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A prova de que não presta

10:35 | 26/05/08 | Walter Valdevino

Caetano Pê Tê Velo$o, filó$ofo, cientista político e mú$ico nas horas vagas, $urtando na Folha de S. Paulo de hoje:

Brasileiro adora dizer que o Brasil não presta

Músico critica a esquerda paulista, defende Mangabeira Unger e reclama da “inércia” no país, “salvo-conduto para cada um se mostrar irresponsável”

FOLHA - Que reflexos terá nos EUA a disputa Obama ou Hillary contra McCain na sua opinião?
CAETANO
- Uma coisa boa é que vai acabar a administração Bush. Todo mundo sabe que a Hillary Clinton apresentava uma maturidade maior, um traquejo maior em política, o modo como falava, se apresentava. Mas Obama é um sujeito mais simpático. Ele é mais bonito, parece mais sincero. Tem um atrativo pessoal, não é um atrativo técnico. Obama parece meu pai, é um mulato, parece um cara de Santo Amaro [cidade baiana onde Caetano nasceu]. Me sinto mais próximo dele do que daquela mulher que parece uma perua de tailleur. Adorei o discurso dele sobre raça. É uma abordagem mais brasileira, multipolar, reconhecendo a mestiçagem. Sem se resumir àquela coisa bipolar americana. Ouvi dizer que ele mesmo disse: pareço mais um brasileiro. De fato.

FOLHA - Obama foi aluno de seu amigo Mangabeira Unger, que, depois de dizer que o governo Lula era o mais corrupto da história, assumiu um cargo de ministro de Assuntos Estratégicos.
CAETANO
- É normal. Mangabeira sempre militou com suas idéias à esquerda. Esteve ligado ao PDT e ao Brizola por muito tempo, depois por um período bem mais curto a Ciro Gomes, no que, aliás, coincidia totalmente comigo. Foi José Almino Alencar [sociólogo e escritor] quem me chamou a atenção para que lesse os artigos dele na Folha. Eu li e gostei muito. Li o livro dele “Paixão”. Li muito de “Política”. Li esse livro de filosofia que se chama “The Self Awakened”. Tenho muito interesse nele porque parece pôr a discussão política brasileira num nível diferente do habitual. Pensa de uma maneira que pode ser produtiva. Ele vem tentando se aproximar do poder real para fazer com que algumas idéias dele sejam testadas, experimentadas, postas em prática. Pouco antes de Lula ganhar em 2002, ele escreveu na Folha, naquela coluna estreitinha da segunda página, que não era hora de discutir. Lula iria ganhar, então tinha de colaborar com ele. Foi o que ele fez.

FOLHA - Mas depois afirmou que era o governo mais corrupto da história.
CAETANO
- A história do mensalão foi realmente um escândalo, uma porcaria, uma coisa nojenta gritante. Alguns outros episódios assim vêm acontecendo, como esse -menor, porém não menos nojento- do novo dossiê, com Dilma e todo esse negócio. O Mangabeira, quando do episódio do mensalão, criticou durissimamente. Quando Lula chamou, ele aceitou, porque é coerente com o projeto que tem: aproximar-se do poder, dando forças à esquerda, para experimentar idéias produtivas de esquerda. Por que justamente esse escrúpulo, que ninguém exige nem do próprio Lula? Foi a única coisa que a imprensa exigiu do Mangabeira quando ele foi chamado. Tem duas coisas aí: uma que o Mangabeira não é muito simpático, apesar de, para mim, ele ser um sujeito espetacular. Mas ele também não faz muita questão de ser afável como os outros brasileiros. Ele mostra aquele aspecto prussiano para marcar diferença. Deseja marcar um certo distanciamento, contribui para que ficasse antipático para os jornalistas. Mas também a rejeição é por causa da novidade, da criatividade do pensamento dele. É uma mistura de ciúme e medo de experimentar verdadeiras mudanças até de pensar. Vejo assim. Você entendeu o que eu disse?

FOLHA - Por que acha que ele é folclorizado?

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Começou

7:00 | 15/04/05 | Rodrigo Alvares

Mangabeira Unger lança candidatura

Caetano Veloso aparece em programa do PHS

Com uma introdução feita pelo cantor e compositor Caetano Veloso, o PHS (Partido Humanista da Solidariedade) lançou ontem, em seu programa político na TV, o filósofo Roberto Mangabeira Unger como pré-candidato às eleições presidenciais de 2006.

Após uma intervenção feita pelo deputado estadual Francisco Caminha (CE), presidente da legenda, o filósofo disse, sem mencionar a disputa eleitoral do ano que vem, que o seu esforço será “juntar gente e partidos para que o Brasil tenha opção” .

Mangabeira Unger detalhou seus três compromissos: estabelecer a carteira assinada como “política social prioritária”; melhorar o ensino no país ; e “separar a política dos negócios”.

Caetano apenas disse, logo no início: “Você que não gosta de política, pare e ouça. É rápido”.[Folha, Brasil, 15/04/05]