A revista Veja (mídia má, feia, bobona, imperialista e neoliberal) que começou a circular hoje traz uma excelente e didática matéria de capa explicando todos os detalhes do caso Daniel Valente Danta$ e levantando “20 questões que Daniel Dantas ainda pode esclarecer” (abaixo, no “Continue lendo…“).
Tem também um imperdível “Exclusivo on-line” com 12 matérias que a revista publicou sobre Danta$ de 1998 até hoje. Começa com a clássica matéria de 18/11/98 que transcreve o conteúdo de uma conversa gravada na época entre o então ministro das Comunicações do Príncipe, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e o presidente do BNDES, André Lara Resende, armando - para além do “limite da irresponsabilidade“® - os pauzinhos para beneficiar o Opportunity no leilão das teles, passa pela matéria de 22/06/2005, que mostra o laço entre Dantas, Marcos Valério e Delúbio Soares, até chegar na matéria desta semana.
Mas o que de fato me interessou foi a segunda matéria, explicando os motivos pelos quais Dantas se livrará de tudo rapidinho, rapidinho: “O inquérito produzido pelo delegado federal Protógenes Queiroz, que embasou o pedido de prisão do banqueiro Daniel Dantas e companhia, é um texto confuso, eivado de convulsões ideológicas e pródigo em julgamentos sem nenhuma base na realidade.”
Como meu único e supremo interesse é na demência humana, reproduzo abaixo os trechos da matéria que explicam por A + B a razão de tanta euforia petista (resultado de embate mortal entre Tico e Teco, os dois neurônios dos cérebros e$querdi$ta$) com o inquérito e as ações do delegado Protógenes, capacho de Paulo Lacerda, ex-delegado-geral da PF e atual diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência):
1) “A atuação e o inquérito do delegado Protógenes, que abriga contrabandos de Lacerda contra seus desafetos, só não podem ser classificados como típicos de um estado policial, porque os estados policiais costumam ser mais competentes. Em determinados momentos, ele parece um aluno de faculdade de sociologia tentando impressionar o mestre esquerdista com frases de efeito. Para justificar a renovação da autorização dos grampos telefônicos, Protógenes recorre a uma frase do destrambelhado lingüista americano Noam Chomsky: “A mídia é um veículo independente, comprometido com a verdade e imparcial, certo? Errado!“. Ao ritmo de uma revolução por parágrafo, cita, ainda, o suíço Jean Ziegler, autor do livro A Suíça Lava Mais Branco: “Se prevalecem grandemente da deficiência dos dirigentes da sociedade capitalista contemporânea. A globalização de mercados financeiros debilita o estado de direito, sua soberania e sua capacidade de agir“. Ele também acha que Freud não explica: “Comparar a gigantesca organização criminosa comandada por D. Dantas com a de N. Nahas seria um ‘paradigma ingênuo’ ou aplicar a simetria das condutas criminosas estaríamos diante de um método freudiano primitivo e ridículo“. Não tente entender. Não tem sentido.”
2) “No inquérito, há uma “análise” segundo a qual o banco Opportunity “tem pessoas infiltradas no Comando do Exército, onde estes indivíduos promoveriam os interesses do grupo, principalmente espionando ações militares estratégicas e secretas”. Será que Dantas planejava montar uma base de mísseis em sua cobertura na Vieira Souto? O delegado Protógenes mostra também que não baixará a guarda “contra tudo isso que está aí”.”
3) “Nas partes referentes a Naji Nahas, toda a mitomania do especulador é levada a sério por Protógenes. Uma das sandices que mais ganharam repercussão na imprensa foi aquela em que se atribui ao especulador a posse de informações privilegiadas do Federal Reserve, o banco central americano: “Homem não identificado fala aparentemente de New York e antecipa para Naji a queda da taxa de juros, controlada pelo Fed americano, em até 0,5%… N. Nahas, segundo ele próprio revela que foi o presidente do Banco Mundial que lhe repassou esta informação. Tal fato ocorreu com vinte dias de antecedência, podendo então direcionar seus investimentos com certeza, aonde o mercado financeiro globalizado tinha dúvidas”. O Banco Mundial nada tem a ver com o Fed, ambos ficam em Washington e as mudanças da taxa de juros americana são antecipadas corretamente pelo mercado em 99% das vezes.”
4) “Os espasmos ideológicos do inquérito da Polícia Federal são particularmente violentos nas partes dedicadas à “mídia” – expressão preferida pelos inimigos da liberdade de expressão quando se referem à imprensa. O delegado Protógenes chegou a pedir a prisão da repórter Andréa Michael, do jornal Folha de S.Paulo, porque ela noticiara, em abril, a existência de uma operação em curso para prender Daniel Dantas. De acordo com o delegado, que a ela se refere como “travestida de correspondente na cidade de Brasília”, isso teria dificultado a ação policial. Problema seu, doutor Protógenes, se a PF foi incompetente para manter o segredo da operação. O que não pode, numa democracia, é punir o mensageiro porque ele fez o seu trabalho.”
NADA supera o Pê Tê mental.
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