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A Nova Corja entrevista Soninha - Terceira parte

16:17 | 22/11/08 | Rodrigo Alvares

A Nova Corja - Como foi o rompimento com o PT? O pessoal lá não fala muito bem de ti.

Soninha - Só faltava falar. Seria de uma falsidade inacreditável. Não foi um dia em que houve um rompimento com o PT. Desde o começo, eu sofri. Desde, literalmente, o primeiro dia de mandato, que foi o dia da eleição da Mesa Diretora.

A Nova Corja - E tu pertencia a alguma tendência?

Soninha - Não.

A Nova Corja - E isso não causou nenhum problema?

Soninha -Depende. Depende se você é uma menina comportada ou uma pentelha. Na verdade, desde antes de de tomar posse, eu já comecei a ficar desconfortável. Primeiro, eu tive um encontro com um vereador do PT aqui na casa, que falou “Deixa eu te apresentar nossos colegas, deixa eu falar deles para você. Sabe, fulano: OLha, Fulano é muito engraçado. É uma figura. Se você fechar com ele por R$ 100 mil, não adianta vir alguém oferecer R$ 200 mil para ele, porque ele tá fechado com você”. Eu achei aquela uma maneira muito curiosa de apresentar alguém como uma pessoa engraçada. Depois “Sabe aquele outro lá? Olha, aquele outro, pela religião dele, ele é bastante rigoroso. Mas se você pagar, ele libera até a liberação da maconha”.

A Nova Corja - Um jeito bem Severino de negociar.

Soninha - Assim, achando graça no que para mim era trágico. Como se fosse “Deixa eu te contar do folclore da Câmara”. E depois disso, no meu primeiro encontro formal, o líder da bancada me chamou e disse: “Olha, você vai tomar posse no ano que vem, a gente tá discutindo o Orçamento, Mesa Diretora, vem aqui participar das reuniões. Eu fui para uma reunião em que o PT estava assumindo um compromisso de apoiar um candidato do Centrão - constituído pelas mesmas pessoas que meu colega falou.

A Nova Corja entrevista Soninha - Segunda parte

17:36 | 21/11/08 | Rodrigo Alvares

A Nova Corja - Mas essa história (negociação de uma fusão entre PSDB e PPS) não ganha importância depois que o PPS e tu anunciaram apoio à candidatura do Kassab, tendo em mente 2010? Porque tu teve uma boa votação aqui, por exemplo.

Soninha - É, tive. Que o PPS seria oposição ao PT era óbvio. Se declararia apoio ao adversário do PT, seria menos óbvio. Mas era muito provável. Porque o PPS, na eleição de 2004, foi da aliança que elegeu Serra e Kassab. Então, na verdade, não quis deixar de ter candidatura própria, quis disputar a eleição este ano. Mas, estando fora da disputa, apoiou o partido com o qual já tinha a chapa. A posição mais clara do PPS em nível nacional em alguns cenários, é de oposição ao PT. Claro que, como em todo quadro partidário brasileiro, você vai ter várias situções em que o PT e o PPS estão de um lado e o PSDB do outro. Você tem em Belo Horizonte PT, PPS e PSDB na mesma coligação. Se tentar avaliar a inclinação de um partido pelos seus aliados, o único que se salva é o PSTU.

A Nova Corja - O PSTU?

Soninha - É o único que não tem aliados à direita. O PSOL tem aliança com o Democratas em uma eleição municipal no Amazonas. Não é modo de dizer, eu estou afirmando o fato. Então, o fato de o PPS ter migrado de um lado ao outro do Meridiano de Tordesilhas”, porque depois que teve o Ciro Gomes candidato à presidência, não tendo candidato no segundo turno, apoiou o Lula. Depois rompeu com o governo dele, depois de ter apoiado o PT em São Paulo e passou pro lado de oposição ao PT. Como esse mundo tá dividido assim, em duas metades de uma laranja, estar contra o PT é estar aliado ao PSDB e ao DEM. Agora, aferir daí um fusão faz tanto sentido quanto dizer que o PCdoB vai fazer parte do PT. Vai deixar de ser um partido à parte.

A Nova Corja - Em Porto Alegre, já davam como certa a negociação.

Soninha - Imagina. É uma conversa de pé, na porta de casa: “Ah, vamos conversar, um dia a gente vai ficar junto, hein: Mas tem que mudar o nome do partido”. E aí vira uma articulação nacional, é o fim da picada. É de um desrespeito com a base do partido absurdo. Se eles temem pelas suas próprias chances eleitorais, se estão insatisfeitos com o PPS e querem ir para o PSDB, saiam. Vão. Tem liberdade de associação. Claro, tem o risco de perder o mandato, mas, enfim, corra-se o risco.

A Nova Corja - E como o PPS avalia a gestão Serra; Kassab e o que espera do prefeito agora?

Soninha - Avalia que tem qualidades e defeitos. Qualidade na reengenharia das finanças, como agora mesmo, eu estava lá na Comissão de Administração Pública. Atribui-se muito, a Marta disse muito disso durante a campanha eleitoral, de que esse governo tem condições de fazer muito mais do que ela fez porque não pegou a casa arrumada e uma receita muito maior por causa do crescimento econômico. Ponto número um: a casa não estava arrumada. As dívidas decorrentes dos tais empenhos cancelados em 2004 eram de montante absurdo e que prejudicaram imediatamente a prestação de serviços essenciais.

A Nova Corja - E qual era o valor desses empenhos?

Soninha - (pega um polígrafo com os números da comissão) Aqui: Decreto 45.644 R$ 880 milhões. O que é um empenho cancelado: quando você tem um empenho para ser liquidado, é porque o serviço foi prestado e falta o pagamento, ou porque o contrato foi assinado com uma empresa de serviços contínua, como coleta de lixo.

A Nova Corja - Um tipo de calote.

Soninha - Um deles, sem ter sinônimo melhor. Então, tinha esse problema dos empenhos cancelados, que diziam respeito a alguns serviços essenciais, como poda, varrição, coleta de lixo, uma coisa absurda. E ainda tem os problemas dos precatórios decorrentes da gestão do Pitta e do Maluf. É uma herança que a gente continua pagando à medida que a Justiça vai dando ganho de causa às ações.

A Nova Corja - E como a prefeitura planeja resolver isso?

Soninha - Então, o que a prefeitura fez foi criar um Programa de Parcelamento Incentivado de dívidas para aumentar sua receita. Porque houve duas engenharias: para lidar com os credores e para aumentar a receita. O aumento foi muito maior que o crescimento econômico, isso é fato. Para aumentar a receita, criou o parcelamento incentivado, que é uma iniciativa velha. Entre não receber nunca uma dívida e receber em parcelas, com redução de juros de mora, criou o PPI, o Cadin (cadastro de devedores) para administrar melhor essa dívida. Foram várias medidas para receber dívidas que há muito tempo não vinham sendo pagas, para coibir a sonegação, vários modelos de engenharia que aumentaram a receita e que botaram o pagamento das dívidas do município razoavelmente nos trilhos.

A Nova Corja - E o lado ruim?

Soninha - Pelo lado ruim, o sistema de trânsito e transporte tem melhoras pontuais, mas estruturalmente evoluiu muito menos do que o necessário para a demanda que a gente tem.

A Nova Corja - Há quase um ano, eu vim aqui te entrevistar sobre o Projeto de Lei que implementa o pedágio urbano em São Paulo. O Kassab passou 2008 inteiro dizendo que “essa gestão não vai fazer isso”, mas acabou mandando o PL para cá pouco antes das eleições.

Soninha - Aquele era o Projeto de Política Municipal de Mudanças Climáticas, que prevê a possibilidadee de pedágio urbano, e com esse viés do controle da emissão de poluentes, do poluidor-pagador. Não é nem o pedágio urbano com o objetivo de aumentar a fluidez do tráfego. É de fazer o mais poluente pagar mais proporcionalmente. Mas o Kassab retirou o projeto e suprimiu esse artigo para apresentar de novo. Aí o vereador Carlos Apolinário (DEM) apresentou um projeto dele, prevendo a criação de pedágio urbano. Custa muito caro para o prefeito aprovar essa PL na Casa e sem respaldo popular, sem apoio de mídia.

A Nova Corja - Ele não teria poder político para isso depois de sair de um dígito nas pesquisas e ganhou a eleição. Isso não daria respaldo a ele?

Soninha - Não faz a menor diferença. Eu fui eleita com 50 mil votos e eu não tenho aqui mais poder de persuasão do que quem teve 14 mil votos. Depende da capacidade de fazer acordos e concessões. O prefeito, para fazer a Câmara aprovar uma medida tão impopular quanto o pedágio urbano, a Casa faria muitas exigências. Muitas exigências.

A Nova Corja - Que espécie de exigências?

Soninha - Compensações.

A Nova Corja - Aquelas compensações das quais tu falou na sabatina do Estadão.

Soninha - Eu falei de vários tipos de compensações. A pior delas é a de dinheiro, propriamente. Eu só me arrependo em um ponto. Pensando bem, eu nem sei se essa é a pior delas. Se a pior forma é você é você pagar em dinheiro pelo voto de um parlamentar. Porque se você atende a exigência de um parlamentar nomeando alguém inepto a um cargo público, esse é um prejuízo incalculável. Claro que é absolutamente errado, indesculpável, você pagar R$ 50 mil para um parlamentar votar de acordo com a vontade do Executivo. Agora, você nomear um coordenador de saúde incompetente, um subprefeito corrupto, um secretário inepto, e o custo disso? O impacto disso? Não só o financeiro, não é horrível?

A Nova Corja - E como está a tua relação com o pessoal ali dentro do plenário?

Soninha - Está apaziguada (pausa). Não teve mais nenhum desdobramento.

A Nova Corja - E como tu projeta o teu último mês aqui na Câmara?

Soninha - Ah, provavelmente menos produtiva do que eu gostaria. Mas isso não é só do último mês, é o mandato inteiro.

A Nova Corja - Que tipo de decepções?

Soninha - A decepção de ver que o seu esforço, a qualidade e a dedicação do seu trabalho não tem a menor relação de causa e conseqüência com a sua produvidade como legislador. Se você estuda profundamente uma questão para elaborar um projeto de lei, para fazer um parecer do projeto de um colega. Na prática o resultado não é muito diferente. Quantas vezes eu já não peguei um PL na Comissão de Constituição e Justiça e analisei, estudei, debati, perguntei e fiz um parecer contrário. Facilmente ele é derrubado por quem nem leu o projeto.

Por causa da cultura que existe na Casa que, a menos que haja uma situação declarada de conflito, um vereador não se oponha ao projeto de outro. Isso só acontece em duas circunstâncias: de um conflito mesmo - de bloco, de grupo ou pessoal - entre os vereadores, ou, em último caso, em uma votação em segunda no plenário e que fica acordado que o vereador pode manifestar voto contrário ao projeto do outro só porque já está garantida a aprovação do projeto.

A Nova Corja entrevista Soninha - Primeira parte

17:24 | 20/11/08 | Rodrigo Alvares

A vereadora de São Paulo Soninha Francine (PPS) é uma pessoa inteligente, sensível e apaixonada com tudo o que faz. Ela também tem a fama de ser honesta e imediata em suas declarações. O fato de ter dispendido quatro anos de sua vida na Câmara dos Vereadores de São Paulo não teria me causado nenhuma reação se ela mesma não confirmasse que quase tudo que fez foi em vão, o que a torna uma das únicas pessoas normais que já encontrei na política brasileira. Abaixo, a primeira parte da entrevista:

A Nova Corja - Como está sendo voltar para a TV depois de todos esses meses de campanha?

Soninha - Eu gosto. Às vezes, tenho vontade abrir mão de algumas coisas para ter uma vida mais tranqüila, para não estar sempre tão apressada e aflita. E várias vezes eu já me perguntei se não devia parar com a TV. Mas quando eu começo a fazer, aí eu não tenho a menor dúvida. Eu geralmente chego para fazer o programa mais derrubada do que eu saio. Depois de fazer um programa de uma hora e meia no ar, eu me sinto melhor do que na hora em que chego.

A Nova Corja - É isso que eu tenho notado. Costumo assistir ao Bate-Bola [programa da ESPN] e e é bem descontraído.

Soninha - É, A gente fica à vontade ali. Claro que tem um roteiro, uma direção, tem um editor, uma orientação. o ponto eletrônico. Mas a gente tem liberdade - dentro de um formato, lógico.

A Nova Corja - Sim, outro dia vi o Antero Greco e o…

Soninha - Amigão [o jornalista Paulo Soares].

A Nova Corja - E o Amigão no Sportscenter rindo por uns dois, três minutos.

Soninha - Só para completar: por ser futebol, por algo que me dá prazer, por ser onde é, porque a ESPN tem uma filosofia, tem uma ideologia - e pratica. Além disso, é muito bom não viver só nesse mundo aqui, de vereadores e assessores e secretários, chefes de gabinete, de partidários, de opositores. É muito bom ter contato constante, próximo com outras pessoas. Ter outras relações profissionais fora desse mundo aqui. Porque aí a gente não deixa de olhar a política por fora, também. Não deixa de enxergar os absurdos da política.

A Nova Corja - Como pela tela de plasma ali [na ante-sala do plenário há uma TV que transmite os discursos dos vereadores]?

Soninha - É, com os olhos de quem tá vivendo uma situação e não se vê representado na política. Porque às vezes parece que a gente tá tão fechado em si mesmo, que parece que a gente tá confabulando a discussão mais importante do mundo.

A Nova Corja - Sim, como agora há pouco. Eu estava ali dentro e veio um segurança, me perguntou com quem eu estava e respondi “Com a Soninha”, e ele disse que eu não podia devia ficar ali. Mas agora eu tenho uma pergunta muito importante para te fazer e que me persegue há meses. Quem vai ganhar o Campeonato Brasileiro: o Palmeiras ou o Grêmio?

Soninha - O Palmeiras não é. Se são essas as alternativas, ficou fácil.

A Nova Corja - Bah, mas eu escutei por meses que o Palmeiras seria o campeão.

Soninha - É, e tinha boas chances, não tinha? Tanto que, até a semana passada, estava no páreo.

A Nova Corja - Bom, mas aí veio o Grêmio aí e, bom, normal, né?

Soninha - Até que é. Melhor perder para o Grêmio do que levar três do Sport. O Grêmio ainda tá no páreo.

A Nova Corja - Mas aí, nessa questão, tu tem acompanhado a construção da Arena do Palmeiras, sabe se vai ter dinheiro do governo estadual?

Soninha - Não, o recurso é todo privado.

A Nova Corja - E, dentro disso, como é a tua relação com o Serra [PSDB/ governador de São Paulo e também torcedor do Palmeiras]? Vocês devem se encontrar no Parque Antártica. Chegam a conversar…

Soninha - Sobre a arena?

A Nova Corja - Não, sobre o Palmeiras em geral, política…

Soninha - Ah, sim [ri]. Sobre o Palmeiras em geral, em dia de jogo principalmente. Mas sobre política a gente não tem conversado muito.

A Nova Corja - É que agora tá rolando essa história do PPS meio que entrar no PSDB.

Soninha - Papo totalmente furado. Nascido lá mesmo, no Rio Grande do Sul.

A Nova Corja - É mesmo?

Soninha - O fato é que, provavelmente algumas pessoas no PPS - especialmente alguns parlamentares com mandato -, analisando os resultados dessa última eleição, preocupados com a perspectiva das próximas eleições, com a possibilidade de o PPS ter chapa forte - representativa ou não - começam a planejar o próprio futuro.

E imagino que, em virtude de ter havido uma aliança renovada nos últimos anos, que o PPS podia se juntar ao PSDB. Mas isso é uma opinião deles, tanto quanto eu tenho a opinião de que a gente precisa evoluir do modelo partido e pensar no outro. As pessoas poderiam se organizar em várias células simultâneas conforme a área de atuação. As pessoas têm direito a uma opinião. Agora, eu discordo profundamente de quem tem essa opinião. Porque uma coisa é você tentar se fortalecer e temer pela sua própria sobrevivência com representação parlamentar. Um partido pode continuar existindo sem representação parlamentar, mas digamos que fica muito frágil.

Então, eu entendo que as pessoas temam pela sobrevivência do partido, das bancadas e tal. Mas não faz muito mais sentido você, por exemplo, atrair setores descontentes do PSDB - com as inclinações centristas do PSDB - para aumentar um partido de esquerda, ou procurar o PSB, ou outro partido socialista. Agora, você levar o seu partido pequeno a um grande não vai te fortalecer, vai te diluir.

A Nova Corja - E quem do Rio Grande do Sul botou isso na pauta?

Soninha - O Nelson Proença.

A Nova Corja - Tu andou sabendo do que o PPS aprontou no RS?

Soninha - Não.

A Nova Corja - No caso da Yeda [Crusius (PSDB)], com a CPI do Detran, quando flagraram um integrante do PPS, Cezar Busatto…

Soninha - Ah, sim.

A Nova Corja - …que era secretário da Casa Civil. Isso pegou muito mal.

Soninha - Claro.

A Nova Corja - E a Yeda chama ele de exilado político.

Soninha - Chama ele do quê?

A Nova Corja - Chama de exilado político porque logo depois disso ele se bandeou para os Estados Unidos para cobrir as eleições americanas.

Soninha - Bom, mas uma vez alijado do governo, tendo renunciado ao cargo, que mais resta? Se tiver que ser respondido na Justiça, que seja, mas politicamente, o governo é dela, e ela é quem tem que segurar a onda. Tem que responder por isso.

A Nova Corja entrevista Soninha - Teaser

19:46 | 19/11/08 | Rodrigo Alvares

Foto: Rodrigo Alvares
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Não, não é a Soninha. Faz parte de uma exposição africana no hall da Casa

A cidade sob meus pés e a garoa fina contra as lentes dos óculos. É bom estar de volta às ruas, a caminho da Câmara de Vereadores de São Paulo para entrevistar Soninha Francine (PPS). Quando estou quase em frente ao local, liga a assessora da parlamentar para avisar que o encontro teria de ser adiado em uma hora por causa de uma reunião da Comissão de Finanças, ou algo assim.

Eram 13h35, e eu teria uma longa espera pela frente. Ficar no boteco da esquina e tomar umas cervejas estava fora de questão. O que me levou a outra dúvida: por que diabos eu perderia uma coisa dessas no epicentro da representação legislativa do Brasil? Fui parar na Comissão de Saúde e encontrei o novo colega do blog Jones Rossi por lá.

Graças ao tédio mortal, descemos até o plenário para ele falar com um vereador. Fiquei só no biriri, observando as entradas e saídas do lugar e, claro, a discussão sobre uma tal de CPI dos Parasitas da Saúde. Voltamos ao oitavo andar, mas quando chegou perto das 15h, retornei à entrada do plenário para me encontrar com a vereadora.

Mas ela não aparecia, e temi um desencontro - alguns parlamentares usam elevadores privativos para chegar ao salão. Ipod nos ouvidos, me fiz de louco e usei a entrada dos funcionários. Nada aconteceu. Eu estava dentro. Passei os olhos e não encontrei a ex-candidata à prefeitura da capital do Fumaquistão.

Cruzei o plenário e observei que os jornalistas ficavam em algum tipo de gaiola, sem contato com os vereadores caso eles queiram fazer isso. Fui para a ante-sala, onde rola o tradicional cafezinho e conversas ao pé do ouvido. Na tela de plasma, os parlamentares com os discursos de sempre.

Aquilo me encheu o saco e voltei para o centro da festa. Sentei em uma das cadeiras no fundão e finalmente avistei a vereadora, concentrada em alguma leitura. Decidi esperar ela terminar porque, tu sabe, poderia ser uma grosseria. O problema foi que um segurança também me avistou e veio discretamente até mim.

Perguntou se eu estava com alguém: “Claro, estou com a Soninha”. Óbvio que ele veio com a conversa de que eu não podia estar ali. Pedi permissão para avisar a vereadora e acabar com a sua leitura, mas não deu galho e voltamos à ante-sala, onde demos início à uma entrevista bem esclarecedora.

Amanhã, a primeira parte da conversa.

Contra a eleição das TAGS, maconha wins

13:11 | 20/08/08 | Leandro Demori

Ontem tivemos o prazer de assistir ao primeiro dia da propaganda eleitoral na TV. Pela estréia, garantia de diversão por semanas. O eleitor Bovino poderá optar por candidatos como DJ Titico, Gnomo, Mano Oxi, Falafina e Gaúcho da Copa.

Antes de dar início à divulgação fatal dos candidatos, no entanto, esta Corja faz duas latentes observações:

1) É mais do que nunca a eleição da tag cloud
98,88% dos candidatos promete a mesma nuvem de palavras-chave: segurança, saúde, educação, emprego. Jatobá way na hora de votar. Menor diferença.

2) Nacionalmente, a Maconha Mental tomou conta de tudo
A quantidade de CANDIDATOS GABEIRA se multiplicou. Enquanto o Pai da Cannabis tem um site exclusivo sobre a planta medicinal, outros postulantes tentam entrar no melão confuso do eleitor.

- Rafa Machado (PV-RS), candidato a vereador - Vocalista da banda Chimarruts = reggae = fumacê.

- Soninha Francine (PPS-SP), candidata à prefeita - Demitida da TV Cultura em 2001 por declarar à revista Época que queimava o churros.

- Flávio Eduardo Fuba (PSB-PB), candidato a vereador - O já político Fuba quer discutir a discriminação da mardita na câmara de vereadores. Seus colegas (a maioria deve ter 118 anos) acha um abesórdo. Além de defender a ervinha, Fuba quer mudar o nome da capital João Pessoa para PARAHYBA. [muita LENTILHA queimada].

- Roberto Pinheiro (PV-PA), candidato a vereador - Reggae = Jamaica = Jah = Larica.

- Mano Changes (PP-RS), candidato a vice-prefeito - Mestre de todos, o deputado estadual dispensa apresentações. Abaixo, uma LETRINHA MAROTA da Comunidade Nin Jitsu, banda do patrão Mano.

JUST
(M.Changes e Lucatchotaylor)

BASEADO FININHO FECHADO COM CARINHO
KAYA VIOLENTA EU SOU UM FÃ DO VERDINHO
DUAS HORAS NO BANHEIRO CARTEIRINHA E PILÃO
ACABEI COM A MINHA CABEÇA POIS FUMEI UM DOUBLELÃO
MAIOR LARIRA NA SEQUELA PINTOU
NADA NA BAIONETA A PROPINA JÁ ACABOU
JUST É O QUE PRECISO PRA FAZER A DIGESTÃO
SÓ SE FOR DO MANGA ROSA OU TAMBÉM DO CAMARÃO

MACONHA NO ALMOÇO
MACONHA NO JANTAR
MACONHA TÁ VIRANDO PRODUTO ALIMENTAR

CANABIS ATIVA CHEGOU O CAMINHÃO
ACABOU A SECA DA PÁSCOA ENTÃO EU QUERO A MINHA LASCA
DA CRUZ VERMELHA LUIZINHO É PALESTRANTE
CYRO MARTINS TEM DESCONTO PRA ASSINANTE
PRÍNCIPE DAS ERVAS O FILHO DO SULTÃO
ANIQUILADO NO PRESÉPIO DA SITUAÇÃO
FUMADO ESMUTUCADO COM MUITO CUIDADO
O PITANGA TÁ NA RODA ENTÃO HOJE É FERIADO

MACONHA NO ALMOÇO
MACONHA NO JANTAR
MACONHA TÁ VIRANDO PRODUTO ALIMENTAR

QUEBRA-UNHA, DA LATA E CABEÇA DE NEGO
NÃO ADIANTA NEM CHORINHO QUE O PATRÃO NÃO DÁ ARREGO
SUBIR NO MORRO PROCURANDO ALIENAÇÃO
É MEIO CHAVEROSO POIS NÃO TENHO UM TRESOITÂO
OS TIRAS TÃO NA ÁREA É MELHOR NÃO VACILAR
O PRODUTO É UM VENENO NÃO CONVÉM DESPERDIÇAR
TETRA HIDRO CANABINOL HOJE É DIA DA MAROFA
NÃO MISTURA CHERNANDO VÊ SE LARGA ESSA FAROFA

MACONHA NO ALMOÇO
MACONHA NO JANTAR
MACONHA TÁ VIRANDO PRODUTO ALIMENTAR

BASEADO FININHO, FECHADO COM CARINHO (3X)
BASEADO FININHO, EU SOU UM FÃ DO VERDINHO!!!!

Decepção da massa regueira

10:49 | 23/06/08 | Leandro Demori

Sei admitir o que cada adversário fez de positivo, diz Soninha

“À espera de um milagre”, a vereadora Soninha Francine (PPS), 40, diz que sua candidatura à prefeitura paulistana era uma “ousadia tão possível como passar seis meses no Nepal em uma excursão fotográfica”.

Ex-apresentadora de TV, ex-petista e colunista esportiva, Soninha — 2% das intenções de voto, segundo o Datafolha — apresenta um leque de propostas como acabar com a relação fisiológica entre Executivo e Câmara e repovoar o centro.

Crítica do PT, Soninha também tem elogios ao ex-partido, como tem elogios a Kassab (DEM) e a Erundina (PSB).”

Entrevista completa aqui.