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Exotique

21:11 | 27/03/05 | Walter Valdevino

O Mario Sergio Conti, neste artigo pro no mínimo, faz provavelmente o melhor relato do tal do ano cultural França-Brasil, cujo título é “Brésil, Brésis”. Não se poderia esperar outra coisa de um evento desse tipo.

Primeiro, porque o espírito todo da coisa pega justamente um lado bem imbecil da França, que é aquele que ADOOORA coisas exóticas. Franceses comuns (claro, os não admiradores do Le Pen ou assemelhados) acham bastante interessante tudo que é exótico. Oriente, África (se for Argélia, então…), América Latina… tudo é ENVOLTO EM MISTÉRIO, cheio de florestas, de pessoas pobres que, apesar disso, lutam pelos seus direitos. Os intelectuais, pelo seu lado, também adoram. Escritores exóticos, antropologia em países exóticos… tudo muito sou-cosmopolita-francês-e-adoro-o-que-é-diferente. É bem distinto da visão americana sobre o que resto do mundo, que certamente é mais burra e politicamente direcionada, mas os franceses também conseguem ser muito irritantes.

Segundo fator da desgraça: pega justamente o que é mais imbecil do Brasil: esse orgulho idiota relacionado 1) a uma idéia de nação que simplesmente não existe; 2) ao nosso passado que não faz mais sentido nenhum pra praticamente ninguém (toda a coisa indígena); 3) à idéia de que a música brasileira presta; 4) à crença de que, apesar de toda a desgraça, algum dia dominaremos o mundo. Coloque a chinelagem geral no meio de tudo isso e temos o estrago.

Mera constatação, não poderia ser diferente. Se não fosse essa porcaria toda de praia, futebol, música, mulher pelada, o que mais teríamos para mostrar? Até tem muitas outras coisas interessantes e importantes, mas quem quer saber delas? Nem os próprios brasileiros, nem os franceses.

Por outro lado, também é imbecil ficar achando que a França, ou qualquer outro país melhorado, na média, é excepcionalmente melhor do que o Brasil. Também tem muito lixo na França. Franceses deveriam ser PROIBIDOS DE PRONUNCIAR a palavra “MÚSICA”, coisa da qual o Brasil também não está nada longe. Programas de auditório franceses rivalizam com os italianos no quesito IMBECILIDADE AGUDA. A diferença é que, apesar disso, eles conseguiram e conseguem ainda fazer algo relevante em áreas relevantes (ou seja, que não seja futebol, axé, samba, essas coisas).