
Atirar merda no ventilador é uma arte. E arte não é igual a funk, que qualquer um faz. Arte, na política, é o difícil equilíbrio entre o banditismo e… bem, o banditismo. Antes de tudo, para atirar merda no ventilador você tem que saber exatamente onde seu rabo está preso. Depois, é preciso armar tudo de maneira que não reste dúvida sobre o que se pretende passar.
Esses são os requisitos básicos para uma boa merda no ventilador. Requisitos que Paulo Feijó cumpriu com maestria. Quando tornou públicas as gravações de Bu$atto (te$ão), Paulo Feijó tornou-se personagem quixotesco a apontar a lança para um moinho de vento. Bu$atto é personagem da política bovina há décadas, e sua confissão gravada é como se fosse de DiLLma para LuLLa.
Lair Ferst seria o Roberto Jefferson ideal, mas se limitou a enviar uma carta para a (des)governadora. E na hora H, se calou. Feijó, então, assumiu o papel de dedo-duro, cagüeta, X9. Feijó é um Zé Alencar que não se calou. Entrou para a política de maneira despretensiosa, como candidato a vice na chapa de um partido inexistente no Bovinão. Ninguém jamais imaginaria que Yoda ganharia eleição alguma. Feijó só queria aproveitar a campanha para falar, fazer sua defesa do estado mínimo e, sobretudo, da redução dos impostos.
Que fique claro a seus asseclas e inimigos íntimos: Feijó não tinha projeto de poder. Não é político profissional e jamais lhe passou pela cabeça viver de política. O vice-governador é um empresário, que entrou nos corredores da política para defender interesses claros e específicos. A isso costumam dar o nome de democracia. A ele, costumam dar o nome de capitalista. É o que temos para o momento.
Ex-dono de um empresa bem sucedida, a Mercador, Feijó foi sócio da Telefônica antes de vender quase tudo para Miguel Abuhab, um dos maiores empresários da área de softwares do Brasil. Imagine $$. Agora imagine mais $$$$. Política? Ná. Dinheiro.
Em 2006, quando viu o Piratini se agigantar diante de seus olhos, sua única missão declarada foi pagar menos impostos. Sua bandeira era o capitalismo feio, bobo e mau, e foi exatamente por isso que entrou em atrito com a (des)governada nos primeiros segundos de jogo. Golpista? Também Não. Feijó é um magoado que, como ele próprio disse, “só queria ser ouvido”.
Há criticas a fazer (e muitas). Acreditar que qualquer um envolvido com a política possa ser canonizado é ingenuidade sem limites. Mas o que mais dói aos adversários de Feijó é o fato de que não haverá nenhum dossiê contra ele. Ou “banco de dados”, que é como se chama dossiê neste país. Quando entregou as gravações, Paulo Feijó sabia que teria sua vida varrida da A a Z. Se o fez, sabe onde está pisando. Qualquer dossiê será uma farsa.
Por outro lado, o papel de Busatto nessa história toda vai muito além do que as gravações revelam. Sua atuação no Pacto pelo Rio Grande, por exemplo, foi fundamental. O documento previa que indústrias de energia fossem instaladas no estado. Parte grossa desse dinheiro iria para bolsos particulares, parte deles, os mesmos do Detran, que financiam partidos, que trabalham para que esses mesmos bolsos jamais fiquem vazios. É um círculo vicioso. Um swing. Um troca-troca. Mas com o SEU redondo.
Por tirar de circulação (ao menos temporariamente) gente da pior laia, essa operação Rodan é histórica. Ruiu não somente uma quadrilha feita do acaso, mas um bando de pilantras que se aproveitaram de (mais) uma falha no sistema. A famiglia Fernandes é sem sombra de dúvida um dos mais bem armados cartéis de lobby, extorsão e corrupção de toda a história ruminóide.
Melhor. Tudo. Sempre.