Disque-sexo para Ética
19:31 | 07/05/09 | Rodrigo AlvaresConforme prometido, A Nova Corja inicia a campanha eleitoral para que a opinião pública não deixe os jornalistas enrabarem o nobre relator da Conselho de Ética da Câmara, Sérgio Moraes (PTB/RS), e impeçam sua reeleição:
“Deputado pagou com dinheiro público
ligações para disque-sexo, acusa MPF (G1)
O deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS) é réu em um processo no Supremo Tribunal Federal com pedido de condenação pelo Ministério Público Federal por utilizar-se de bens ou rendas públicas em proveito próprio ou alheio, em 1997, quando ocupava a prefeitura de Santa Cruz do Sul (RS).
Na acusação, o MPF afirma que até contas de ligações para números de “conteúdo pornográfico”, conhecidos como disque-sexo, eram pagas com dinheiro público. O deputado afirma que o telefone era de um armazém, que pertenceu a seu pai no passado, e que não tinha como controlar as ligações. (…)
Segundo a denúncia do MPF, assinada pela subprocuradora da República Cláudia Sampaio Marques e aprovada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, a prefeitura instalou um telefone na casa do pai de Moraes, Willy, já falecido, ‘franqueando-lhe o uso gratuito do aparelho e linha’ com as contas sendo pagas pelo município entre os meses de maio e outubro de 1997 . O processo já está pronto para julgamento no STF.
“‘Os documentos que acompanharam a denúncia comprovaram, também, que o terminal instalado na casa do pai do denunciado foi utilizado para inúmeras ligações particulares, inclusive, para outros países, tais como Guiné Bissau, Moldávia, São Tomé e Príncipe, e números de ‘conhecido conteúdo pornográfico’”, diz trecho das alegações finais do MPF. (…)
O deputado afirma que seu pai não residia mais no local em que estava localizado o telefone na época da denúncia. Segundo Moraes, o telefone havia sido instalado há mais de 20 anos para permitir acesso à tecnologia para a comunidade de Cerro Alegre Baixo. Na residência de seu pai, funcionava um armazém e por isso o local foi escolhido. Ele afirma que seu pai vendeu o comércio antes de 1997.
‘Eu não morava, e meu pai também não morava mais nesta casa onde tinha o telefone, que era público. A prefeitura pagava e depois a comunidade ressarcia. Não temos como responder se tinha ou não ligações internacionais ou para disque-sexo‘, disse o deputado ao G1.
Moraes afirmou que seu pai deveria ser homenageado por ter prestado um importante serviço à comunidade nesta época. ‘Além de tudo, o dinheiro que ele recebia das pessoas não cobria as despesas e muitas vezes tinha que completar para pagar a prefeitura. E acabou que o resultado disso é que eu estou sendo processado por meu pai ter prestado um serviço ao público‘.”
O deputado estava certo quando falou para a repórter que ela “Tem que trabalhar com mesquinhez, distorcer, conduzir de forma mesquinha o processo neste parlamento”. Realmente, é uma tristeza ser jornalista e não precisar de 24 horas para começar a descobrir um universo de processos e desvios de conduta de políticos que ainda acreditam ser donos das pessoas.
E olha que o Google ficou fora do ar hoje, deputado. Imagina se O Globo envia alguém para Santa Cruz descobrir mais sobre o caro relator, se isso for possível.





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