Fui dar uma volta para catar a piedade alheia
12:12 | 24/07/09 | Rodrigo AlvaresFoto: Cris Castello Branco / Governo do Estado de SP

“Vocês também avisam os nóia da Crackolândia antes de serem presos?”
Foto: Cris Castello Branco / Governo do Estado de SP

“Vocês também avisam os nóia da Crackolândia antes de serem presos?”
O Prefeito Desconhecido concedeu uma entrevista ao programa Gaúcha Atualidade e o Blog da Rosane publicou algumas aspas. Questionado sobre qual será a “cara” do segundo mandato, Fogaça disse que será de expectativas e ampliação de possibilidades e inspirou-se no candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama para afirmar:
“A cidade pode ter a audácia da esperança.”
[Nota do editor: tudo o que eu tenho visto é a audácia do crack no olho em Porto Alegre]
Claro que não ficou só nisso:
“Fogaça descartou qualquer possibilidade de voltar a concorrer ao Senado em 2010. Para ele, a prefeitura da Capital é mais importante:
‘Ninguém pode deixar uma prefeitura para concorrer ao Senado’, e ressaltou o apoio a candidatura de Germano Rigotto para o governo do Estado.”
É muito fracasso de uma só vez. Alguém faça parar.
Da Folha Online:
“Gil envia ao Iphan pedido para reconhecer ayahuasca como patrimônio cultural
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, vai encaminhar ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) um pedido de reconhecimento do uso do chá ayahuasca em rituais religiosos como patrimônio imaterial da cultura brasileira.
A bebida é produzida a partir da fervura de duas duas plantas nativas da floresta amazônica –um cipó e folhas de um arbusto– que têm efeito alucinógeno.

Foto: Elza Fiúza/ABr
A solicitação foi entregue ao ministro nesta quarta-feira (30), em Rio Branco (AC), em documento assinado por representantes de três das principais doutrinas ayahuasqueiras –Alto Santo, União do Vegetal e Barquinha.
(…)
- Neste caso, específico, acrescenta-se o afeto em relação a outra dimensão importantísssima para a vida, que é a natureza“, disse o ministro.”
Intrigado com a presença ostensiva de guardas civis metropolitanos próximos a uma escola na Praça da República - centrão de São Paulo -, resolvi dar uma banda no entorno do lugar. Conhecida pela aglomeração de mendigos, traficantes, prostitutas e gente fumando crack deitadas no chão, imaginei que a Autoridade fosse dar um jeito na segurança dos pirralhos. A ilusão não durou até a primeira esquina.

A rua é um espaço lúdico para o loló, como bem disse uma secretária petista
Entrei em uma banca para comprar uma revista, e outro pivete parou na frente da caixa, pegou o expositor de chaveiros e disse que “ainda vou levar isso aqui. Ontem, só não peguei porque tinha um policial ali”. E foi embora aos risos. Os jornaleiros dos arredores são uma ótima fonte de informação quando tu queres saber quantas pessoas foram executadas perto da tua casa.
A Nova Corja: não tem vontade de dar uma coça nessa criança?
Jornaleira: ô se tenho. É a terceira vez que ele vem aqui me ameaçar.
A Nova Corja: notei que a praça tá cheia de GCMs. Adiantam alguma coisa?
Jornaleira: nem fudendo. Eles não têm poder algum. Vem cá, esse seu sotaque, você é de Porto Alegre?
Fui embora e me embrenhei na selva. Tudo confirmado: crianças e adultos cheirando loló e fumando crack. Outros sentados em pontos estratégicos para assaltar pessoas e nenhum sinal de guardas. As crianças já haviam entrado na escola. Infelizmente, ainda não perdi contato completo com a realidade e achei melhor não apontar nenhuma câmera na direção deles.

“Entrar nessa praça? Puta mundo injusto, meu. Muito perigoso”
Resolvi abordar um GCM perto dali.
A Nova Corja: oi, olha só, acabei de ver uns caras cheirando loló na frente do Banco Itaú e eles ficam acossando e ameaçam assaltar quem entra e sai dali. E contei umas 50 pessoas à toa (ver exemplos de à toa acima), boa parte fumando crack. Vocês não podem fazer nada?
GCM: e eles eram de menor?
A Nova Corja: olha, quem tem de saber isso são vocês. Tenho umas fotos aqui e eles não parecem ser maioria.
GCM: (olhando para o meu bolso) não podemos fazer nada. Passa o celular pra cá.
A Nova Corja: brincou. Até porque estou gravando toda essa conversa (mentira).
Vereador diz que cracklândia está de volta
A Rua Marechal Floriano Peixoto, no centro da Capital, revelada como território livre para consumo de crack por Zero Hora, em fevereiro de 2004, voltou a ser lembrada ontem na Câmara como a cracklândia. Adeli Sell (PT) definiu o local como o principal ponto de venda de drogas em Porto Alegre, com ampla distribuição de crack e outros narcóticos.
- O problema havia diminuído, mas recebo queixas de que nos últimos dois meses a situação voltou a piorar. Há reclamações de arrombamentos de casas e carros, tudo ligado com a droga - disse o vereador.
Segundo Adeli Sell, ninguém ficaria naquele local por acaso, mesmo que em uma ocupação aparentemente legal. Tudo teria relação com o tráfico de drogas. O vereador tem apelado às pessoas que registrem os casos na polícia para que as autoridades tenham noção da realidade no local.