou pela primeira vez para Lula e levou mais apupos dos rivais. Antes bem altivo, Kassab começou a se mostrar tenso quando a ex-prefeita mencionou o movimento “Reage, Pitta”, que o demonista liderou para ajudar a defender seu então chefe. O problema é que Marta exagerava na dose e dava para ver que a tensão dela não ficava só no estúdio. Também ficava claro na tela da TV.

O penúltimo bloco começou com perguntas dos jornalistas da Band. Colocaram a crise global na roda e finalmente questionaram o orçamento da cidade - de R$ 29 bilhões. Mesmo com provas de que a prefeitura investe uma bolada no mercado financeiro e deve estar apavorada com a queda da Bovespa, Kassab quis dissuadir o espectador de que Marta não sabe o que é ter uma conta no banco e cuidar dela. Então, tá.

Já ouvi palavras mais agradáveis da coréia do Beira-Rio em um Gre-Nal do que ontem, dentro do auditório. Tudo porque Kassab teve um pedido de direito de resposta aceito e os “juristas” da Band negaram três feitos por Marta. Mas eles estavam certos: ela demorou demais para pedir, e o prefeito, que trocava olhares lânguidos com seus marqueteiros, não bobeou.

Quais eram as acusações? Ah, o de sempre: mentiroso, corrupta, mensalão, pode escolher. A impressão é que o demonista precisava de demonstrações de apoio dos aliados para quase qualquer coisa que Marta falava.

A várzea ficou completa quando Kassab acusou Marta de fazer um debate pequeno, mas aí começou a falar dos dólares na cueca, de Delúbio Soares e sua mulher. Projeto para a cidade? Coisa para idiotas. Depois da terceira negativa, os petistas entraram em chamas e começaram a gritar que “A Band é Vendida”, “O Casoy é vendido”, “Marmelada”. Perdi a conta de quantas vezes pararam o debate. Parecia debate de centro acadêmico. Hmm, pensando bem, nunca vai deixar de ser.

Para completar, no último bloco Marta estava completamente esganiçada e espantou o tédio mortal ao discorrer sobre os problemas de acessibilidade nas calçadas “para os cadeirantes, os idosos e…os…que tem problema de QI“. Todos na platéia ficaram se olhando, sem saber o que dizer ou esboçar uma risada. Depois dessa, comecei a me concentrar na dor do meu siso. Fazer o que, eu estava cercado e precisava me isolar da demência de alguma maneira.

Late blogging - São Paulo

3:46 | 12/09/08 | Rodrigo Alvares

“Quem chegou aqui sabe que o trânsito de São Paulo foi todo feito por Paulo Maluf (PP)”. Isso bastou para desestimular qualquer tipo de registro com live ou micro blogging do debate dos candidatos à prefeitura do Fumaquistão, é mister começar com uma explicação: é chato pra caralho fazer isso pela TV, imagine então pelo lounge da Rede Bandeirantes, onde foi a bagaça. Não tem como manter o ânimo, tu fica te sentindo o Alckmin. O interesse murcha, é fatal - e tenho testemunhas disso.

Prefiro começar pela melhor parte, que foi a ida para a emissora do Morumbi. Entrei no ônibus em direção ao Centro da cidade lá pelas 18 horas, onde pegaria carona com o Gravata, e quando vi parei naquele Triângulo das Bermudas do sistema viário paulistano - avenida Dr. Arnaldo/ avenida Paulista/ Consolação.

Estava acomodado na última fileira de bancos quando começou um gritedo. O cobrador partiu para cima de dois caras que estavam, sei lá, bolinando umas pessoas e expulsou-as do coletivo. De fato, foi o mais correto a se fazer - estavam travadaços. O problema é que o ônibus não rodava, e os filhos da puta começaram a jogar pedra no vidro de trás do busão - que era onde eu estava, por que não?

Aí, o cobrador vem e começa a declamar aos passageiros os motivos pelos quais correu com os pangarés e pediu para que ninguém reclamasse na firma. Como até o Fogaça chegaria na Paulista antes de nós, gritei “relevo tudo, desde que o motora faça o ônibus rodar, porque esses caras vão nos alcançar e jogar mais pedras aqui em mim”. Óbvio que todo mundo achou meu altruísmo muito engraçadinho, mas também ficaram conferindo pela janela se eles nos alcançariam.

Depois dos caminhos tortuosos do Morumbi, finalmente conseguimos encontrar a emissora. A essa altura, eu só tinha uma certeza na cabeça: a primeira pergunta seria sobre trânsito. Batata. Mas nada muito concreto, como o esperado. Marta Suplicy (Pê Tê) cansou de falar no apoio de Lula, Alckmin não aprendeu nada de 2006 e quase matou até os repórteres no lounge de tédio mortal com uma saraivada de números.

O intervalo não era um alívio apenas para os candidatos. O pessoal com acesso ao auditório saía direto de lá para degustar os acepipes preparados pela produção, onde encontravam forte oposição de jornalistas famintos e aspones gerais. A candidata à câmara Dra. Havanir (PTC) era presença constante, assim como Oscar “Free” Maroni.

Enquanto um trio de repórteres do CQC era devidamente assediado pelas hostess da Band, Marta e Alckmin se engalfinhavam lá dentro. “Ficamos sitiados em casa por causa do PCC”, respondeu a petista depois que o Chuchu afirmou ter orgulho da gestão do Tiranossaulo à frente da Segurança do Estado. Nos bastidores, assessores do prefeito comentavam: “Tão isolando o Kassab”. Mas o melhor foi ver Maluf deitar e rolar, como sempre.

Não se cansou de falar de suas obras e ainda intimou a candidata Soninha (PPS) a revelar sob quais administrações houve compra de votos na Câmara, como ela declarou durante sabatina no Estadão. Era retórica pura - é o primeiro mandato dela -, mas serviu. Ela não respondeu e ainda foi fustigada mais tarde por Ciro Moura (PTC).

Afetuoso como sempre, Kassab sempre começava a falar com um “É uma pergunta muito importante”, ou “Muito obrigado pela sua pergunta”. Exaltou sobre os parques que imagina conseguir entregar até o fim do ano. Lembrei na hora daquele parque sem grama e sem árvores cuja “inauguração” fui cobrir.

Marta aproveitou e levantou uma lebre que não é muito comentada por aqui: a grana preta que a prefeitura investe na bolsa e em fundos de investimento ao invés de jogá-la na cidade. Kassab tentou se desviar ao dizer que aquilo era para o governo ter dinheiro em caixa em ordem de pagar as contas.

Alheio a tudo isso, o rega-bofe seguia mais interessante. Novos e melhores acepipes surgiam e eram devidamente devorados sem perdão. O ruim era ver gente na mão grande e sem guardanapo para pegar os salgados. Parecia vernissage de super-oitistas na Usina do Gasômetro.

Enquanto Kassab e Ivan Valente (PSOL) se digladiavam sobre a falência (RONC) da Saúde na cidade, assessores de Alckmin tiravam um sarro com os dois. Não entendi bem por quê. Deve ser a grana que recebem, porque o ex-governador fez a festa para José Serra (PSDB). Foi apático durante quase todo o encontro e justificou que a queda nas pesquisas é uma tendência, não um percalço.

Na hora de agradecer a quem sobreviveu à experiência, Vovô Paulo Maluf mandou uma bitoca para seus netinhos. Pouco depois, vi alguns secretários de Kassab literalmente tendo orgasmos com o tchau do prefeito: “Como ele melhorou”, disse um deles sobre a performance televisiva do demonista.

Quando se afastaram, perguntei para um senhor que estava na conversa quem eles eram. Ele me olhou de cima a baixo - não levou muito tempo - e falou que eram secretários do governo da prefeitura, ex-ministros do governo FHC. Tudo bem, tio, aprendi a lição: vou pedir para o Menezes fazer um Super Trunfo da campanha Kassab para o próximo embate mortal, na Rede Globo.

Update: inadmissível o lapso de não ter citado a companhia e o convite do pessoal do Yahoo! Posts para a demência toda. Deu dó ver o Inagaki, o Ian Black, o Gravata e o Solon penando no Twitter para dar algum sentido à coisa toda. Mas o desânimo era geral. A cara do processo eleitoral de São Paulo. Eles fizeram um trabalho excelente no Twitter para cobrir a irrelevância toda, mas não havia como resistir à modorra. Parabéns a eles pela pachorra - alguém precisa manter o espírito chinelo.

Estréia do Custe o Que Custar hoje

20:44 | 17/03/08 | Walter Valdevino

Estréia hoje, segunda-feira, o Custe o Que Custar (CQC), na Band, às 22:15.

O programa é comandado pelo Marcelo Tas e conta com a participação de Rafinha Bastos, Marco Luque, Rafael Cortez, Danilo Gentili, Felipe Andreoli e Oscar Filho.

Mais informações no site da Band.

A julgar pelo vídeo da chamada do programa, promete.