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Todo o universo é provinciano

3:11 | 04/07/09 | Rodrigo Alvares

Entendo os nervos à flor de pele por causa dos fracassos conjuntos do futebol gaúcho nesta semana. Jamais exaltarei o bovinismo - até porque saí daí por criticá-lo -, mas enquanto somos chamados de bairristas e provincianos pelo centro do país, essas coisas ainda acontecem. Será que dá para ser mais original?

Juiz paulista diz que RS deveria ter deixado o país (ZH)

Sorte dos gaúchos que os poderes do desembargador Paulo Octávio Baptista Pereira estarão restritos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. O presidente eleito da Corte, com sede em São Paulo, afirmou recentemente que melhor seria se o Rio Grande do Sul não fizesse parte do Brasil.

“Se não fosse a Revolução Farroupilha, ou se nós não fizéssemos uma oposição a ela, quem sabe nós teríamos nos livrado do Rio Grande do Sul. Assim, o Estado estaria hoje ao lado do Uruguai”, disse Baptista Pereira.

As declarações do desembargador foram divulgadas durante um julgamento realizado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo no dia 16 de junho. A Corte analisava o direito dos presos provisórios de votar. Para Baptista Pereira, os defensores da proposta estavam querendo oferecer o ‘direito aos piores da sociedade, aos que estão presos‘. (…)

A polêmica veio à tona porque as declarações e a gravação da sessão foram divulgadas por reportagem do site Consultor Jurídico, especializado em Direito e Justiça. Na Justiça gaúcha, o teor gerou indignação. O diretor de Comunicação da Associação dos Juízes (Ajuris), desembargador Túlio Martins, disse lamentar a ‘bobagem’ dita pelo colega:

‘Esse desembargador esqueceu que jurou a defesa da Constituição. Trata-se de um comentário preconceituoso, superficial e pouco inteligente.’

O presidente da OAB gaúcha, Claudio Lamachia, considerou ‘inadmissíveis e despropositadas’ as declarações. Para ele, Baptista Pereira ‘pecou na falta de equilíbrio e ponderação’:

‘Tivesse o ilustre magistrado separatista a oportunidade de ter compartilhado com o povo gaúcho, certamente não estaria hoje com sua eleição contestada judicialmente‘, disse Lamachia, em referência a uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que impediu a posse de Baptista Pereira na presidência do TRF.”

Não gosto de me ufanar, mas alguém precisa dizer a esse beócio que os gaúchos têm orgulho, sim, de fazer parte da federação. A menos que defender um estado fronteiriço com dois países não seja suficiente, aconselho o nobilíssimo a ir ao acampamento farroupilha, em setembro, trajando o uniforme da seleção argentina. Aí sim, vai saber o que é ser gaúcho e brasileiro - quer dizer, se a gauderiada deixar o infeliz sair de lá.

Oduj muito a mentalidade bovina, mas chega uma hora em que o vivente cansa de ouvir essas bobagens de separatismo e argentinismo. Pessoas morreram para defender as fronteiras e os gaúchos são estigmatizados por causa de uma guerra que durou dez anos, e não dez dias, como a “Revolução Constitucionalista”.

Está mais do que na hora de passar por cima desse provincianismo.

Policial é expulso por causa de desinfetante

8:40 | 06/02/09 | Jones Rossi

Cabo levou para casa o produto. Devolveu intacto, mas foi expulso quatro anos depois

Um desinfetante de 500 ml, que custa menos de R$ 2 em qualquer supermercado, fez o cabo Gildásio Silva dos Santos, de 36 anos, ser expulso da Polícia Militar. No dia 13 de fevereiro de 2004, quando  era do serviço de administração do 23º Batalhão da PM, Santos levou um frasco do desinfetante Pinho Brill, pertencente ao Estado, para casa. Foi denunciado por duas policiais militares e transferido para o 36º Batalhão. Depois de um processo de quatro anos, em julho passado Santos foi expulso pelo comando da Polícia Militar de São Paulo  “pelo cometimento de atos desonrosos, atentatórios à Instituição e incompatíveis com a função policial-militar”, conforme foi informado no Diário Oficial do Estado, do dia 25 de agosto de 2008*.

No primeiro interrogatório, o cabo Santos se declarou inocente e disse que o desinfetante foi dado a ele pelo ex-soldado temporário Kléber Ferreira. Mesmo tendo devolvido o produto intacto depois que a história veio à tona e ter sido considerado apto a continuar na Polícia pelo Conselho de Disciplina, que optou por uma “sanção não exclusória” , a PM não levou nada disso em conta.

“Houve uma remessa de material para a unidade e eu estava ajudando a descarregar. O desinfetante foi dado a título de doação, como já tinha acontecido antes e com objetos de valores até maiores. Eu peguei o produto, na frente de todo mundo, e levei para a administração. Nem estava precisando, tanto que depois devolvi sem uso”, contou Gildásio. Depois da denúncia das policiais, o comandante do Batalhão no qual Silva trabalhava pediu a devolução do produto e foi atendido no dia seguinte.

No Boletim Geral da Polícia Militar, publicado quatro dias após a portaria no Diário Oficial, o texto diz que “sua experiência profissional na Instituição não lhe permitia cometer erro tão banal”. Em 2004, Santos contabilizava cerca de 12 anos como policial. A Corregedoria também questionou o fato de Santos não ter questionado por que a “doação” estava lhe sendo feita e “como o produto havia chegado a suas mãos (do ex-soldado).” Para a Corregedoria, o cabo “agiu de má-fé” e “ludibriou” a administração militar. No boletim também consta a informação de que “houve a doação de alguns produtos aos policiais militares da sub-unidade a que pertencia o acusado”.

O baixo valor do produto não serviu como argumento. “Não importa se o valor do produto era ínfimo ou não”, diz o texto do processo, “o que está em discussão é a probidade, a legalidade, a moralidade e a honra policial-militar, valores estes que não têm preço”, continua. Por fim, foi definida a expulsão de Gildásio Silva dos Santos, por “incompatibilidade com a função policial-militar”, pelo “atentado contra a Instituição, que alcançou a seara da desonra” e “pelo acusado não ter justificado a transgressão disciplinar cometida.”

A advogada que defende Gildásio, Luciana Tales dos Santos, disse que o ex-cabo, que atualmente trabalha como segurança, deve entrar na Justiça para voltar ser reintegrado à PM. “Embora a gente respeite a decisão da Polícia, certos procedimentos constitucionais e outros que estão inclusive no Regulamento Disciplinar da Polícia Militar não foram adotados. Existem atenuantes que não foram levados em conta.”

Procurada pela reportagem para comentar o caso, a Polícia Militar informou que o cabo foi expulso por ter se comprovado “a prática de atos que contrariam os valores e deveres éticos para o exercício da profissão policial-militar.” Kléber, o temporário que deu o desinfetante para o cabo Gildásio, pediu demissão pouco tempo depois do inquérito da polícia.

GILDÁSIO FALA

- O que aconteceu no dia 13 de fevereiro de 2004?

Houve uma remessa de material para a unidade. Seria a título de doação, como aconteceu antes, algumas até de valor mais alto, como lâmpadas fluorescentes. O temporário Kléber (Ferreira) me deu um desinfetante. Peguei, levei até a administração e deixei lá, e depois levei para casa.

- Como o desaparecimento do desinfetante veio à tona?

Duas policiais me denunciaram. O Comandante me chamou quase um mês depois. Eu nem estava precisando. Devolvi o produto intacto, no dia seguinte depois dele me pedir.

- O que aconteceu depois?

Ele instaurou uma investigação preliminar e depois me transferiu para outra unidade. (Gildásio foi para o 36 Batalhão)

- O que você está fazendo agora?

Uns bicos como segurança.

- Quer voltar para a polícia?

Claro, com certeza. Quando eu comecei não existia SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), a PM fazia de tudo. Atendia parturientes, atropelamentos, mendigos. Meu interesse não é dinheiro. Quando entrei, a gente ganhava 10 salários mínimos, hoje ganha quatro.

*Matéria publicada em novembro de 2008 no Jornal da Tarde (SP)

Concur$o cultural fotográfico

22:14 | 03/02/09 | Jones Rossi

Banrisul

Just taking a a little nap, tchê

São Paulo é uma cidade de muitas belezas, várias delas simplesmente ignoradas pelo grande público. Rodrigo Alvares, CEO deste garboso blog, fez um click à la Sebastião Salgado da fachada da agência de um banco gaúcho na Avenida Paulista.

Mas, pouco sensibilizado com a causa social que urge em um país carente como o nosso, o segurança da referida instituição bancária não foi muito cordial com o lado artista de Alvares.

Sendo assim, a Nova Corja convoca os leitores paulistas (e quem porventura estiver por aqui de passagem) a fazer um click maroto da maravilha gaúcha incrustada no coração financeiro da capital paulista, tão cheia de maravilhas a serem descobertas. Mandem para a gente no e-mail de contato (está aí ao lado, na barra da direita). Teremos prazer em publicar. Mas lembrem-se  de pedir autorização ao $eguran$$a antes. Ele pode não gostar…

Feliz 2009, by Kassab

20:15 | 02/01/09 | Jones Rossi

Kassab 2009

Delta City

16:42 | 12/12/08 | Jones Rossi

Bairro da Luz

Parece Bagdá, mas é o bairro de Santa Ifigênia, São Paulo. Na Rua dos Gusmões, quase esquina com a Rua dos Protestantes, uma guerra parece ter se abatido sobre duas quadras inteiras. Resta em pé apenas o hotel Iberia, um edifício de três andares e 22 apartamentos que, após quatro décadas de funcionamento, foi interditado em novembro do ano passado pela subprefeitura da Sé, que alegou falta de segurança.

A população do hotel, que mesmo após a região ganhar a alcunha de Cracolândia ainda mantinha lotação quase total, hoje se resume a duas gatas malhadas que ficam na janela, em andares diferentes, contemplando um ou outro pedestre que passa por ali. Dos 58 imóveis que ficavam naquelas duas quadras, 56 foram desapropriados e demolidos pelo projeto de revitalização da Prefeitura iniciado em 2005, que rebatizou uma área de mais de dois milhões de metros quadrados como Nova Luz.

Estão previstas para funcionar no local a nova sede da Prodam (Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo) e, na quadra da frente, da Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo). Perto dali, também deveriam haver dois prédios da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). Por enquanto só escombros ocupam os terrenos. E das 23 empresas que se habilitaram para receber incentivo fiscal para se instalarem em 154.911 m2 da Nova Luz apenas uma agência de publicidade está funcionando.

Atraída pelos incentivos fiscais anunciados pela Prefeitura, que poderiam abater até 80% do que seria investido, a Fess’Kobi mudou-se para a Rua do Triunfo já em 2005. Hoje, três anos depois, não recebeu os esperados incentivos fiscais e não viu nenhuma outra empresa seguir seu exemplo.

Ainda estamos esperando que aconteça alguma coisa, mas já não estamos tão otimistas”, diz Celene Nolla Marrega, diretora administrativa da agência. A empolgação que tomou conta dos sócios e funcionários da agência há três anos foi substituída pela decepção com o projeto. “Depois que derrubaram e interditaram estacionamentos e o comércio que tinha aqui em frente ficou pior”, reclama.

Perto dali, de frente para os terrenos vazios, no final da Gusmões, fica um prédio da Guarda Civil Metropolitana, que abrigará um centro de monitoramento, onde são operadas as câmeras que vigiam o Centro da Cidade. Por enquanto, dois guardas da GCM limitam-se a imitar os vizinhos felinos e observar os passantes.

Na frente do Ibéria, José Carlos, que administrava o hotel com seu pai, e José Maria Espino Souto, espanhol radicado no Brasil há 52 anos, apontam para bares, bancas e postos de gasolina que existiam até um ano antes, mas que agora só eles conseguem enxergar. “Nestes quarteirões havia 150 pessoas trabalhando”, afirma José Carlos. Ele mesmo, com o fechamento do hotel, dispensou sete funcionários.

Sem a fonte de renda que o hotel lhe proporcionava, José Carlos acumulou dívidas e já está tendo dificuldades em pagar a faculdade dos filhos . Como não era o proprietário do prédio onde ficava o Ibéria, não recebeu indenização pela perda do ponto. Entrou na justiça, junto com outros comerciantes da região e ganhou em primeira instância. Mas o caminho para receber o dinheiro ainda é longo. Espino Souto, o espanhol que tinha um bar ao lado do Ibéria, vive apenas da aposentadoria. “O rendimento caiu a zero”, diz José Carlos. Clóvis, o dono do posto que ficava na esquina, também não se recuperou do fechamento de seu negócio. “Me tiraram daqui. Estou trabalhando de empregado. Minha vida mudou 1000%. Estou com o nome sujo.”

Francisco Molina, de 56 anos, é um dos poucos ex-empresários da região que não tem medo de se identificar com nome e sobrenome. A maioria teme a reação da Prefeitura. “A Prefeitura fechou meu estacionamento por que eu não tinha alvará. Mas fecharam 15 dias antes de vencer a requisição. Se eu era clandestino, que me devolvam os impostos que paguei por 14 anos.” Seu estacionamento foi fechado por alegado “interesse público”, e foi lacrado com uma parede de tijolos com um aviso da Subprefeitura da Sé, como tantos outros da região.

O Secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, prepara uma última cartada para agilizar o processo que se arrasta por todos estes anos. É o projeto de lei que prevê a concessão urbanística, que, se for aprovado na Câmara Municipal, vai dar a empresas o direito de desapropriar imóveis na região da Nova Luz. Segundo o secretário, mesmo que o proprietário não queira sair,  o resultado será positivo, pois as empresas que que ganharem a licitação para desapropriar poderão oferecer valores acima de mercado. “O governo não pode pagar acima”, disse. “Vai ser mais fácil chegar a um acordo.”

iPod Blogging - Debate Globo São Paulo

21:04 | 24/10/08 | Rodrigo Alvares

22h03: como o tédio com debates está em níveis perigosamente tediosos, o Conselho Editorial do A Nova Corja decidiu fazer um iPod Blogging das discussões no Fumaquistão e em Porto Alegre. Pause, só se eu vir a Marta Suplicy (PT) subir no pescoço de Gilberto Kassab (DEMO). Na capital bovina, nossos agent…, ops, repórteres decidiram que fazer live blogging é uma completa perda de tempo - no que sempre concordei. Aliás, esse é uma boa chance para nossos leitores praticarem aquele tal “Jornalismo Cidadão” e comentarem os melhores momentos do embate no Bovinão.

Mas se não for o caso, tente o iPod e deixe o caminho livre para a associação livre. Pretendo ouvir o último do Beck, Modern Guilt, mas não sei o que posso tirar daí. Enquanto a discussão não começa, leia entrevista que concedemos à revista Void - ficou bem bacana, aliás. E não costumo elogiar nada. Abaixo, alguns trechos:

ENFRENTANDO A CORJA

O Rio Grande do Sul é o tipo de lugar onde as pessoas vivem em uma realidade paralela, criada pelas próprias fantasias e alimentada, em grande parte do tempo, pela ignorância. Sabe aquele papo de que nos Pampas a coisa é diferente, de que nossos políticos não roubam, de que quase não somos brasileiros, ou de que o Humberto Gessinger é genial? (…) Leia e se mude para Salvador.

VOID: Quando o Nova Corja começou?

Walter:
Começamos em 2004 para cobrir as eleições municipais daquele ano, de maneira independente. O Rodrigo Alvares começou sozinho, e depois eu entrei, e aí teve outras pessoas que entraram e saíram nesse meio tempo, Carlos Bencke, Gabriel Brust, Daniel Gallas… Mas todos já saíram. Tem uma hora que não se consegue dar conta, não ganhamos nada com o blog, fazemos por prazer mesmo. (…)

VOID: E como vocês avaliam a gestão do Fogaça?

Walter: Quem?

Leandro: Nunca vi ele, se cruzar com ele na rua eu não reconheço (risos).

Walter: Morto.”

22h08: tédio mortal pronto para começar. Os candidatos foram devidadmente apresentados por Chico Pinheiro. Pelo menos, ele não mandou o espectadores relaxarem pelas próximas horas, como aconteceu na Band. Evitem propaganda subliminar por causa da novela A Favorita, por favor.

22h14:
ei, o G1 vai transmitir ao vivo os debates no Rio e em Belo Horizonte, mas continuo vendo a Patrícia Pillar na cama do Ary Fontoura. FOGE.

22h24: Chico Pinheiro diz que “tem certeza de que o debate será de alto nível”, mas pediu encarecidamente para as claques calarem a matraca pelas próximas horas.

22h27: ao que parece, Kassab vai demitir Kassabinho depois das eleições. Antes bulimia do que obesidade infantil. Pela expressão corporal, diria que Marta critica a gestão do demonista e tenta associá-lo a Celso Pitta.

22h30: Marta diz que “não tira as crianças do caminho, eu as coloco no CEU“.

22h34: o CEU é um instrumento de inserção social? Ainda bem que vou pro inferno.

22h37: como esperado, o tédio mortal. Será que no Bovinão já degolaram alguém?

22h42: ufa, terminou o primeiro bloco.

22h50: Marta continua a fustigar Kassab por sua associação com Pitta, mas não consegue responder quando é perguntada sobre os acusados pelo mensalão - era vice-presidente do partido à época. Como? Simples: o prefeito conhece o formato do debate e sabe que a petista não tem direito à resposta.

22h54:Eu penso nas pessoas como gente“, diz Marta. Que alívio.

Foto: Adriana Franciosi
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Enquanto isso, no Bovinão

22h59: o Blog da Rosane comparece, finalmente. “A uma pergunta de Maria do Rosário sobre os portais da cidade - que chamou de portais de baldeação - Fogaça acusou o PT de ser responsável pelo fato de o metrô nunca ter saído do papel o projeto do metrô. E disse que os portais da cidade foram premiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, com US$ 500 mil.

‘Se não é do PT, não presta’, disse Fogaça”. A apatia bovinense dos porto-alegrenses fica justificada quando passam a discutir a importância do Camelódromo Aéreo. É bem isso que a cidade precisa: mais comércio ilegal para financiar o banditismo desenfreado.

23h07: depois de passar os olhos no debate entre Gabeira e Paes, no Rio, só consigo perceber que o peemedebista consegue ser mais ensaboado do que o Verde quando responde a qualquer pergunta. Parada dura.

23h12: o terceiro bloco de perguntas em São Paulo volta com perguntas de tema livre. Segura firrrme.

23h16: alguém ligue para os assessores de Marta e avise que ela deve ler a regra do debate antes de tentar responder a Kassab quando ele sabe a última vez de falar.

23h20: continuo a esperar os famigerados “Vagabundo” e “Relaxa e goza”.

23h22: Marta pergunta para o espectador se ele recebe remédio em casa. Continuo a esperar meus tarja preta. Beijo, me liga.

23h24: “Pedágio urbano? Enviei o projeto à Câmara de Vereadores, mas não sei de nada”.

23h26: pedágio urbano ou não - e vai acontecer, não te ilude -, Kassab continua a fulminar Marta ao fim de cada bloco. Neste, sobrou até para o Delúbio, coitado.

23h30: lá vem o quarto bloco. Reza.

23h32: Kassab é amplamente melhor assessorado do que Marta, mesmo que invente um zilhão de dados. Chamem o Gilberto Carvalho de volta.

23h40: espero que a Globo tenha deixado o pessoal do CQC entrar no debate. Ver petistas descontrolados a bater num cara de quase 2m não tem preço.

23h43: o Bovinão debate (Blog da Rosane). “Parabéns à fonoaudióloga de Maria do Rosário. Em outros tempos, a esta altura do campeonato a candidata já teria perdido a voz. Rosário está aprendendo a usar melhor a voz e resistindo melhor do que em 2004, quando foi candidata a vice-prefeita.

Foto: Adriana Franciosi
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“Quem, eu me preocupar?”

23h51: vai começar o último bloco e fim do martírio. Mas aí vai um puxadinho do G1:

“DE DENTRO DO ESTÚDIO

Os deputados federais petistas José Mentor e Paulo Teixeira lamentam que Gilberto Kassab (DEM) tenha citado o mensalão no momento em que Marta Suplicy não tinha direito a réplica. A torcida de Kassab comemorou com gestos positivos. (Roney Domingos/G1)”.

23h55: Marta se despede das testemunhas sem deixar de ressaltar a grana federal que vai entrar na cidade caso seja eleita. Muito sutil. Kassab segue no tédio e me lembra Geraldo Alckmin. Encerra-se o debate e boa sorte neste domingo na hora de votar. Tu vais precisar para os próximos quatro anos.

Kassabinho quer viver

15:37 | 22/10/08 | Rodrigo Alvares

Abesórdo com o prefeito do Fumaquistóide, Gilberto Kassab (DEMO). Se for verdade, claro:

Alerta: estão tentando tirar nosso site do ar

Durante a campanha, hackers tentaram tirar nosso site do ar por diversas vezes. Mas a tensão de final de jogo instaurou-se de vez no campo de quem não quer nossa vitória e estamos em alerta total. Identificamos hoje uma série de tentativas seguidas de derrubar o site.

Já sabemos de onde vêm os ataques: das cidades de São Paulo, Brasília e Recife. Consideramos esse tipo de atitude uma baixaria. Estamos preparados para resistir esse tipo de ofensiva, mas é sempre bom alertar também o nosso leitor.”

Não consigo imaginar que tipo de pessoa tentaria derrubar o site do prefeito para nos privar do Kassabinho.

Puta mundo injusto, meu.


“Apologia à obesidade infantil? Não sei o que é isso”

Vai faltar pé para atirar

22:31 | 14/10/08 | Rodrigo Alvares

Reprodução
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Kassab quer derrubar presidente Lula, diz panfleto distribuído por campanha de Marta (Folha)

A campanha da candidata Marta Suplicy (PT) distribuiu nesta terça-feira um panfleto acusando seu rival no segundo turno, o prefeito Gilberto Kassab (DEM), de tentar derrubar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No texto, Kassab é descrito como inimigo do presidente e que seu objetivo é acabar com os programas sociais implantados pelo governo federal. (…)

‘[Kassab] é cria de Maluf, associado de Pitta. Kassab é o inimigo do presidente Lula. Filiado ao DEM, antigo PFL, Kassab e seus aliados querem derrubar o presidente da República. Espalham o ódio contra o seu governo, querem voltar ao poder para acabar com as políticas sociais atuais‘, diz o texto.”

E tem mais dez dias pela frente. Hora de voltar para as ruas.

Candidatura calcinada

14:26 | 14/10/08 | Rodrigo Alvares

Que Marta Suplicy (PT) estava ferrada antes de subir ao palco do debate na Band, no último domingo, todos sabiam. Por mais “codificado” que seja, perguntar em uma propaganda se “Ele é casado? Tem filhos?” é de uma torpeza atroz. Não foi à toa que ficou se esganiçando para desestabilizar Gilberto Kassab (DEMO). Mas a coisa poderia ter sido bem pior, como informa Renata Lo Prete no Painel da Folha de hoje:

Discurso ensaiado

O comercial da campanha de Marta Suplicy que estreou no domingo não foi a primeira expressão do esforço do PT para levar a vida pessoal de Gilberto Kassab ao debate eleitoral. Em discurso na Assembléia na quinta-feira passada, o deputado petista Adriano Diogo qualificou o prefeito como um “clone que ninguém sabe o que pensa, ninguém sabe com quem é casado”.

Mais adiante em sua fala, Diogo se empolgou: “Amante não é o amor oficial do dia. Amante é o amor às escuras. Por exemplo, ninguém descobriu qual é o verdadeiro amor de Gilberto Kassab até hoje (…) Amante não é uma palavra muito adequada para a política. É para outras circunstâncias”.

Leituras 1. A campanha de Marta testou o comercial “Sabe se é casado? Sabe se tem filhos” antes de ir ao ar. Colaboradores da ex-prefeita dizem que, nos grupos de discussão, as questões levantadas pela peça não adquiriram a conotação que desde domingo dá dor de cabeça aos petistas.

Leituras 2. A direção nacional do PT contabilizava ontem dezenas de e-mails, alguns enviados por representantes da intelectualidade ligada ao partido, criticando duramente o comercial.”


“Marta, valeu a força. Beijo, me liga”

A pertinência em saber da opção sexual ou o que Kassab faz da vida não é de assunto público, alguns dizem. Respeito, mas discordo, na medida em que isso dá brechas para se criar uma cortina de fumaça e evitar que as pessoas saibam que seu prefeito consegue distinguir questões privadas de públicas. Acontece com Lula, deputados, senadores e até mesmo com Marta, que a essa altura deveria ter aprendido a lição e sido a primeira a cortar aquela propaganda.

Update 17h50: “Petistas fazem insultos homofóbicos contra eleitores de Kassab”

Late blogging - 2º turno São Paulo

9:20 | 13/10/08 | Rodrigo Alvares

Quando o debate dos candidatos à prefeitura de São Paulo começou com o repórter Fábio Pannunzio alertando para os telespectadores “relaxarem em casa pelas próximas duas horas”, eu percebi imediatamente que todo o circo armado pela Rede Bandeirantes ia entrar em chamas. Diferente do debate no primeiro turno, desta vez rolou acesso completo ao estúdio onde transcorreu o barraco. Mas eu deveria ter notado que aquilo não ia dar certo bem antes de me refugiar ali dentro.

Cheguei ao pátio da Band e vi alguns jornalistas se acotovelarem para garantir frases e fotos de Marta Suplicy (PT). Não estava nem um pouco interessado em entrar no curral, mas a curiosidade falou mais alto. Depois que a ex-prefeita saiu, dei uma volta por ali e ouvi algumas jornalistas tentando sincronizar o que ela havia dito: “…ela disse que queria saber se ele [Gilberto Kassab (DEMO)] é casado? Ô, baixaria”, comentou uma delas.

Lembrei do rega-bofe do debate anterior e fui conferir se os acepipes já estavam à disposição dos esfomeados, mas no caminho encontrei o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB). Deu dó. Ele estava na frente da porta do estúdio e ainda assim ninguém vinha falar com ele. Entretanto, para manter a tradição democrática, as pessoas não faziam lá muita questão de pegar os salgadinhos com um guardanapo, ou algo que o valha - inclusive o ex-ministro da Educação Paulo Renato (PSDB).

Robson Fernandjes/AE
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“Pedágio urbano? Mandei o projeto para a Câmara, mas nunca ouvi falar”

Se o nível estava assim do lado de fora, comecei a temer o que me esperava dentro do estúdio. Infelizmente, entrei lá bem na hora em que começou o horário polítco. Tudo corria tranqüilo, até que deixaram muda a fala do presidente Lula (PT) na propaganda de Marta, o que já pôs os petistas a reclamar.

Parecia uma sessão de cinema. Mesmo com seus lugares guardados, muita gente saía e deixava para uma amiga guardar o seu com uma bolsa. Como eu estava no lugar indicado como “Imprensa”, estranhei quando o vereador e pagodeiro Netinho de Paula sentou ao meu lado. Cinco minutos depois, correram com ele dali.

No palco, Kassab parecia muito mais à vontade do que Marta. Sorria quando aparecia o Kassabinho na sua propaganda. A petista não se medrou e tocou o horror no prefeito logo no primeiro bloco. Perguntava do seu passado, para fazer ligação com Celso Pitta, e queria saber quem era o verdadeiro Kassab. A estratégia teria dado certo se ela não tivesse insistido tanto nesse bordão.

Robson Fernandjes/AE
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“Também sei mexer os braços como o Kassabinho”

Era muita miudeza sendo discutida. Pudera. Uma cidade com os problemas de São Paulo, e os dois ficam discutindo se implementar tenéti banda larga na cidade vai custar mião ou bião. Óbvio, é preciso que instalem logo, urgente. Preciso usar meu laptop enquanto estiver nos engarrafamentos ou de pé no busão.

Foi a partir daí que a baixaria começou a imperar. A claque petista aplaudia e os kassabistas grasnavam “Vai gritar lá fora” e “Sai, PT”. Teve uma hora em que me irritei e perguntei para quem estava ao meu lado quem era o cara que não parava de gritar contra as hostes petistas, mas aí a Lúcia Hipólito (Beijo, me liga) me disse que era a Zulaiê Cobra (sem partido). Confesso que não esperava ver gente tão bem apessoada e letrada apresentar traços de completo transtorno circunstancial. Enquanto isso, notei que até a iluminação acima da petista era mais forte do que em Kassab.

No segundo bloco, Marta apelou pela primeira vez para Lula e levou mais apupos dos rivais. Antes bem altivo, Kassab começou a se mostrar tenso quando a ex-prefeita mencionou o movimento “Reage, Pitta”, que o demonista liderou para ajudar a defender seu então chefe. O problema é que Marta exagerava na dose e dava para ver que a tensão dela não ficava só no estúdio. Também ficava claro na tela da TV.

O penúltimo bloco começou com perguntas dos jornalistas da Band. Colocaram a crise global na roda e finalmente questionaram o orçamento da cidade - de R$ 29 bilhões. Mesmo com provas de que a prefeitura investe uma bolada no mercado financeiro e deve estar apavorada com a queda da Bovespa, Kassab quis dissuadir o espectador de que Marta não sabe o que é ter uma conta no banco e cuidar dela. Então, tá.

Já ouvi palavras mais agradáveis da coréia do Beira-Rio em um Gre-Nal do que ontem, dentro do auditório. Tudo porque Kassab teve um pedido de direito de resposta aceito e os “juristas” da Band negaram três feitos por Marta. Mas eles estavam certos: ela demorou demais para pedir, e o prefeito, que trocava olhares lânguidos com seus marqueteiros, não bobeou.

Quais eram as acusações? Ah, o de sempre: mentiroso, corrupta, mensalão, pode escolher. A impressão é que o demonista precisava de demonstrações de apoio dos aliados para quase qualquer coisa que Marta falava.

A várzea ficou completa quando Kassab acusou Marta de fazer um debate pequeno, mas aí começou a falar dos dólares na cueca, de Delúbio Soares e sua mulher. Projeto para a cidade? Coisa para idiotas. Depois da terceira negativa, os petistas entraram em chamas e começaram a gritar que “A Band é Vendida”, “O Casoy é vendido”, “Marmelada”. Perdi a conta de quantas vezes pararam o debate. Parecia debate de centro acadêmico. Hmm, pensando bem, nunca vai deixar de ser.

Para completar, no último bloco Marta estava completamente esganiçada e espantou o tédio mortal ao discorrer sobre os problemas de acessibilidade nas calçadas “para os cadeirantes, os idosos e…os…que tem problema de QI“. Todos na platéia ficaram se olhando, sem saber o que dizer ou esboçar uma risada. Depois dessa, comecei a me concentrar na dor do meu siso. Fazer o que, eu estava cercado e precisava me isolar da demência de alguma maneira.

Pode contar com o voto do meu sindicato, Marta

17:10 | 10/10/08 | Rodrigo Alvares

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“Mas agora me deixa quieta que eu preciso trabalhar, OK”?

* Fotinho enviada pelo leitor Dante Sasso

Tua semiótica será o meu sucesso

15:15 | 08/10/08 | Rodrigo Alvares

Como alguma coisa não me deixava em paz em relação ao Kassabinho, resolvi recorrer a um trecho do livro “Desvendando os quadrinhos“, de Scott McCloud, para resolver o problema:

“Qual é o segredo do ícone que chamamos de cartum? Por que nós ficamos tão envolvidos? Por que qualquer um, jovem ou velho, responde ao cartum tanto ou mais do que à uma imagem realista? Por que nossa cultura está tão envolvida na realidade simplificada do cartum? Vou examiná-lo como forma de amplificação através da simplificação.

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Foto: Helvio Romero/ Estadão

Quando abstraímos uma imagem através do cartum, não estamos só eliminando os detalhes, mas nos concentrando em detalhes específicos. Ao reduzir uma imagem ao seu significado essencial, um artista pode ampliar esse significado de forma impossível para a mente realista.

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A capacidade que o cartum tem de concentrar nossa atenção numa idéia é parte importante de seu poder especial, tanto nos quadrinhos como nos desenhos em geral. Outra coisa é a universalidade de imagem do cartum. Quanto mais cartunizado é um rosto, mais pessoas ele pode representar, dizem.

Acho que essa é a razão principal de nosso fascínio por desenhos animados, embora outros fatores como simplicidade e características infantis de muitos personagens de desenhos animados também desempenhem um papel.”

Live blogging - Eleições 2008 | 1º turno

13:44 | 05/10/08 | A Nova Corja

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13h36 (Leandro) - Acordei cedo para tomar remédios, uma gripe desgraçada me derruba há mais de uma semana. Ligo a TV para ver que horas são e vejo imagens de Maria do Rosário e Manuela votando, uma ao encontro da outra. Ué, elas votam na mesma urna? Que coisa. Poderiam trocar votos, beijos, tapas, Decongex Plus. Emoção no Bovinão: pesquisas dão as duas tecnicamente empatadas no segundo lugar enquanto o Poeta Fogaça espera zzz.z..z.z. Impossível prever qualquer coisa.

Em São Paulo a grande tensão é ver se Soninha computará mais votos do que Maluf. É algo tipo “saber se Rubinho Barrichelo vencerá Takuma Sato na ponta de baixo”. Emocionante. Fatalmente, Marta “Gozadinha” Suplicy x Kassab será o embate no segundo turno. Alckmin foi abandonado até por FHC. Assim não pode, assim não dá. Ontem andou circulando um e-mail na minha caixa de entrada insinuando algo sobre a sexualidade de Kassab. “Por que ele não mostra a sua família?”, perguntava o texto, logo após mencionar algo sobre deus, Jesus, etc. Vai ser interessante a disputa entre uma sexóloga e o Kassab, acusado de ter um relacionamento pouco tradicional. Ao menos sabemos que, de qualquer forma, o vencedor poderá consolar o perdedor: a solução de todos os problemas é relaxar e gozar.

No Rio, Eduardo Paes lidera com folga, mas a grande surpresa é Fernando Gabeira, que vem forte para o segundo turno. Boa briga no Favelão. Não tem ninguém da família Garotinho no páreo, logo, não haverá greve de fome. Ao contrário, se Gabeira confirmar segundo turno prevejo forte larica.

Abrimos aqui o ao vivo de Eleições 2008. Espero que Walter e Rodrigo acordem antes de amanhã. Vamos levar as atualizações até a divulgação dos resultados, que deve acontecer lá pelas 20h. Ou até a gente encher e mandar todos vocês embora do blog.

14h01 (Leandro) - - Presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, faz balanço sobre urnas. Sono.

14h08 (Leandro) - Algumas notícias de suma importância:
- Lula cumprimenta amigo de Frank Aguiar [clica e morre com a foto]
- Eleitora de 82 anos é dada como morta ao tentar votar em PE
- Cantora Gretchen vota [ahunnn]
- Cavalo invade local de votação em Gravataí

14h45 (Rodrigo) - Do nosso correspondente no Fumaquistão: “Depois de justificar o voto, segui em direção à feira para comprar alguns acepipes. No caminho, uma turista japonesa pede informações para chegar ao metrô e a acompanhamos até lá. Ela trumbicou em uma das várias calçadas irregulares e perguntou como os deficientes físicos e idosos fazem para contornar essas condições.

“Eles não fazem”, respondi.

“Mas e o governo?”, perguntou.

“O governo acha que os idosos já viveram demais”. Ela estava com uma expressão meio que de assustada quando a deixamos na estação.

Naquela ágora que é uma feira, mais democracia:

“Quem votou na Marta tem desconto na melancia”, gritava um vendedor.

“É por isso que a banca dele tá vazia”, retrucou outro.

14h55 (Walter) - Acordei. Zzz… ronc… zzz… Não, mentira. Já tinha acordado. E já votei. Ia anular diante do horror profundo, mas votei Lulu Genro. Sério. Foi a única que tocou o horror decentemente na bandidagem que impera em nosso pasto. Para vereador, anulei total e sem limites, ainda mais depois do estoooodo fatal da Transparência Brasil que postei ontem.

15h20 (Leandro) - Eleitor foi preso por fotografar a mãe na urna. Vamos evitar o abesórdo OK? Atenção Cel. Mendes: homem foi votar com REVÓLVER NA CINTURA em Novo Hamburgo. Gaúcho. Macho. Melhor deixar quieto OK? Enquanto sua mãe não vota vale olhar aqui as pesquisas Datafolha publicadas ontem: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba.

15h30 (Leandro) - Número de prisões por boca-de-urna deve ser recorde no Bovinão. Cel. Mendes acaba de dar entrevista dizendo que alguns presos optaram, como pena alternativa, VARRER O QUARTEL DA BRIGADA MILITAR. Rádio Gaúcha entrevistou Dona Janete, que neste exato momento passa o RODO no QG da puliça. “Tá muito sujo aí?”. “Tá mais ou menos, viu”. Fire.

15h32 (Rodrigo) - Do nosso correspondente no Fumaquistão: bah, eu sabia que não devia ter saído do meu esconderijo. Tem um helicóptero parado em frente à janela aqui da sucursal há uns 15 minutos. Saiu agora há pouco. Deve ter ido buscar reforços para me capturar.

15h35 (Rodrigo) - Do nosso correspondente no Fumaquistão: conheça melhor nossas reuniões de pauta:

Walter diz:
Ontem vi o Simon entrando no Zaffari da Protásio. Hoje vi o Odone almoçando no Barranco. Odeio demais.

Rodrigo diz:
POSTA

Leandro Demori diz:
sflkajfas

Rodrigo diz:
Tavam comendo o quê?

Walter diz:
Sei lá. Passei de carro.

Rodrigo diz:
Não atropelou por quê?

Walter diz:
Por causa do muro.

15h45 (Leandro)
- Notícias relevantes:
- Mesária embriagada é detida após atrapalhar votação em Rio Grande
- Na Paraíba, promotores trocam socos e prometem briga “até dentro da Igreja”
- Eleitor de 77 anos morre durante votação em Santa Catarina

15h58 (Leandro) - Remédios, dor, estou surdo de um ouvido. Não irei votar. Completamente impossibilitado de sair de casa. Postando de pijama desde sexta-feira. Poderia viver assim não fosse a falta de noção absoluta ao acordar no meio da madrugada. Ontem quase abri a porta do armário pra fazer minhas NECESSIDADES. Ouvir em mono é um lixo. Se fosse à urna votaria em Luciana Genro. Tá, mentira, votaria no Onyx. OK, mentira de novo. Anularia fortemente alegando visão turva. O remédio para descongestionar que estou tomando diz: “Não dirigir ou operar máquinas”. Urna eletrônica é uma máquina?

16h30 (Leandro) - Meia hora pro fim da votação. Saiam do blog para cumprir seus DEVERES CÍVICOS. Logo depois das 17h começamos a divulgar as pesquisas de boca-de-urna.

16h34 (Leandro) - Notícia irrelevante:
- Ayres Britto defende total liberdade da Internet nas eleições

16h47 (Walter) - Tédio previsível: “Internautas desrespeitam Justiça Eleitoral e colocam voto no YouTube

17h12 (Walter) - Boquinha de urna: “Pesquisa boca-de-urna indica Fogaça e Maria do Rosário no segundo turno“:

Poeta: 39%
Mariazinha: 23%
Man: 19%
Lulu: 9%
Onyx: 6%
Nelson Marchezan: 2%
Carlos Gomes: 1%
Vera Guasso: 1%

17h31 (Leandro) - Boquinha Rio de Janeiro:
Gabeira (23%) passa Crivela (20%) e vai ao segundo turno.

17h34 (Leandro) - Boquinha Salvador:
ACM Neto (27%) caiu. Ibope mostra João Carneiro (PMDB) e Walter Pinheiro (PT), que aparecem com 31% cada.

17h35 (Rodrigo) - Do nosso correspondente no Fumaquistão: Kassab esmirilhou Alckmin na boca de urna. Votos válidos deixaran-no com 32%. Chuchu tem 21% e Marta Suplicy lidera com 36%.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
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“É um pastel de vento, sim. E daí? Não tá vendo que é o símbolo da minha campanha?”

(more…)

Dead blogging

4:19 | 03/10/08 | Rodrigo Alvares

Os debates por todo o país ficaram enfadonhos, acompanhados pelo fetiche por live bloggings. Foi ótimo por um tempo, dá acesso, mas não muda absolutamente nada. Pode incluir aí a apatia de todos durante o processo eleitoral (Claro que isso não evita o uso dessa ferramenta no segundo turno). Mas estive em Porto Alegre há umas semanas, moro em São Paulo, e posso garantir: o primeiro turno só serve para os candidatos medirem suas forças tendo em vista seus interesses pessoais reais e concretos a curto, médio e looongos prazos. O pessoal do Blog da Rosane fez uma ótima cobertura, mas isso não muda nada. Puro jogo de cena.

Seja para assembléias legislativas, a Câmara dos Deputados ou o que mais vier em 2010, é tudo conchavo. Claro que isso que não é novidade, só que a menos que tu faça parte de alguma massa de manobra - geralmente da “esquerda” -, nada é feito. Se ainda assim não acredita, pensa em quem Maria do Rosário e Manuela D’Ávila pretendem apoiar no segundo turno. O tal Orgulho Gaúcho com o qual cresci e estudei deve estar com vergonha, onde quer que esteja, com o fato de que a população ainda não ter apeado um governo estadual que escancara um escândalo de corrupção semanalmente.

Li que Yeda “espera” que a falência global atinja o Bovinão. Por que não, né? Afinal de contas, acabamos de assinar com pompa e circunstância um empréstimo de US$ 1,1 bilhão com o Banco Mundial e nossa desgovernada economista professora não previu que a bolha imobiliária desse merda. Ela devia estar mais preocupada com o Detran à época.

Nossa matriz econômica prioriza a exportação e os governos passados nunca quiseram mudar esse cenário. O senador Pedro Simon (PMDB) tinha todo o capital político para promover isso quando assumiu, em 1987, mas preferiu enfrentar greves de professores a cada ano. Se eu for culpar todos que passaram pelo Piratini, as pessoas vão fugir do blog (hmm: anotação mental). Mas é óbvio que essas coisas não importam agora para os pulitizadu$ do RS.

Aí, as pessoas querem saber das eleições municipais. E o pior é que Porto Alegre e São Paulo são bons exemplos dessa decadência - quem diria - do interesse coletivo em quem vai cuidar do bueiro que está entupido na esquina de casa nos próximos quatro anos. Não é novidade: os candidatos que estão na ponta das pesquisas prometem as mesmas coisas e jogam os problemas para seus oponentes diretos. Daí o tédio abaixo:

Porto Alegre: o atual prefeito lidera as pesquisas porque ninguém quer o PT de volta ou alucina que ele faz um bom trabalho (Cco: Camelódromo Aéreo/ Viaduto Leonel Brizola). As duas candidatas para o segundo turno do desespero eram aliadas há dois anos e se engalfinham há semanas com assuntos irrelevantes para tirar a cidade do buraco, mas sem mencionar que fazem parte do desastre perpetuado durante 16 anos no Paço. Ainda bem que ninguém questiona a candidata de Tarso Genro se ele escreveu um livro chamado “How to destroy your party for dummies”.

Quanto a Manuela D’Ávila, quem tem Berfran, tem tudo. Apoiada pelo PP$, mas com o antigo partido do Poeta, é difícil crer nas respostas decoradas com o media training de que ela faz parte do “futuro” - perguntou a Fogaça sobre a atuação de Cezar Busatto como braço direito do prefeito, por acaso? Resumindo: tá um verdadeiro documentário do Discovery Channel sobre a vida das hienas.

São Paulo: é incrível a rejeição a Geraldo Alckmin (PSDB). As pessoas podem até odiar Marta Suplicy (Pê TÊ), mas sentem muito mais asco do ex-governador. E com a máquina municipal e estadual atrás dele, Gilberto Kassab (DEMO) escanteou o Chuchu, que - mais uma vez - protagonizou uma foto muito constrangedora. Foi para a Radial Leste com mulher e filha distribuir panfletos.

Ele e Tarso deveriam fazer uma acareação para definir quem é mais beiçudo quando quer alguma coisa em detrimento da unidade do partido. Nenhuma novidade nisso. As análises mais rasas anunciam que tudo isso no Fumaquistão é uma prévia para 2010. Bom, como qualquer análise rasa, ela está certa.

Não existe derrota para José Serra nesta eleição. Qualquer que seja o escolhido para a prefeitura, o governador está garantido. A menos que tu ache viável um pré-candidato à presidência evitar a entrega de obras extremamente necessárias à cidade até 2010. Marta terá grana federal e Serra não vai negá-las. Kassab, a Secretaria Estadual do Município. Alckmin terá, hmm, o PSDB.

De qualquer forma, prepare-se para a castração deste domingo ou alegue nossa desculpa habitual para não votar: “Fiquei deprimido com os candidatos, tomei um trago no sábado e não consegui sair da cama porque também bateu aquela Síndrome do Pânico básica”.

Os eleitores agradecem

17:02 | 30/09/08 | Rodrigo Alvares

O debate dos candidatos à prefeitura do Fumaquistão na Rede Record, no último domingo, só serviu para eu finalmente ouvir alguém escangalhar Paulo Maluf com a seguinte frase: “Não sou engenheira como o senhor, sou psicóloga. Mas também não vou [inventar] de asfaltar o Tietê, né?”. Tá certo que foi Marta Suplicy (Pê Tê) quem disse isso, mas ah, que alívio.

Sem contar na outra melhor declaração solta do encontro, quando Geraldo Alckmin (PSDB) foi se despedir de quem resistiu à tortura: “Eu enxergo o sofrimento das pessoas”. Deve ter sido por essas e por outras que a Rede Globo prestou um serviço aos fumaquistóides e cancelou o debate que estava marcado para esta quinta-feira. A justificativa não poderia ser outra: a completa demência da lei eleitoral. Abaixo, um trecho da nota:

Dos oito candidatos, cinco assinaram o acordo, que previa a participação no debate dos cinco candidatos mais bem posicionados nas pesquisas. Somos gratos a esses candidatos.

Ciro Moura, do PTC, Ivan Valente, do PSOL e Renato Reichmann, do PMN, não assinaram o acordo, apesar de terem se beneficiado do critério de cobertura proposto a todos os candidatos. A experiência comprova que debates com mais de cinco não são proveitosos: o tempo destinado à discussão de cada assunto se torna exíguo demais, e o debate acaba simplesmente não acontecendo.