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Poesia precisa de tradução

20:36 | 26/11/08 | Rodrigo Alvares

Bem que o Walter me alertou, mas foi impossível escapar da entrevista do prefeito reeleito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), ao Jornal Já sobre o Pontal do Estaleiro. Abaixo, alguns trechos do que os bovinenses vão aturar pelos próximos quatro anos não apenas sobre esse assunto, mas que mostra a disposição esfuziante do Poeta para qualquer coisa:

Fogaça: ‘Sobre o Pontal eu não posso e não quero responder’

Já - Esse projeto tramita há bastante tempo a Secretaria Municipal de Planejamento. Em 2006, foi avaliado pela Comissão de Análise Urbanística e Gerenciamento, formada por todas as secretarias do município. Também foi alvo um estudo prévio de viabilidade urbana. No entanto ele não foi encaminhado pelo Executivo. Por quê?

Fogaça - Porque eu precisava de uma audiência à população e à comunidade, uma vez que isso mexe com valores que são históricos na vida da cidade. Eu inclusive disse aos mentores do projeto que eles precisavam formar massa crítica. Ou seja, fazer a população conhecer, debater e se manifestar a respeito dessa idéia. Não poderia ser algo assim, partindo de uma empresa e o poder público, simplesmente por uma opção técnica toma uma decisão. Precisava - e precisa - de uma ampla manifestação da cidade a esse respeito.

Tradução: “Ou seja, estou aqui há quatro anos, enrolei vocês para ficar mais quatro e ainda não sei como convocar nossa população politizada para tratar de um assunto que, no fim das contas, uma construtora vai decidir o que fazer”.

Já - Mas o senhor sabia que apresentar esse tipo de projeto é competência do Executivo?

Fogaça - Evidente que sabia! Tanto que pedi ao Secretario de Planejamento que fosse à Comissão na Câmara e dizer que eu, Prefeito, precisava de muito espaço e tempo porque precisava ouvir muito a comunidade. Isso está registrado. (…)

Tradução: “Que saudades do Bu$atto”.

Já - O senhor disse que em 2006 não encaminhou o projeto por falta de tempo para análise. Agora o senhor acredita conseguirá ouvir todos os lados?

Fogaça - É difícil dizer, muito difícil. Realmente o tempo não é suficiente para uma ampla e consistente formação de lastro de opinião. É óbvio, não é preciso dizer isso com muita ênfase.

Tradução: “Eu vou ter oito anos para não conseguir decidir o que fazer sobre o Estaleiro. Imagine para governar essa cidade”.

Já - Uma audiência pública está nos seus planos?

Fogaça - É uma avaliação que tenho que fazer para tomar essa decisão. Mas não quero emitir opinião agora. Eu ainda não assumi nem decidi nada. E só depois de ter comunicado aos vereadores, vou falar com a imprensa.

Tradução: “Que saudades do Bu$atto”.

Já - Depois da decisão do Legislativo – e se for o caso, com a sanção da Prefeitura – o terreno de propriedade da BM Par Empreendimentos será muito valorizado. A ação do poder público vai beneficiar economicamente um empreendedor privado. Qual sua opinião sobre isso?

Fogaça - Posso falar sobre isso em tese e sobre outras situações. Sempre que uma empresa tem um projeto aprovado, quando vai desenvolver precisa fazer compensações à cidade. Ou seja, adotar uma série de medidas e empreendimentos voltados principalmente para obras públicas de infraestrutura: sistema viário, saneamento, projetos sócio-habitacionais. Isso – em tese – vale para várias situações que a Prefeitura adotou.

Tradução: “Não tá ligada na supersecretaria da Copa de 2014? Vou deixar muitas teses e retóricas de legado para Porto Alegre”.

Já - O senhor quer dizer que os benefícios públicos realizados pelo empreendedor justificariam a valorização de seu patrimônio?

Fogaça - Não foi isso que eu disse. Não respondi a respeito do Pontal, mas sobre várias outras situações. Quando um construtor gera valor imobiliário para determinada região, ele gera também conseqüências – mais gente circula, utiliza redes de águia e esgotos, precisa ter creches, escolas… Sobrecarrega. Logo, ele tem que produzir uma compensação equivalente à repercussão e conseqüências que ele produz.

Tradução: “É que eu…putz, cadê o Bu$atto quando eu preciso?”.

Já - O senhor pode dar um exemplo?

Fogaça - O Internacional acaba de ganhar da cidade uma doação, uma cessão de uso do estacionamento lateral. Em contrapartida, está cuidando de 150 crianças durante quatro horas por dia. É como se estivéssemos fundando uma escola no Beira Rio. E ainda paga um valor de 25 mil reais por mês para a cidade, para os fundos de investimento. Para tu ver que toda a vez que algo é valorizado, existe uma compensação. (…)

Tradução: “Imagina o que não poderemos fazer se outras empresas pagarem essa fortuna para a cidade, em troca de um terreno enorme”.

Já - Entre esses critérios estão os problemas ambientais e legais levantados pelo Fórum de Entidades?

Fogaça - Mas tu vai fazer um cerco a respeito desse assunto do Pontal? Assim fica muito difícil te responder!

Tradução: Fósforo aceso…ssssss…

Já - Só estou tentando ser clara…

Fogaça - A clareza é a seguinte: eu não posso falar sobre esse assunto, gostaria de não ficar respondendo sobre questões laterais. É altamente delicado, seria inclusive um desrespeito à Câmara e aos vereadores. Depois que a minha decisão for tomada e anunciada ao presidente da Câmara Municipal é que vou me manifestar para a imprensa“.

Tradução: “CABUUUM”.