22h03: como o tédio com debates está em níveis perigosamente tediosos, o Conselho Editorial do A Nova Corja decidiu fazer um iPod Blogging das discussões no Fumaquistão e em Porto Alegre. Pause, só se eu vir a Marta Suplicy (PT) subir no pescoço de Gilberto Kassab (DEMO). Na capital bovina, nossos agent…, ops, repórteres decidiram que fazer live blogging é uma completa perda de tempo - no que sempre concordei. Aliás, esse é uma boa chance para nossos leitores praticarem aquele tal “Jornalismo Cidadão” e comentarem os melhores momentos do embate no Bovinão.
Mas se não for o caso, tente o iPod e deixe o caminho livre para a associação livre. Pretendo ouvir o último do Beck, Modern Guilt, mas não sei o que posso tirar daí. Enquanto a discussão não começa, leia entrevista que concedemos à revista Void - ficou bem bacana, aliás. E não costumo elogiar nada. Abaixo, alguns trechos:
“ENFRENTANDO A CORJA
O Rio Grande do Sul é o tipo de lugar onde as pessoas vivem em uma realidade paralela, criada pelas próprias fantasias e alimentada, em grande parte do tempo, pela ignorância. Sabe aquele papo de que nos Pampas a coisa é diferente, de que nossos políticos não roubam, de que quase não somos brasileiros, ou de que o Humberto Gessinger é genial? (…) Leia e se mude para Salvador.
VOID: Quando o Nova Corja começou?
Walter: Começamos em 2004 para cobrir as eleições municipais daquele ano, de maneira independente. O Rodrigo Alvares começou sozinho, e depois eu entrei, e aí teve outras pessoas que entraram e saíram nesse meio tempo, Carlos Bencke, Gabriel Brust, Daniel Gallas… Mas todos já saíram. Tem uma hora que não se consegue dar conta, não ganhamos nada com o blog, fazemos por prazer mesmo. (…)
VOID: E como vocês avaliam a gestão do Fogaça?
Walter: Quem?
Leandro: Nunca vi ele, se cruzar com ele na rua eu não reconheço (risos).
Walter: Morto.”
22h08: tédio mortal pronto para começar. Os candidatos foram devidadmente apresentados por Chico Pinheiro. Pelo menos, ele não mandou o espectadores relaxarem pelas próximas horas, como aconteceu na Band. Evitem propaganda subliminar por causa da novela A Favorita, por favor.
22h14: ei, o G1 vai transmitir ao vivo os debates no Rio e em Belo Horizonte, mas continuo vendo a Patrícia Pillar na cama do Ary Fontoura. FOGE.
22h24: Chico Pinheiro diz que “tem certeza de que o debate será de alto nível”, mas pediu encarecidamente para as claques calarem a matraca pelas próximas horas.
22h27: ao que parece, Kassab vai demitir Kassabinho depois das eleições. Antes bulimia do que obesidade infantil. Pela expressão corporal, diria que Marta critica a gestão do demonista e tenta associá-lo a Celso Pitta.
22h30: Marta diz que “não tira as crianças do caminho, eu as coloco no CEU“.
22h34: o CEU é um instrumento de inserção social? Ainda bem que vou pro inferno.
22h37: como esperado, o tédio mortal. Será que no Bovinão já degolaram alguém?
22h42: ufa, terminou o primeiro bloco.
22h50: Marta continua a fustigar Kassab por sua associação com Pitta, mas não consegue responder quando é perguntada sobre os acusados pelo mensalão - era vice-presidente do partido à época. Como? Simples: o prefeito conhece o formato do debate e sabe que a petista não tem direito à resposta.
22h54: “Eu penso nas pessoas como gente“, diz Marta. Que alívio.
Foto: Adriana Franciosi

Enquanto isso, no Bovinão
22h59: o Blog da Rosane comparece, finalmente. “A uma pergunta de Maria do Rosário sobre os portais da cidade - que chamou de portais de baldeação - Fogaça acusou o PT de ser responsável pelo fato de o metrô nunca ter saído do papel o projeto do metrô. E disse que os portais da cidade foram premiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, com US$ 500 mil.
‘Se não é do PT, não presta’, disse Fogaça”. A apatia bovinense dos porto-alegrenses fica justificada quando passam a discutir a importância do Camelódromo Aéreo. É bem isso que a cidade precisa: mais comércio ilegal para financiar o banditismo desenfreado.
23h07: depois de passar os olhos no debate entre Gabeira e Paes, no Rio, só consigo perceber que o peemedebista consegue ser mais ensaboado do que o Verde quando responde a qualquer pergunta. Parada dura.
23h12: o terceiro bloco de perguntas em São Paulo volta com perguntas de tema livre. Segura firrrme.
23h16: alguém ligue para os assessores de Marta e avise que ela deve ler a regra do debate antes de tentar responder a Kassab quando ele sabe a última vez de falar.
23h20: continuo a esperar os famigerados “Vagabundo” e “Relaxa e goza”.
23h22: Marta pergunta para o espectador se ele recebe remédio em casa. Continuo a esperar meus tarja preta. Beijo, me liga.
23h24: “Pedágio urbano? Enviei o projeto à Câmara de Vereadores, mas não sei de nada”.
23h26: pedágio urbano ou não - e vai acontecer, não te ilude -, Kassab continua a fulminar Marta ao fim de cada bloco. Neste, sobrou até para o Delúbio, coitado.
23h30: lá vem o quarto bloco. Reza.
23h32: Kassab é amplamente melhor assessorado do que Marta, mesmo que invente um zilhão de dados. Chamem o Gilberto Carvalho de volta.
23h40: espero que a Globo tenha deixado o pessoal do CQC entrar no debate. Ver petistas descontrolados a bater num cara de quase 2m não tem preço.
23h43: o Bovinão debate (Blog da Rosane). “Parabéns à fonoaudióloga de Maria do Rosário. Em outros tempos, a esta altura do campeonato a candidata já teria perdido a voz. Rosário está aprendendo a usar melhor a voz e resistindo melhor do que em 2004, quando foi candidata a vice-prefeita.
Foto: Adriana Franciosi

“Quem, eu me preocupar?”
23h51: vai começar o último bloco e fim do martírio. Mas aí vai um puxadinho do G1:
“DE DENTRO DO ESTÚDIO
Os deputados federais petistas José Mentor e Paulo Teixeira lamentam que Gilberto Kassab (DEM) tenha citado o mensalão no momento em que Marta Suplicy não tinha direito a réplica. A torcida de Kassab comemorou com gestos positivos. (Roney Domingos/G1)”.
23h55: Marta se despede das testemunhas sem deixar de ressaltar a grana federal que vai entrar na cidade caso seja eleita. Muito sutil. Kassab segue no tédio e me lembra Geraldo Alckmin. Encerra-se o debate e boa sorte neste domingo na hora de votar. Tu vais precisar para os próximos quatro anos.