Os últimos dias têm sido dignos de acreditar na existência de um Bizarro PT. Se não tratasse do PT, claro. Em que mundo estamos quando Ricardo Berzoini (presidente nacional da sigla) vem a público dizer que “Tarso Genro precisa lembrar que o PT gaúcho faz parte do Brasil”? Ele deve estar cheio de moral (José Dirrrceu) para essa pachorra toda.
Logo quando os petistas gaúchos começam a sair do autismo para decidir quem será o candidato ao governo do Bovinão em 2010, Berzoini vem falar que eles devem respeitar o estatuto partidário e esperar o PMDB para firmar um acordo nacional da política de alianças.
Mas não deixa de ser engraçado ver os petistas cometerem o mesmo erro em nível nacional que seus pares bovinos, anos atrás. Vão gerar uma discussão completamente desnecessária e desunir o partido mais uma vez.
Se é para ficar nas regra$ interna$ dos petistas, não lembro de Berzoini ter sido repreendido depois de contratar Os Aloprados que participaram da compra dos documentos que vinculariam tucanos à máfia dos sanguessugas, em plena sucessão de 2006. O então presidente do diretório bovino David Stival e companhia foram condenados na Justiça pelo mensalão, ao menos.
Ninguém se iluda que Berzô defende essa demência sem saber como funciona a dinâmica política no RS. Se o PT gaúcho não tivesse cometido tantas cagadas nos últimos dez anos - nem vou listá-las agora -, o gritedo dos aliados do ministro da Justiça contra as declarações de Berzoini até faria algum sentido.
Segundo a Zero Hora de hoje, “o secretário nacional de finanças do PT, Paulo Ferreira, disse ontem que o diretório nacional, em 8 de maio, deverá aprovar uma resolução para ressaltar a ‘primazia das questões nacionais’. O texto deverá deixar claro que as decisões nos Estados não devem obstruir o diálogo nacional com o PMDB.”
Que graça: o PT vai esperar pelo PMDB com sua pré-candidata à presidência em meio a um tratamento de quimioterapia. A única questão nacional que lembro do PT aplicar com sucesso foi o mensalão. Não sobrou para ninguém, mesmo. Nem para o diretório gaúcho.
Foto: Marcelo Oliveira/ Ag.RBS

“Que horas o Tarso, o Zé e a Yeda chegam, Olívio? Temos um acordo”
Óbvio que o mensalão lembra sempre uma pessoa em especial. José Dirceu postou no seu blog que admite participação nessa implosão do partido no Rio Grande do Sul:
“Por uma tática nacional em 2010
Evitei entrar na polêmica gaúcha até agora por considerá-la divergências naturais do PT local (…). Lá, há várias visões e táticas eleitorais para 2010: candidatura própria; aliança com o PMDB; um nome novo ou um já testado para disputar as eleições ao governo; a definição, já no mês que vem, da candidatura ao governo; e Tarso Genro como candidato. (..)
Daí eu não entender porque Tarso Genro exige desculpas do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, por ter se posicionado pelo adiamento da decisão no Estado, levando em conta a questão nacional das alianças para o palanque de nossa candidata, Dilma Rousseff. Berzoini externou uma posição tão legítima quanto a dos que defendem a definição já!
Nesse debate, quero repelir o uso da expressão “manobra” pelo ministro da Justiça ao se referir a uma provável participação minha nessa defesa do adiamento. (…) Melhor é enfrentar o debate sobre como o partido vai disputar as eleições sem os aliados de sempre, PSB e PC do B, já que estes podem apoiar um candidato do PMDB (e o PTB e o PDT também).
Se esse candidato peemedebista for o atual prefeito e Porto Alegre, José Fogaça, o vice-prefeito José Fortunati (ex-petista) assumirá a prefeitura e, inevitavelmente, será candidato a reeleição em 2012.
Restaria ao PT, então, fazer alianças com o PSOL e o PSTU. Outra questão a ser discutida é sobre quem deve ser o candidato. Um novo nome ou as lideranças que já foram testadas e estão consolidadas, como Olívio Dutra - que abriu mão - ou Tarso Genro?
É possível unificar o PT gaúcho, e mesmo com a candidatura Fogaça (apoiada por nossos ex-aliados) ter um palanque forte para Dilma, abrindo mão da candidatura ao Senado e a vice para outras correntes do partido que não a Mensagem ou a DS?”
Faltou Dirceu contar quando Yeda Crusius será apeada do Piratini, já que tem tanta certeza da eleição de Fogaça com o apoio do PT gaúcho. Vai ser hilário se a desgovernada cair depois do tal acordo nacional, em fevereiro de 2010, e o PSDB resolver apoiar Fogaça para o governo do estado.
E os petistas gaúchos ali parados, sabendo que foram castrados por José Dirceu.