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Lemas gaúchos não contêm mensagens cifradas

15:04 | 13/07/09 | Rodrigo Alvares

A Rede Record apresenta hoje às 19h15 (na Record News) a entrevista com a desgovernadora Yeda Crusius (PSDB/RS) feita no último fim de semana.

O programa já foi ao ar nos telejornais da emissora no Rio Grande do Sul. Quem assistiu e ficou perplexo, fazer mandar spoilers. Embora essa declaração publicada no Correio do Povo de hoje me baste:

Esse é um lema gaúcho: não me bote como testemunha uma pessoa morta. Acho um traço de caráter covarde usar uma pessoa morta para dizer coisas que a pessoa não pode dizer.”

Uma conversa antes do feriado

17:12 | 10/06/09 | Rodrigo Alvares

O deputado Cassiá Carpes tem sido disputado pelos aliados e pela oposição para assinar o requerimento da CPI das Boletas. Sendo o único parlamentar que não vota junto com a bancada do PTB, A Nova Corja trocou um breve diálogo com o ex-técnico do Grêmio:

A Nova Corja - Como é a avaliação do governo entre os aliados da governadora na Assembleia?

Cassiá Carpes - Olha, tem gente até do PMDB que diz que se aparecerem essas provas do MPF dia 15 as assinaturas vão passar de 30. Eu sou deputado de primeiro mandato, mas a questão é que tudo isso é jogo político.

A Nova Corja - A impressão que dá é de que todo mundo quer cair fora o quanto antes desse governo.

Cassiá Carpes - É por aí. Só dois partidos têm candidato definido para o ano que vem, que são o PT e o partido da governadora. Os outros, o PMDB pode ir de Rigotto ou Fogaça. O meu partido não definiu se vai ter candidato, o PCdoB, o PDT.

A Nova Corja -E essas ameaças do Eliseu Padilha, de que tem gente que assinou o requerimento e está envolvido na Operação Solidária?

Cassiá Carpes - Isso me parece mais uma jogada política do Padilha para se defender dos inimigos dele do litoral do Estado, para garantir candidaturas em 2010.

Tem dó, assiste a reprise da entrevista desgovernada

20:41 | 19/04/09 | Rodrigo Alvares

Quase fiquei com pena da desgovernadora Yeda Crusius (PSDB) ao ler o texto de Rosane de Oliveira, na Zero Hora de hoje, sobre tudo o que tem dado errado para Yeda desde o início de 2009.

Sorte que a TVE vai reprisar daqui a pouco a entrevista que ela concedeu ao programa Frente a frente.

Na solidão do poder

Quem convive com a governadora Yeda Crusius ficou com a impressão, nos últimos dias, de que ela nunca esteve tão só. Amargurada, queixa-se da equipe, reclama dos aliados que não defendem o governo, repete que a mídia está contra ela e que o vice Paulo Feijó conspira dia e noite, suspeita de um complô comandado pelo ministro Tarso Genro.”

O resto do texto é uma lista de infelicidades que a desgovernadora passou nos últimos meses. Que dó:

1) A saída do secretário da Fazenda, Aod Cunha;

2) Uma crise que, por muito pouco, não resultou na demissão da secretária Mariza Abreu;

3) O anúncio, contra a vontade da maioria dos secretários, da disposição de comprar um avião novo;

4) Gritedo com o primeiro-damo Carlos Crusius no auditório da Procergs lotado de funcionários;

5) Extinção do Conselho de Comunicação por ele presidido;

6) Expôs o rompimento da relação com o ex-marido;

7) Cobrada a dar explicações sobre uma viagem sem foco pelo país;

8) A morte do ex-assessor Marcelo Cavalcante – e até hoje não se sabe se foi suicídio ou homicídio;

9) As denúncias da deputada Luciana Genro (PSOL) e do vereador Pedro Ruas;

10) Até a nomeação da procuradora Simone Mariano da Rocha, feita dentro das regras do jogo, virou crise;

11) Alvo de críticas por viajar ao Exterior sem transmitir o cargo para o vice;

12) Denúncias contra o secretário da Irrigação, Rogério Porto, investigado na Operação Solidária;

13) Citação de sua assessora Walna Vilarins Meneses no mesmo inquérito;

14) Seu amigo e ex-secretário Delson Martini é investigado e não simples testemunha no processo da Operação Rodin.

Lula é só alegria e filosofia

7:54 | 03/04/09 | Rodrigo Alvares

Quanta alegria na entrevista coletiva do presidente Lula, ontem. Até piada com a falta de educação dos chineses ele fez. Depois de marcar para as 18h, chegou à embaixada, resolveu tomar um banho e apareceu depois das 19h30 para colecionar risadas por causa de Obama e tentar jogar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para a conversa tendo em vista sumir da elegante casa na esquina da rua Green com a Dunraven.

EXCLUSIVO: @novacorja entrevista @yedacrusius

10:29 | 05/03/09 | Leandro Demori

No início desta semana, A Nova Corja foi surpreendida pela descoberta do twitter de Yeda Crusius, governadora do centro da terra Rio Grande do Sul. Inicialmente pensamos que Yeda, assim como Obama, havia resolvido entrar para a era da democracia digital. Depois, bateu aquela dúvida: “seria esta @yedacrusius mais um @vitorfasano em nossas vidas?”.

Após um trabalho intenso de xornalismu investchigatchivu, conseguimos um e-mail misterioso e uma entrevista exclusiva.

Leia.

Reflita.

Responda.

O twitter é fake ou estamos falando com a Rainha em pessoa?

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@novacorja - Laquê, buquê, pavê, dossiê ou Maitê?
@yedacrusius - Tem que escolher um? Então laquê, que é uma coisa de que não prescindo. Buquê envolve romantismo e não estou disponível para isso, meu casamento agora é com o povo gaúcho. Pavê é uma coisa muito doce, estou tentando evitar. E tu sabes que dossiê, em política, é uma palavra muito feia, utilizada somente por oportunistas com intenções escusas. Se estão fazendo essa bagunça sem prova nenhuma, então imagina o que não fariam se tivessem material para montar um dossiê. Quanto à Maitê, adoro a Maitê Proença, mas as denúncias não me deixam tempo nem para governar, quanto mais para assistir televisão! Atualmente, aproveito todo o meu tempo livre no Twitter, o que não deixa de ser uma forma de trabalho. Aliás, peço a todos os que lerem essa matéria que me procurem no Twitter, meu usuário é @yedacrusius. Estou adicionando todas as pessoas que me seguem, para poder ter acesso ao que dizem e ouvir diretamente as sugestões dos gaúchos.

@novacorja - Explique o “novo jeito de governar” utilizando só frases conexas e com sentido (a senhora pode pular essa)
@yedacrusius - Não entendi tua ironia, Demori. Acusar uma governadora de não fazer sentido é um ato grave, porque fui escolhida e estou sendo aprovada pelo povo gaúcho. Isso pressupõe ser compreendida, que é o que acontece; se tu não entendes o que eu digo, ou tu tens um problema de interpretação ou estás acusando todos os gaúchos de serem uns lunáticos. Se eu já não tivesse me comprometido a te conceder essa entrevista, pararia por aqui, porque também não tenho tempo para ser insultada. Então vou ser curta e grossa, como diz o povo da fronteira. O novo jeito de governar é coragem para fazer o que nunca foi feito. Isso inclui a coragem para tomar medidas impopulares. Mas no futuro vão reconhecer meus esforços, é no futuro que o Déficit Zero e os Programas Estruturantes vão ter seus resultados mais visíveis, pois acabamos com um ciclo de décadas de dívidas e falta de investimentos.

@novacorja - Seu ex-marido Carlos Crusius tinha barba. Paulo Sant´Ana tem barba. E Lya Luft, gillette?
@yedacrusius - Vale lembrar que o homem forte da minha administração, que foi quem possibilitou nossa maior conquista que é o Déficit Zero, não tinha um só pelo facial que não fosse sobrancelha. 

@novacorja - Luciana Genro, Pedro Ruas e Roberto Robaína são como Simony, Jairzinho e Tob? Quem seria o Mike, Heloísa Helena?
@yedacrusius - Lembra quando os Beatles disseram ser mais famosos que Deus? Então, acredito que esse povo quer ser mais real do que o rei, acredita que pode acusar sem provas e que os gaúchos vão aceitar um despropósito desses. Então eu diria que a Heloísa Helena é o John Lennon, porque o PSOL não existe sem ela; a Luciana Genro é o McCartney tentando dividir os holofotes; o Pedro Ruas é o George Harrison e o Robaina é o Ringo, pois para conhecer o rosto dele, só se esforçando muito.

@novacorja - Defina a expressão “bêbados de porta de bar” utilizando só frases conexas e com sentido (a senhora pode pular essa também)
@yedacrusius - Na mesma linha da resposta anterior: você já viu briga de bêbado? Bêbado é brigão, acredita que pode tudo, acredita em tudo que ouve e qualquer coisa é motivo pra se esquentar. E quando os donos do bar precisam expulsar o bêbado pra rua, é porque ele já aprontou demais. Acho que me fiz clara aqui. O bêbado de porta de bar é o pior, pois não consegue nem se comportar o suficiente para conviver com os demais frequentadores do lugar. Eu aprendi a não ser assim, a não me rebaixar. Represento o povo gaúcho e acredito que discutir com bêbados de porta de bar seria indigno da minha parte, seria macular essa função tão importante que exerço.

@novacorja - A senhora disse que as denúncias do PSOL são requentadas. Quem tem pressa come cru? O cru de quem?
@yedacrusius - Comer cru é uma questão de gosto pessoal.  Churrasco, por exemplo, uma iguaria que nos define. Tem quem goste da parte de fora, com o gosto do fogo. Mas tem quem prefira mal passado, também. O mais importante é: tu já viu um gaúcho comer churrasco requentado? Não, ou tu faz as coisas na hora certa, ou pega os restos e faz um carreteiro. Acho que nesse caso a carne acabou e os restos já estavam separados para os cachorros. O PSOL age como se a situação não tivesse sido resolvida já, as contas aprovadas; vai lá, pega o osso e tenta fazer uma sopa. Mas eu acredito na inteligência do gaúcho, eu sei que somos um povo inteligente que não engole qualquer coisa. Quanto à pressa, é importante ressaltar que tudo tem seu tempo. Se eu tivesse pressa, não teria conseguido organizar as contas do Estado. Foram necessários dois anos de sacrifício para que chegássemos ao Déficit Zero e ao um bilhão de reais que temos em caixa para investir.

@novacorja - A senhora disse que as mesmas denúncias são típicas de uma “direita golpista e uma esquerda pseudo-revolucionária”. Seria algo como Sandy & Jr., ela tentando fazer jazz americano e ele querendo dar uma de pseudo-rebelde do rock?
@yedacrusius - Gostei dessa tua metáfora, Demori. Sandy & Jr são os exemplos máximos dos sucessos mirins. E isso de extremismo, de necessitar pegar uma posição, agarrar-se a ela e recusar o diálogo, são coisas de adolescentes. Espero que um dia a extrema direita golpista e a esquerda pseudo-revolucionária cresçam e me deixem fazer o meu trabalho, trabalho para o qual os gaúchos escolheram meu nome porque acreditaram que tenho um ideal, um time, a competência e a vontade de fazer. Todos podem crescer, tanto é que até Sandy & Jr amadureceram. A Sandy até casada já está.

@novacorja - O que é imortal, não morre no final?
@yedacrusius - Taí uma questão interessante. O que é imortal pode morrer no final, sim. Tu já leste O Senhor dos Anéis, Demori? Deverias, é uma obra maravilhosa, cheia de coragem e fantasia, sobre como é necessário seguir em frente mesmo quando estamos sozinhos frente a um mal muito grande. Bem, no Senhor dos Anéis há um povo que eu gosto muito, os elfos, que são teoricamente imortais mas que podem perecer somente se forem atacados, assassinados. Então acredito que imortal somente o Grêmio, pois nunca nos matarão!

@novacorja - Fernando Collor sofreu um impeachment, voltou à política eleito como senador e hoje assumiu uma importante comissão em Brasília. A senhora gosta de Brasília? 
@yedacrusius - Já gostei muito de Brasília. Mas hoje prefiro o Celta, que é produzido aqui, com mão-de-obra e inteligência local.

@novacorja - Collor, ao vencer Ideli Salvatti (PT), disse muito respeitosamente que a senadora “cisca pra dentro”. Collor demonstra bom conhecimento avícola?
@yedacrusius - Isso eu não posso te afirmar, mas certamente ele não entende tanto de aves quanto os produtores daqui. Temos a Avipal, a Frangosul, grandes companhias que investem no setor e são reconhecidas internacionalmente. Collor é reconhecido principalmente por ter roubado dinheiro dos brasileiros. Um administrador sério e competente faz como eu: trata o dinheiro como se fosse seu, como se fosse o orçamento da sua casa (a minha, por sinal, está limpa, perguntem ao Ministério Público, ao Renner, que descartou todas as denúncias contra mim). Eu tive a coragem de pegar o dinheiro dos gaúchos e executar somente o que tínhamos em caixa para pagar. Hoje as contas estão todas corretas. Podemos dizer que o RS saiu do SPC/SERASA, perdeu o status de gastador irresponsável e ganhou até o direito de contrair novos empréstimos, como o do BID.

Até Lula sacou a imprensa (Versão externa)

12:05 | 08/01/09 | Rodrigo Alvares

Adorável a entrevista de Mário Sérgio Conti com o presidente Lula para a revista Piauí. Quem dera eles publicassem mais matérias com esse teor, porque grana para encarar problemas não falta.

“A imprensa brasileira tem um comportamento histórico em relação a mim, respondeu”. A grande mídia nunca lhe facilitou a vida, disse, e ele nunca se preocupou muito com isso ‘porque eu acredito na inteligência de quem assina uma revista ou um jornal, de quem vê televisão e escuta rádio’. Ou seja, aquelees que acompanham a política por meio da imprensa acabam por perceber o falso e o verdadeiro, o que é insinuação e o que é fato no noticiário. (…)

‘Hoje a informação é mais plural‘, disse. ‘Não tem mais apenas a informação de tal revista ou de tal jornal. Quando o cidadão pega um jornal de manhã, ele já viu aquela notícia na televisão, na noite anterior, já ouviu no rádio, já leu em vários blogs. Há 300 blogs com comentários diferentes, na internet. Você quer ler o que o Estadão vai dar amanhã? Está no site de hoje do Estadão. Então (meu), isso democratiza a imprensa, aumenta a capacidade do cidadão em interpretar o que lê.”

Entretanto:

“O presidente não lê blogs nem sites. Mais: não lê nem jornais nem revistas. E não é por falta de tempo. Simplesmente não quer ler. Por quê? ‘Porque eu tenho problema de azia’, respondeu“.

Sinceridade transtornada

18:06 | 01/12/08 | Rodrigo Alvares

Tirei uns dias de foLLga do blog e voltei hoje a colocar a leitura em dia. Claro que uma das primeiras coisas seria ler a entrevista da desgovernadora Yeda Crusius (PSDB) à Zero Hora. Uma das partes mais interessantes foi essa sequência da conversa:

ZH – A senhora já disse que no auge da crise gerada com a gravação da conversa entre o vice-governador Paulo Feijó o então Cézar Busatto procurou se aconselhar com algumas pessoas. A senhora tem um grupo de consultores?

Yeda – Tenho, e eu vou querer que eles sejam conhecidos em breve. Não são pessoas amigas minhas, são pessoas acima de qualquer dúvida e de segmentos distintos.

ZH – Será um conselho de notáveis?

Yeda – É, um conselho de notáveis.

ZH – Quem são?

Yeda – São 10. Eu ainda não pedi autorização deles para dizer publicamente, mas muito em breve vocês vão ser apresentados a eles. (…)

ZH – O ex-ministro Paulo Brossard é um deles?

Yeda – Sempre consulto o Dr. Brossard.

Nossa desgovernada, sempre sincera. Agora só falta dizer quem são os outros nove. Jogo que o nosso estimado ex-governador Antônio Britto (PP$) está entre eles, já que teve papel importante durante os dias em que Yeda foi acossada a responder pelas pilantragens que Cezar Bu$atto confessou ao vice-governador.

A Nova Corja entrevista Soninha - Terceira parte

16:17 | 22/11/08 | Rodrigo Alvares

A Nova Corja - Como foi o rompimento com o PT? O pessoal lá não fala muito bem de ti.

Soninha - Só faltava falar. Seria de uma falsidade inacreditável. Não foi um dia em que houve um rompimento com o PT. Desde o começo, eu sofri. Desde, literalmente, o primeiro dia de mandato, que foi o dia da eleição da Mesa Diretora.

A Nova Corja - E tu pertencia a alguma tendência?

Soninha - Não.

A Nova Corja - E isso não causou nenhum problema?

Soninha -Depende. Depende se você é uma menina comportada ou uma pentelha. Na verdade, desde antes de de tomar posse, eu já comecei a ficar desconfortável. Primeiro, eu tive um encontro com um vereador do PT aqui na casa, que falou “Deixa eu te apresentar nossos colegas, deixa eu falar deles para você. Sabe, fulano: OLha, Fulano é muito engraçado. É uma figura. Se você fechar com ele por R$ 100 mil, não adianta vir alguém oferecer R$ 200 mil para ele, porque ele tá fechado com você”. Eu achei aquela uma maneira muito curiosa de apresentar alguém como uma pessoa engraçada. Depois “Sabe aquele outro lá? Olha, aquele outro, pela religião dele, ele é bastante rigoroso. Mas se você pagar, ele libera até a liberação da maconha”.

A Nova Corja - Um jeito bem Severino de negociar.

Soninha - Assim, achando graça no que para mim era trágico. Como se fosse “Deixa eu te contar do folclore da Câmara”. E depois disso, no meu primeiro encontro formal, o líder da bancada me chamou e disse: “Olha, você vai tomar posse no ano que vem, a gente tá discutindo o Orçamento, Mesa Diretora, vem aqui participar das reuniões. Eu fui para uma reunião em que o PT estava assumindo um compromisso de apoiar um candidato do Centrão - constituído pelas mesmas pessoas que meu colega falou.

A Nova Corja entrevista Soninha - Segunda parte

17:36 | 21/11/08 | Rodrigo Alvares

A Nova Corja - Mas essa história (negociação de uma fusão entre PSDB e PPS) não ganha importância depois que o PPS e tu anunciaram apoio à candidatura do Kassab, tendo em mente 2010? Porque tu teve uma boa votação aqui, por exemplo.

Soninha - É, tive. Que o PPS seria oposição ao PT era óbvio. Se declararia apoio ao adversário do PT, seria menos óbvio. Mas era muito provável. Porque o PPS, na eleição de 2004, foi da aliança que elegeu Serra e Kassab. Então, na verdade, não quis deixar de ter candidatura própria, quis disputar a eleição este ano. Mas, estando fora da disputa, apoiou o partido com o qual já tinha a chapa. A posição mais clara do PPS em nível nacional em alguns cenários, é de oposição ao PT. Claro que, como em todo quadro partidário brasileiro, você vai ter várias situções em que o PT e o PPS estão de um lado e o PSDB do outro. Você tem em Belo Horizonte PT, PPS e PSDB na mesma coligação. Se tentar avaliar a inclinação de um partido pelos seus aliados, o único que se salva é o PSTU.

A Nova Corja - O PSTU?

Soninha - É o único que não tem aliados à direita. O PSOL tem aliança com o Democratas em uma eleição municipal no Amazonas. Não é modo de dizer, eu estou afirmando o fato. Então, o fato de o PPS ter migrado de um lado ao outro do Meridiano de Tordesilhas”, porque depois que teve o Ciro Gomes candidato à presidência, não tendo candidato no segundo turno, apoiou o Lula. Depois rompeu com o governo dele, depois de ter apoiado o PT em São Paulo e passou pro lado de oposição ao PT. Como esse mundo tá dividido assim, em duas metades de uma laranja, estar contra o PT é estar aliado ao PSDB e ao DEM. Agora, aferir daí um fusão faz tanto sentido quanto dizer que o PCdoB vai fazer parte do PT. Vai deixar de ser um partido à parte.

A Nova Corja - Em Porto Alegre, já davam como certa a negociação.

Soninha - Imagina. É uma conversa de pé, na porta de casa: “Ah, vamos conversar, um dia a gente vai ficar junto, hein: Mas tem que mudar o nome do partido”. E aí vira uma articulação nacional, é o fim da picada. É de um desrespeito com a base do partido absurdo. Se eles temem pelas suas próprias chances eleitorais, se estão insatisfeitos com o PPS e querem ir para o PSDB, saiam. Vão. Tem liberdade de associação. Claro, tem o risco de perder o mandato, mas, enfim, corra-se o risco.

A Nova Corja - E como o PPS avalia a gestão Serra; Kassab e o que espera do prefeito agora?

Soninha - Avalia que tem qualidades e defeitos. Qualidade na reengenharia das finanças, como agora mesmo, eu estava lá na Comissão de Administração Pública. Atribui-se muito, a Marta disse muito disso durante a campanha eleitoral, de que esse governo tem condições de fazer muito mais do que ela fez porque não pegou a casa arrumada e uma receita muito maior por causa do crescimento econômico. Ponto número um: a casa não estava arrumada. As dívidas decorrentes dos tais empenhos cancelados em 2004 eram de montante absurdo e que prejudicaram imediatamente a prestação de serviços essenciais.

A Nova Corja - E qual era o valor desses empenhos?

Soninha - (pega um polígrafo com os números da comissão) Aqui: Decreto 45.644 R$ 880 milhões. O que é um empenho cancelado: quando você tem um empenho para ser liquidado, é porque o serviço foi prestado e falta o pagamento, ou porque o contrato foi assinado com uma empresa de serviços contínua, como coleta de lixo.

A Nova Corja - Um tipo de calote.

Soninha - Um deles, sem ter sinônimo melhor. Então, tinha esse problema dos empenhos cancelados, que diziam respeito a alguns serviços essenciais, como poda, varrição, coleta de lixo, uma coisa absurda. E ainda tem os problemas dos precatórios decorrentes da gestão do Pitta e do Maluf. É uma herança que a gente continua pagando à medida que a Justiça vai dando ganho de causa às ações.

A Nova Corja - E como a prefeitura planeja resolver isso?

Soninha - Então, o que a prefeitura fez foi criar um Programa de Parcelamento Incentivado de dívidas para aumentar sua receita. Porque houve duas engenharias: para lidar com os credores e para aumentar a receita. O aumento foi muito maior que o crescimento econômico, isso é fato. Para aumentar a receita, criou o parcelamento incentivado, que é uma iniciativa velha. Entre não receber nunca uma dívida e receber em parcelas, com redução de juros de mora, criou o PPI, o Cadin (cadastro de devedores) para administrar melhor essa dívida. Foram várias medidas para receber dívidas que há muito tempo não vinham sendo pagas, para coibir a sonegação, vários modelos de engenharia que aumentaram a receita e que botaram o pagamento das dívidas do município razoavelmente nos trilhos.

A Nova Corja - E o lado ruim?

Soninha - Pelo lado ruim, o sistema de trânsito e transporte tem melhoras pontuais, mas estruturalmente evoluiu muito menos do que o necessário para a demanda que a gente tem.

A Nova Corja - Há quase um ano, eu vim aqui te entrevistar sobre o Projeto de Lei que implementa o pedágio urbano em São Paulo. O Kassab passou 2008 inteiro dizendo que “essa gestão não vai fazer isso”, mas acabou mandando o PL para cá pouco antes das eleições.

Soninha - Aquele era o Projeto de Política Municipal de Mudanças Climáticas, que prevê a possibilidadee de pedágio urbano, e com esse viés do controle da emissão de poluentes, do poluidor-pagador. Não é nem o pedágio urbano com o objetivo de aumentar a fluidez do tráfego. É de fazer o mais poluente pagar mais proporcionalmente. Mas o Kassab retirou o projeto e suprimiu esse artigo para apresentar de novo. Aí o vereador Carlos Apolinário (DEM) apresentou um projeto dele, prevendo a criação de pedágio urbano. Custa muito caro para o prefeito aprovar essa PL na Casa e sem respaldo popular, sem apoio de mídia.

A Nova Corja - Ele não teria poder político para isso depois de sair de um dígito nas pesquisas e ganhou a eleição. Isso não daria respaldo a ele?

Soninha - Não faz a menor diferença. Eu fui eleita com 50 mil votos e eu não tenho aqui mais poder de persuasão do que quem teve 14 mil votos. Depende da capacidade de fazer acordos e concessões. O prefeito, para fazer a Câmara aprovar uma medida tão impopular quanto o pedágio urbano, a Casa faria muitas exigências. Muitas exigências.

A Nova Corja - Que espécie de exigências?

Soninha - Compensações.

A Nova Corja - Aquelas compensações das quais tu falou na sabatina do Estadão.

Soninha - Eu falei de vários tipos de compensações. A pior delas é a de dinheiro, propriamente. Eu só me arrependo em um ponto. Pensando bem, eu nem sei se essa é a pior delas. Se a pior forma é você é você pagar em dinheiro pelo voto de um parlamentar. Porque se você atende a exigência de um parlamentar nomeando alguém inepto a um cargo público, esse é um prejuízo incalculável. Claro que é absolutamente errado, indesculpável, você pagar R$ 50 mil para um parlamentar votar de acordo com a vontade do Executivo. Agora, você nomear um coordenador de saúde incompetente, um subprefeito corrupto, um secretário inepto, e o custo disso? O impacto disso? Não só o financeiro, não é horrível?

A Nova Corja - E como está a tua relação com o pessoal ali dentro do plenário?

Soninha - Está apaziguada (pausa). Não teve mais nenhum desdobramento.

A Nova Corja - E como tu projeta o teu último mês aqui na Câmara?

Soninha - Ah, provavelmente menos produtiva do que eu gostaria. Mas isso não é só do último mês, é o mandato inteiro.

A Nova Corja - Que tipo de decepções?

Soninha - A decepção de ver que o seu esforço, a qualidade e a dedicação do seu trabalho não tem a menor relação de causa e conseqüência com a sua produvidade como legislador. Se você estuda profundamente uma questão para elaborar um projeto de lei, para fazer um parecer do projeto de um colega. Na prática o resultado não é muito diferente. Quantas vezes eu já não peguei um PL na Comissão de Constituição e Justiça e analisei, estudei, debati, perguntei e fiz um parecer contrário. Facilmente ele é derrubado por quem nem leu o projeto.

Por causa da cultura que existe na Casa que, a menos que haja uma situação declarada de conflito, um vereador não se oponha ao projeto de outro. Isso só acontece em duas circunstâncias: de um conflito mesmo - de bloco, de grupo ou pessoal - entre os vereadores, ou, em último caso, em uma votação em segunda no plenário e que fica acordado que o vereador pode manifestar voto contrário ao projeto do outro só porque já está garantida a aprovação do projeto.

A Nova Corja entrevista Soninha - Primeira parte

17:24 | 20/11/08 | Rodrigo Alvares

A vereadora de São Paulo Soninha Francine (PPS) é uma pessoa inteligente, sensível e apaixonada com tudo o que faz. Ela também tem a fama de ser honesta e imediata em suas declarações. O fato de ter dispendido quatro anos de sua vida na Câmara dos Vereadores de São Paulo não teria me causado nenhuma reação se ela mesma não confirmasse que quase tudo que fez foi em vão, o que a torna uma das únicas pessoas normais que já encontrei na política brasileira. Abaixo, a primeira parte da entrevista:

A Nova Corja - Como está sendo voltar para a TV depois de todos esses meses de campanha?

Soninha - Eu gosto. Às vezes, tenho vontade abrir mão de algumas coisas para ter uma vida mais tranqüila, para não estar sempre tão apressada e aflita. E várias vezes eu já me perguntei se não devia parar com a TV. Mas quando eu começo a fazer, aí eu não tenho a menor dúvida. Eu geralmente chego para fazer o programa mais derrubada do que eu saio. Depois de fazer um programa de uma hora e meia no ar, eu me sinto melhor do que na hora em que chego.

A Nova Corja - É isso que eu tenho notado. Costumo assistir ao Bate-Bola [programa da ESPN] e e é bem descontraído.

Soninha - É, A gente fica à vontade ali. Claro que tem um roteiro, uma direção, tem um editor, uma orientação. o ponto eletrônico. Mas a gente tem liberdade - dentro de um formato, lógico.

A Nova Corja - Sim, outro dia vi o Antero Greco e o…

Soninha - Amigão [o jornalista Paulo Soares].

A Nova Corja - E o Amigão no Sportscenter rindo por uns dois, três minutos.

Soninha - Só para completar: por ser futebol, por algo que me dá prazer, por ser onde é, porque a ESPN tem uma filosofia, tem uma ideologia - e pratica. Além disso, é muito bom não viver só nesse mundo aqui, de vereadores e assessores e secretários, chefes de gabinete, de partidários, de opositores. É muito bom ter contato constante, próximo com outras pessoas. Ter outras relações profissionais fora desse mundo aqui. Porque aí a gente não deixa de olhar a política por fora, também. Não deixa de enxergar os absurdos da política.

A Nova Corja - Como pela tela de plasma ali [na ante-sala do plenário há uma TV que transmite os discursos dos vereadores]?

Soninha - É, com os olhos de quem tá vivendo uma situação e não se vê representado na política. Porque às vezes parece que a gente tá tão fechado em si mesmo, que parece que a gente tá confabulando a discussão mais importante do mundo.

A Nova Corja - Sim, como agora há pouco. Eu estava ali dentro e veio um segurança, me perguntou com quem eu estava e respondi “Com a Soninha”, e ele disse que eu não podia devia ficar ali. Mas agora eu tenho uma pergunta muito importante para te fazer e que me persegue há meses. Quem vai ganhar o Campeonato Brasileiro: o Palmeiras ou o Grêmio?

Soninha - O Palmeiras não é. Se são essas as alternativas, ficou fácil.

A Nova Corja - Bah, mas eu escutei por meses que o Palmeiras seria o campeão.

Soninha - É, e tinha boas chances, não tinha? Tanto que, até a semana passada, estava no páreo.

A Nova Corja - Bom, mas aí veio o Grêmio aí e, bom, normal, né?

Soninha - Até que é. Melhor perder para o Grêmio do que levar três do Sport. O Grêmio ainda tá no páreo.

A Nova Corja - Mas aí, nessa questão, tu tem acompanhado a construção da Arena do Palmeiras, sabe se vai ter dinheiro do governo estadual?

Soninha - Não, o recurso é todo privado.

A Nova Corja - E, dentro disso, como é a tua relação com o Serra [PSDB/ governador de São Paulo e também torcedor do Palmeiras]? Vocês devem se encontrar no Parque Antártica. Chegam a conversar…

Soninha - Sobre a arena?

A Nova Corja - Não, sobre o Palmeiras em geral, política…

Soninha - Ah, sim [ri]. Sobre o Palmeiras em geral, em dia de jogo principalmente. Mas sobre política a gente não tem conversado muito.

A Nova Corja - É que agora tá rolando essa história do PPS meio que entrar no PSDB.

Soninha - Papo totalmente furado. Nascido lá mesmo, no Rio Grande do Sul.

A Nova Corja - É mesmo?

Soninha - O fato é que, provavelmente algumas pessoas no PPS - especialmente alguns parlamentares com mandato -, analisando os resultados dessa última eleição, preocupados com a perspectiva das próximas eleições, com a possibilidade de o PPS ter chapa forte - representativa ou não - começam a planejar o próprio futuro.

E imagino que, em virtude de ter havido uma aliança renovada nos últimos anos, que o PPS podia se juntar ao PSDB. Mas isso é uma opinião deles, tanto quanto eu tenho a opinião de que a gente precisa evoluir do modelo partido e pensar no outro. As pessoas poderiam se organizar em várias células simultâneas conforme a área de atuação. As pessoas têm direito a uma opinião. Agora, eu discordo profundamente de quem tem essa opinião. Porque uma coisa é você tentar se fortalecer e temer pela sua própria sobrevivência com representação parlamentar. Um partido pode continuar existindo sem representação parlamentar, mas digamos que fica muito frágil.

Então, eu entendo que as pessoas temam pela sobrevivência do partido, das bancadas e tal. Mas não faz muito mais sentido você, por exemplo, atrair setores descontentes do PSDB - com as inclinações centristas do PSDB - para aumentar um partido de esquerda, ou procurar o PSB, ou outro partido socialista. Agora, você levar o seu partido pequeno a um grande não vai te fortalecer, vai te diluir.

A Nova Corja - E quem do Rio Grande do Sul botou isso na pauta?

Soninha - O Nelson Proença.

A Nova Corja - Tu andou sabendo do que o PPS aprontou no RS?

Soninha - Não.

A Nova Corja - No caso da Yeda [Crusius (PSDB)], com a CPI do Detran, quando flagraram um integrante do PPS, Cezar Busatto…

Soninha - Ah, sim.

A Nova Corja - …que era secretário da Casa Civil. Isso pegou muito mal.

Soninha - Claro.

A Nova Corja - E a Yeda chama ele de exilado político.

Soninha - Chama ele do quê?

A Nova Corja - Chama de exilado político porque logo depois disso ele se bandeou para os Estados Unidos para cobrir as eleições americanas.

Soninha - Bom, mas uma vez alijado do governo, tendo renunciado ao cargo, que mais resta? Se tiver que ser respondido na Justiça, que seja, mas politicamente, o governo é dela, e ela é quem tem que segurar a onda. Tem que responder por isso.

A Nova Corja entrevista Soninha - Teaser

19:46 | 19/11/08 | Rodrigo Alvares

Foto: Rodrigo Alvares
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Não, não é a Soninha. Faz parte de uma exposição africana no hall da Casa

A cidade sob meus pés e a garoa fina contra as lentes dos óculos. É bom estar de volta às ruas, a caminho da Câmara de Vereadores de São Paulo para entrevistar Soninha Francine (PPS). Quando estou quase em frente ao local, liga a assessora da parlamentar para avisar que o encontro teria de ser adiado em uma hora por causa de uma reunião da Comissão de Finanças, ou algo assim.

Eram 13h35, e eu teria uma longa espera pela frente. Ficar no boteco da esquina e tomar umas cervejas estava fora de questão. O que me levou a outra dúvida: por que diabos eu perderia uma coisa dessas no epicentro da representação legislativa do Brasil? Fui parar na Comissão de Saúde e encontrei o novo colega do blog Jones Rossi por lá.

Graças ao tédio mortal, descemos até o plenário para ele falar com um vereador. Fiquei só no biriri, observando as entradas e saídas do lugar e, claro, a discussão sobre uma tal de CPI dos Parasitas da Saúde. Voltamos ao oitavo andar, mas quando chegou perto das 15h, retornei à entrada do plenário para me encontrar com a vereadora.

Mas ela não aparecia, e temi um desencontro - alguns parlamentares usam elevadores privativos para chegar ao salão. Ipod nos ouvidos, me fiz de louco e usei a entrada dos funcionários. Nada aconteceu. Eu estava dentro. Passei os olhos e não encontrei a ex-candidata à prefeitura da capital do Fumaquistão.

Cruzei o plenário e observei que os jornalistas ficavam em algum tipo de gaiola, sem contato com os vereadores caso eles queiram fazer isso. Fui para a ante-sala, onde rola o tradicional cafezinho e conversas ao pé do ouvido. Na tela de plasma, os parlamentares com os discursos de sempre.

Aquilo me encheu o saco e voltei para o centro da festa. Sentei em uma das cadeiras no fundão e finalmente avistei a vereadora, concentrada em alguma leitura. Decidi esperar ela terminar porque, tu sabe, poderia ser uma grosseria. O problema foi que um segurança também me avistou e veio discretamente até mim.

Perguntou se eu estava com alguém: “Claro, estou com a Soninha”. Óbvio que ele veio com a conversa de que eu não podia estar ali. Pedi permissão para avisar a vereadora e acabar com a sua leitura, mas não deu galho e voltamos à ante-sala, onde demos início à uma entrevista bem esclarecedora.

Amanhã, a primeira parte da conversa.

“A população quis isto que nós estamos fazendo”

13:12 | 23/10/08 | Leandro Demori

A desgovernadora do Bovinão Yeda Crusius deveria estar passando pelos estúdios da TV Estadão e alguém pensou vamulámeunêgo, ninguém vê vídeo sério na tenéti mesmo.

Assisti a tudo [lembrar de pedir danos morais]. Apesar de responder da forma ATACADA como é de praxe, Yoda foi mais cordata com o repórter fumaquistóide do que costuma ser com a imprensa bovina. Mas não conseguiu evitar o efeito tarja-preta e, lá pelas tantas, soltou um de seus principais bordões: se tu discordar dela é porque “não entendeu”. Essa frase mexe com meu EGO: gente, ela só pode ter cunhado a expressão PRA MIM, que nunca entendo NADA de NADA + NADA [lembrar de pedir mais dano moral].

Tudo o que estiver entre aspas é “sic” desgovernado. Com comentários meus:

00:30 - “Isso é o bom que a gente tem a dar como notícia do Rio Grande do Sul: quando nós assumimos as notícias eram ruins, elas continuaram ruins (…). [ainda demonstra alguma clareza de pensamentos]

01:00 - “Cortamos despesas irrisórias, cortamos despesa de custeio em 30%.” [Só com a demissão de mais da metade do secretariado desde o início do governo já deve ter dado uma boa POUPADA. Deu até pra dar um GÁIS nos vencimentos]

01:15 - Yoda diz que o Bovinão vai investir 1,250 bião com recursos próprios em 2009. Depois revela que o dinheiro (pobreza) corresponde a 7% do orçamento. Sra. Falência, abraça eu.

02:25 - “Pela primeira vez em 37 anos nós não precisamos pedir dinheiro emprestado.” Mmmm, é presente, é? Também quero.

03:10 - É um pezinho da “Ervinha do Demonho” aquela planta à direita do repórti?

03:15 - Repórti-âncora pergunta para Yoyo sobre o PSDB no Bovinão [nunca vi]. Não consegui prestar atenção depois de ele citar que os tucanos só tucanarão em 19 municípios em 2009 - entre 496 cidades.

04:10 - Repórti-âncora-careca insiste. Yoda explica: “o partido é muito pequeno lá”. “Praticamente um NANICO”, rebate o Sr. Âncora. N-A-N-I-C-O. Adoru.

04:20 - Pausa para AULA SOBRE O BOVINÃO by™ Prof. Yoda:

O PSDB é, historicamente, um partido que nasce aonde onde o PMDB é muito forte [oi, Simon. Padilha. Rigotto. Schirmer.].

05:00 - Yoda diz que o Bovinão é um estado SOCIAL DEMOCRATA e PARLAMENTARISTA. Calúnia. Bovinão = ESTADO DE GUERRA.

05:10 - “Fui eleita governadora pelo PSDB, o que mostra que a população quis isto que nós estamos fazendo“.

05:40 [respira] - “ISTO é o PSDB que o gaúcho e a gaúcha têm na cabeça: é aquele que identifica os problemas e consegue os resultados… políticos ainda não.” [demonstra mais uma vez consciência absoluta]

06:15 - Yoda explica a falência do Marchezan nas urnas. zz.zz…. arrfff….zzz.zz.. ronc…

10:00 - Ode yodística irrestrita ao Cel. Mendes, seu segurança particular. Prófi Yoda diz: “protestar pode, não pode BADERNA”. Sim, prófi, pode deixar que a gente vai se comportar. Mas na tenéti pode, né?

11:55 - Relembra com carinho nítido as falcatruas do Detran [arquivo da Corja especialmente recomendado pelo editor]. Yoyo resume de maneira primordial o universo bovino: É o “Tititi de corrupção”. Lembrar de fazer marchinha no carnaval.

12:30 - Lair Ferst.

13:50 - Frase da entrevista: “O conceito de transparência está no meu governo”. Aguardando transformação do CONCEITO em VIDA REAL, ok?

15:25 - “Transparência é, na verdade, o que nós fazemos, Lei da Responsabilidade Fiscal. Tá tudu nu portau [não vá, não tem nada lá], tá tudu nus órgãuns du governu [não achamos NADA de NADA + NADA].

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Polibio Adolfo Braga nos proce$$a II

14:08 | 02/07/08 | Walter Valdevino

Se tem uma coisa que a gente adora nessa tal de internet, é que tudo vira público. É a tal da “democracia digital”. Tem gente que parece ainda não ter entendido…

Vamos lá, então, à situação dos dois processos (por enquanto) abertos por Polibio Braga contra a minha pessoa. Os extratos abaixo foram retirados agora de manhã no Fórum Central da capital bovina:


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*********

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Para os entendidos em adevoguês, aquele “Conclusão ao Juíz” ali significa que não se pode ter acesso ao processo. Só “daqui a uns 2 dias ou 1 semana”, segundo a 18a Vara Cível nos informou. Também não se pode nem saber do que tratam especificamente os processos. Até tentei ligar para um tal de F. Kafka que me passaram o contato, mas ele não pôde fazer nada.

De qualquer forma, os extratos não trazem muito mais novidade em relação ao que postamos ontem. Foi pura desculpa para linkarmos a matéria do Portal Imprensa sobre o causo:

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A entrevista do Portal Imprensa com Polibio conseguimos através de nossos contatos com o PT:

“PI - O senhor está movendo um processo contra os blogueiros do Nova Corja?
PB - Não sei nada sobre isso.
PI - É que eles publicaram no blog a respeito disso.
PB - Ah, botaram?
PI - Qual é o motivo do processo?
PB - Eu não quero falar sobre isso.
PI - Mas senhor deu início a um processo….
PB - A vários processos, nas áreas civel e criminal.
PI - Qual é o crime?
PB - O crime é calúnia, injúria e difamação
PI - Foi por alguma coisa que eles publicaram certamente?
PB - Certamente. Tá tudo ali.
PI - Tem alguma coisa que diz respeito diretamente ao senhor?
PB - Ah, sim diretamente. Eu que to movendo o processo. São calúnias e difamações feitas a mim em nível penal que não considero crime de imprensa. Considero crime mesmo, crime comum. Tô processando eles de acordo com o código penal.
PI - O senhor está processando o Walter Valdevino, mas eu não encontrei nenhum post dele sobre o senhor…
PB - Ele é o responsável pela publicação.
PI - Não é o jornalista Rodrigo Alvares?
PB - Não, esse é o que assinou. Esse é fugitivo, eu não consigo encontrá-lo. Então, fiz uma pesquisa e identifiquei o reponsável pela publicação. Eu fiz uma pesquisa e vi que o provedor dele é nos Estados Unidos. Lá no provedor consta esse senhor como responsável.
PI - Eles alegam que instituições públicas colocam banners em blogs de colunistas gaúchos. Como funciona esse esquema?
PB - É igual a um jornal. Tem 200 anunciantes, né.
PI - Quanto tempo existe o seu blog?
PB - Há 10 anos. Mas não é blog, viu.
PI - Mas o domínio é blogspot…
PB - Esse é um blog.
PI - Mas o senhor tem um site . com.br. É o mesmo, não?
PB - É o mesmo.”

Por último, gostaria de expressar aqui os meus profundos e sinceros agradecimentos ao sr. Polibio Braga pelo aumento significativo de nossa audiência. Segunda-feira tivemos 1578 visitas únicas ao blog e 3284 page views. Ontem, terça-feira, subimos para 1731 visitas e 3505 page views.

Entrevista com Onyx Lorenzoni - Parte III e final

10:05 | 01/04/08 | A Nova Corja

Vamos nós à terceira e última parte da entrevista com o deputado federal e candidato a prefeito de Porto Alegre Onyx Lorenzoni (DEMO-RS). A primeira parte da entrevista está aqui e a segunda, aqui.

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“Aos talentosos e criativos da Nova Corja, um abra$$o do Onyx.”

(… continua)

Então o que é o sonho da Prefeitura de Porto Alegre? Primeiro, eu sou porto-alegrense. Nascido, criado e desmamado aqui. Nasci no Menino Deus, na frente do que era a antiga Ilhota, uma das maiores vilas populares que Porto Alegre já teve. Eu amo a minha cidade. Acho que ela, nas minhas quatro eleições, me deu apoios espetaculares. Acho que eu devo tentar devolver para a minha cidade o que ela me deu. Em 2004 quando eu fui colocado para disputar a eleição – que não estava no meu horizonte pessoal, foi um pedido que o Jorge Bornhausen me fez – eu comecei a estudar administração pública e me apaixonei. Sou apaixonado por administração de cidades. Acho que nas cidades tu ainda podes trazer o novo para o processo político, ou seja, tu podes trazer o novo no processo político, ou seja, novas relações políticas, balizar um novo comportamento na administração, usar a criatividade, ser inovador. Pode olhar para esse bairro [São Geraldo, onde está a sede do DEMO-RS] que muita gente diz “ah um bairro velho, antigo, sujo, escuro” e eu vejo aqui força. Já andei por mais de 20 capitais pelo mundo e vejo aqui um potencial pra se transformar num dos maiores centros de lazer, serviço e moradia da região metropolitana de Porto Alegre. Me bota naquela cadeirinha lá [Prefeitura] pra ver se eu não transformo esse bairro.

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“O Fogaça se perdeu por não ter um projeto para a Prefeitura da cidade.”

Por que a gente vai em Shangai e fica extasiado? Por que a gente vai em Hong Kong e fica deslumbrado? Por que se vai a Dubai, Lisboa, e se fica encantado e bate foto enlouquecidamente? Por que lá se deu espaço para que a criatividade dos arquitetos e urbanistas se expressasse. Onde é que Porto Alegre, nos últimos 30 anos, dá espaço para que arquitetos e urbanistas se expressassem? Simples.

Walter: Qual a avaliação que o senhor faz da atual gestão do prefeito Fogaça?

(more…)

Entrevista com Onyx Lorenzoni - Parte II

14:58 | 26/03/08 | A Nova Corja

Na segunda parte da entrevista (a primeira está aqui), o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEMO-RS) continua falando sobre as mudanças em seu partido, se declara fã da Nova Corja e faz uma revelação inédita sobre os bastidores da formação de alianças na campanha eleitoral de 2006 (clique no “Continue lendo…” abaixo).

Na seqüência da entrevista, a ser publicada nos próximos dias, Onyx fala de sua candidatura a prefeito de Porto Alegre.

(… continua)

O PSDB está na fila e, na eventualidade, do Democratas sair, o PSDB entraria. O que aconteceu? Começou, a partir de 2002, quando o Jorge assumiu a presidência do partido, a possibilidade de fazer uma refundação do PFL. Em 2003, quando fui eleito deputado federal e comecei a participar ativamente da vida política em Brasília - até porque eu entrei no PFL pela mão do Jorge, em 1997 - o Jorge nos falava que nós tínhamos que reformar o partido, reconstruir as bases do partido e que a saída da Internacional Liberal e a ida para a Internacional Democracia de Centro junto com o PP espanhol, a CDU alemã e o Partido Conservador britânico não poderia ser apenas uma mera troca, tinha que ser dentro do projeto de refundação. Então nomearam uma comissão que trabalhou nos anos de 2003, 2004 e 2005, composta pelo Gustavo Krause, César Maia, o próprio Gilberto Kassab, o Everardo Maciel, o Paulo de Castro…. Tinha gente do partido e gente contratada que fizeram todo esse reestudo. Então o partido se transformava de perfil liberal para centro-reformista - o centro como campo político na mesma linha da CDU e o do PP espanhol - um centro que propõe um Estado que seja eficiente, que seja suficiente, mas que não pese no ombro das pessoas, um Estado que acredite mais na sociedade e menos no Estado, mas sem chegar naquela coisa do Estado mínimo.

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“Vocês, por exemplo, têm um trabalho extraordinário (…) sou fanzoca.”

Em 2005, no Rio, nós fizemos um congresso (e o Aznar veio), no qual foi apresentado o ideário do partido, o reposicionamento, um programa, que foi aprovado em 2005. Em 2006, nós aprovamos os estatutos novos e em 2007 foi a troca de nome. Então foi um processo que demorou quase 4 anos. E no meio desse processo, o que o Jorge fez? Foi uma coisa visionária do Jorge: o Brasil carece de um partido centro-reformista. O PT chegou ao poder guinando para o centro, o PSDB hoje é uma coisa que ninguém sabe direito o que é, o PMDB é uma federação partidária, o PP inexiste como forma ideológica no país, o PTB tá uma geléia geral. Onde tem um partido aí que possa apontar um rumo para o Brasil? Nós estamos achando que pode ser a gente. Com toda a humildade do mundo, mas sabendo que tem um espaço para nós construirmos. Então o partido, que historicamente nos 20 anos do PFL foi um partido de base de comando senatorial… o Jorge fez uma ruptura. Além de pular uma geração, do Agripino, do Aleluia, ele veio para uma geração mais jovem: Rodrigo Maia, Efraim [Morais], ACM Neto, eu - que não sou tão etariamente jovem, mas sou do grupo mais novo do PFL, estou no 5.0, não dá para falar que sou jovem -, mas com um jeito de fazer política diferente, que é o nosso jeito daqui, que é diferente sem dúvida nenhuma. Então o poder trocou de lugar e foi do Senado para a Câmara. A Câmara é mais efervescente, tem mais permeabilidade na sociedade, responde mais rapidamente ao debate político. Então teve um reposicionamento programático, um reposicionamento ideológico e uma troca geracional. Muitas pessoas nos acusavam: “o PFL só trocou de nome.” Não é verdade. Trocamos de nome, de prática, de cara. Eu fui, em 20 anos, o primeiro líder de São Paulo para baixo, isso não é pouco.

Träsel: Então a saída do ACM foi uma coincidência?

Onyx: Uma coincidência.

Leandro: Mas ele não gostava da idéia de mudar, como um tradicional…

Onyx: É, ele achava que não estava bem, mas como ele tinha o [ACM] Neto, com a perda do Luís Eduardo, ele dava uma vacilada entre manter, que não estava servindo mais, e o Neto. Então o Neto cumpriu um papel importante de atenuar isso. A Bahia estava muito dividida e quando o Jorge montou o quebra-cabeça no período de transição no ano passado, ele deu poder para o grupo que era antagônico dentro da Bahia ao ACM.

Träsel: Vocês não pensaram que o apelido “DEMO” poderia gerar brincadeiras, piadas com esse apelido?

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“Tenho muito respeito pelo trabalho de vocês. E se tiverem que me malhar vão me malhar.”

Onyx: Essa foi uma discussão de como seria nossa sigla, nosso diminutivo, e acabou em DEM. Eu fui voto vencido, não gostei do tal do DEM. Gosto de “Democratas”, mas não gosto da sigla DEM. E eu disse: isso vai acabar em DEMO ligeirinho. Então a gente brinca: “nós somos os capetinhas contra o PT, contra Lula”, então a gente leva na gozação, fazer o quê… Não é o estereótipo que vai nos balizar. Mas nós estamos trabalhando para construir, já pedimos o registro e está na mão do STE para ter uma outra conformação com o diminutivo.

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