O governo autômato vem aí
12:52 | 13/04/09 | Rodrigo AlvaresOs gaúchos receberam um belo presente de Páscoa neste feriado: a desgovernadora Yeda Crusius viajou de supetão para a Califórnia mesmo com o vice, Paulo Feijó (DEMO), fora do país - em Punta del Este.
Há quem acredite que Yeda ficou quatro dias entre a família e o telefone celular do Estado, como disse o secretário da Casa Civil, José Alberto Wenzel. Que bom para eles.
Espero que, diferente do caso do jatinho, a desgovernadora tenha dado um jeito de comprar um celular que não dure apenas para o resto do seu governo, mas para todos os gaúchos.
Estou decepcionado: Yeda continuou governando o Bovinão lá de San Francisco, mas não vi nada de fotos dela postando no Twitter sobre as façanhas dos últimos dias ou mesmo sua agenda oficial na Agência de Comunicação do governo.
Mais uma vez, a desgovernadora erra miseravelmente no timing político. Nada contra viajar para ver a família no feriado de Páscoa - até porque escolher alguém para a malhação de Judas virou uma tarefa ingrata no Bovinão -, sério mesmo.
Agora, não dá para confiar em uma pessoa que espera o vice voar para Punta del Este, sequer avisa seus secretários e não respeita o artigo da Constituição Bovina que prevê a transmissão do cargo tenha como principal preocupação usar as novas tecnologias para governar.
O problema nem seria passar o abacaxi para o presidente da Assembleia Legislativa, Ivar Pavan (PT). A menos que Yeda não saiba que os petistas passariam os quatro dias em uma plenária, discutindo o que fazer. Sem contar que a notícia da viagem vazou na sexta-feira à tarde.
Yeda quer ser Obama, mas tem uns probleminhas básicos. Uma viagem de ida e volta entre Porto Alegre e San Francisco pode consumir até um dia e meio. Todos sabemos que a desgovernadora precisa de remedinhos pesados para voar tranquila. Noves fora o tempo que dormiu e brincou com os netinhos, o secretário Wenzel jurou o seguinte à reportagem da Zero Hora:
“No caso do feriadão nos Estados Unidos, Wenzel falou com Yeda pelo menos quatro vezes. Um dos assuntos tratados foi a repercussão da viagem, que surpreendeu deputados e mesmo integrantes do governo. O contato direto, sem intermediação do ajudante-de-ordens, predominou.
‘Algumas vezes, mandei recado por e-mail, mas ela me chamava de volta pelo telefone‘ disse Wenzel.”
Era pelo Skype, celular ou telefone fixo, Wenzel? Sabe como é, tem tanta gente grampeada que alguém até pode se interessar pelas outras três ligações que Yeda fez para demonstrar que no Bovinão tem governo, sim.
Tecnológico e esquizofrênico, mas tem.
















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