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Testemunha que vale um milhão e meiô. Viu?

13:19 | 19/05/09 | Rodrigo Alvares

Yeda tem que depor como testemunha do
caso Detran (Correio do Povo - p/ assinantes)

Apesar de ter tentado adiar mais um contratempo, a governadora Yeda Crusius (PSDB) terá de depor à Justiça Federal, no processo da operação Rodin, que investiga fraudes no Detran gaúcho. Ela está arrolada como testemunha de um dos mais importantes réus da ação, o ex-presidente do departamento de trânsito, Flávio Vaz Netto.

Ontem, o advogado Paulo Moreira de Oliveira, que representa Vaz Netto, confirmou não ter a intenção de abrir mão de ouvir a governadora. Segundo Moreira, existem ao menos dois pontos que poderão ser melhor esclarecidos pelo depoimento da governadora. No Palácio Piratini, os movimentos para protelar ao máximo o depoimento da chefe do Executivo já começaram.

Devido ao cargo que exerce, Yeda tem a prerrogativa de comunicar, por escrito, à Justiça Federal em que data e local pretende prestar seu depoimento. Ela pode, por exemplo, não comparecer à 1ª Vara Criminal da Justiça Federal, onde ocorrem os depoimentos das testemunhas em Porto Alegre, e falar no Piratini. Mas, ao contrário do que imaginavam advogados de defesa, Yeda não pode redigir o depoimento e enviá-lo por escrito. Será ouvida pelo juiz que conduz as audiências na Capital.

Inicialmente, o depoimento da governadora estava agendado para 13 de maio, última quarta-feira. Yeda alegou, no entanto, a necessidade de cumprir compromissos inadiáveis e transferiu o depoimento. Nesta data, ela estava em Brasília, justamente para discutir com lideranças nacionais do PSDB a estratégia de enfrentamento das primeiras denúncias publicadas pela revista Veja sobre suposto caixa dois na campanha eleitoral de 2006.

Naquele dia, a agenda oficial da governadora, divulgada pelo Piratini, informava que ela teria audiência com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, seguida de visitas à Câmara e ao Senado, e encontros com parlamentares para tratar do problema da estiagem no Estado.

Lúcio de Constantino, advogado do empresário Lair Ferst, outro réu da operação Rodin, informou ontem que também tem interesse em ouvir a governadora, movimento que pode ser seguido por outros advogados de defesa que atuam no processo.

Mesmo com a cisão dos processos da Rodin determinada recentemente pela juíza federal Simone Barbisan Fortes – Flávio Vaz Netto ficou em um dos processos e Lair Ferst, em outro –, nos depoimentos prestados na semana passada, advogados têm comparecido aos depoimentos de testemunhas de outros réus para também fazer questionamentos.

Yeda precisou contratar mais um advogado. Ela tem a compra de sua casa analisada pela Procuradoria Geral da República, está prestes a se tornar alvo de uma CPI que virou notícia nacional por conta das denúncias.”

Então, terás

6:11 | 16/05/09 | Rodrigo Alvares

Caixa um no caixa dois? (Veja)

Empresa acusada de fazer doação ilegal a Yeda Crusius mostra recibo oficial do PSDB. O partido diz que o dinheiro não aparece em suas contas porque foi misturado a outros

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A tucana Yeda Crusius governa o Rio Grande do Sul há 125 semanas, mas nenhuma delas foi tão dura para ela quanto a passada, depois que VEJA revelou a existência de gravações que apontam que sua campanha eleitoral foi abastecida com recursos provenientes de caixa dois. (…) Em meio às turbulências, a governadora voou para Brasília para pedir ajuda à cúpula de seu partido. Voltou de mãos abanando. (…)

A governadora convocou uma entrevista para desqualificar as pessoas ouvidas pela revista. Também agrediu o mensageiro que lhe trouxe a notícia ruim, ao insinuar que VEJA pagou pelas informações. O problema, para Yeda, é que os indícios de caixa dois continuam aparecendo – e eles merecem ser investigados.

Nos áudios, Cavalcante diz que recebeu 200 000 reais da Alliance One, uma fabricante de cigarros. A contabilidade da campanha tucana não registra a doação, mas a Alliance One enviou a VEJA uma cópia de um recibo emitido pelo PSDB. ‘Até declaramos a doação em nosso imposto de renda’, diz Alexandre Strohs-choen, diretor da empresa.

O PSDB justifica a divergência com uma explicação que simplesmente não pode ser verificada. Diz que a doação da Alliance One foi misturada a outras e incorporada a um recibo de 596 000 reais no qual foram incluídos os recursos fornecidos por companhias que também não são discriminadas.

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Um outro caso ainda mais intrigante transpira da correspondência eletrônica do vice-governador, Paulo Feijó, do DEM, que participou da arrecadação da campanha de Yeda. Depois da eleição, Feijó brigou com a titular e passou a denunciar operações de caixa dois da governadora.

Chegou a elaborar um dossiê com os e-mails que trocou durante a eleição. Desse material, sobressaem as negociações para uma doação da Simpala, uma concessionária GM que não está listada entre os doadores oficiais de Yeda. Nos e-mails reunidos por Feijó, quem fala em nome da Simpala é o gerente de relações institucionais da GM, Marco Kraemer. Procurado por VEJA, Kraemer confirmou que a correspondência é sua, mas negou seu conteúdo. ‘Os e-mails são meus, mas jamais intermediei doações’, diz.

Não é o que se vê na sequência da correspondência. Na primeira semana de setembro de 2006, ele escreveu: ‘Está confirmado… Favor procurar (…) o diretor da Simpala. (…) Farei o possível para estar presente’. No dia 8 do mesmo mês, Feijó enviou a Rubens Bordini, então tesoureiro da campanha de Yeda e hoje vice-presidente do Banrisul, a seguinte mensagem: ‘Recebi R$ 25 000 em cash da simpala (sic)’.

Bordini respondeu: ‘Que sorte que o pacote não estava bem feito e tiveste que reforçá-lo. Agradeço os brindes que são de muito bom gosto e muito úteis‘. Procurado por VEJA, o vice-governador esclareceu que os brindes aos quais o tesoureiro se refere são agendas e garrafinhas da academia de ginástica que pertence a Feijó, a Body One.

Ele afirma que enviou o dinheiro a Bordini dentro de uma mochila da mesma academia. O ex-tesoureiro diz que o PSDB o proíbe de esclarecer assuntos relativos à campanha. Pelo que se vê nas ruas de Porto Alegre, é melhor que o partido reveja essa orientação.”

Quer mais transtorno?

3:10 | 16/05/09 | Rodrigo Alvares

Carta ao Leitor (Veja)

Continuamos no mesmo lugar

Na edição passada, uma reportagem de VEJA revelou o conteúdo de gravações que indicam que a campanha eleitoral da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, do PSDB, foi abastecida com dinheiro de caixa dois. A fim de rebater as evidências ali contidas, a governadora seguiu um ritual conhecido.

Convocou uma entrevista coletiva – para a qual o correspondente de VEJA, Igor Paulin, autor da reportagem, não foi convidado – e tentou desqualificar as pessoas ouvidas pela revista. Yeda também tentou atingir a própria VEJA, ao dizer que as gravações citadas pela revista haviam “encontrado bom valor de mercado” – uma bobagem risível, pois VEJA jamais pagou por qualquer informação publicada em suas páginas editoriais.

Ato contínuo, de assessores abrigados no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, começaram a partir acusações de que a revista manipula a realidade, é antiética, golpista e… petista! Blogs locais encarregaram-se de disseminar tais inverdades – não se sabe se a bom valor de mercado.

Na contramão, a história relatada na reportagem, que ganha neste número uma continuação, resultou na organização de uma passeata em Porto Alegre, para pedir o impeachment da governadora. Boa parte dos manifestantes era simpatizante ou integrante do PT – partido que, flagrado pela revista em diversos malfeitos, acusa VEJA de ser… tucana!

Yeda provas quer, Yeda provas terá

20:40 | 15/05/09 | Rodrigo Alvares

Se alguém do governo bovino - e fora dele - já estava de cabelo em pé à espera da edição desta semana da Veja, não vai precisar de nenhuma anfetamina para esperar a versão online que vai ao ar na madrugada de sábado. Yeda Crusius (PSDB/RS) autorizou seu advogado, José Eduardo Alckmin, a ingressar com uma ação judicial por danos morais contra a revista.

Entendi por que Luciana Genro ficou de fora - ela poderia pedir as provas para defesa. Quanto a Magda Koenigkan, poderia vazar o conteúdo das tais fitas para todo o universo antes mesmo de terminar de ler esse post. Segunda-feira, Alckmin vai tentar falar com o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, para trazer o material que foi encaminhado à Procuradoria-Geral.

Não vou especular os motivos da estratégia, mas é estranho que a desgovernadora entre com uma ação contra a parte mais forte dessa história.

Be like the squirrel, Yeda

7:54 | 11/05/09 | Rodrigo Alvares

“O pobre do Marcelo não é mais fonte. Existem as fitas? Parece que existem as fitas, onde é que estão, elas foram gravadas por quem? Precisa fazer perícia. Onde foram gravadas? Parece que foi num barzinho, mas era uma gravação como? Ambiental? Era um gravador em cima da mesa, como estamos aqui às claras? Vamos pegar a fita e vamos periciar, vamos ver se tem corte, porque eu quero a conversa toda. Eu gostaria muito que o Marcelo estivesse vivo, porque eu tenho certeza de que o Marcelo seria o primeiro a desmentir. Quero saber como foi a conversa, induzida, preparada, combinada?”

Difícil definir onde começar a semana. Por um lado, algo que nunca esperei acontecer: concordar com Raul Pont (PT/RS). O deputado escancarou o óbvio ao G1:

“‘O diretor de uma das empresas admitiu ter doado R$ 200 mil para a campanha de Yeda e apresentou até recibo. Como isso não está registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), configura crime eleitoral. O governador do Maranhão perdeu o mandato por muito menos‘, disse Pont, ao comparar o caso de Yeda Crusius com o do recém-cassado Jackson Lago (PDT-MA).”

Não precisa ser um Collor para perceber que por muito menos a desgovernada deveria ser apeada. A doação foi admitida e não tem registro de nada disso no TSE. Ponto. A OAB-RS vai requerer hoje ao Ministério Público Federal a divulgação das tais gravações.

“O Ministério Público Federal tem que esclarecer de forma definitiva a existência e o conteúdo das gravações. Não podemos conviver com a incerteza dessas denúncias gravíssimas que comprometem a primeira gestora do Estado”, disse o presidente da OAB-RS, Cláudio Lamachia

A questão deixou de ser partidária há muito tempo. Yeda pode falar o quanto quiser de que tudo isso é por causa de sua governança arrojada - como barrar jornalistas que realmente investigam as pilantragens do Piratini -, mas o fato é que os transtornos administrativos são constantes desde a sua campanha ao governo. O A Nova Corja não se orgulha de ser um registro real dessa falência.

Carlos Crusius concedeu uma entrevista para a Zero Hora de hoje e só deixou tudo mais constrangedor:

ZH – A reportagem da Veja não cita fitas com imagens, mas áudios de uma conversa entre Cavalcante e o lobista Lair Ferst.

Crusius – Não sei o que existe. Agora, o que não tem é eu passando dinheiro. Vão dizer: “Mas olha aqui, tem um vídeo do Crusius lá na campanha falando com não sei quem”. Pode ser que tenha, falando, sei lá, com o Marcelo.”

Que surpresa, desqualificar o ex-embaixador. Então volte para o primeiro parágrafo do post. É de uma falta de respeito completa. Não com Marcelo Cavalcante, isso é dado. Uma atitude tosca, que deixa claro como os gaúchos são pulitizadu$.

Magda Koenigkan detalhou à Veja algumas coisinhas que podem fazer o Ministério Público Estadual desarquivar a investigação sobre a compra da casa - desta vez com quebra de sigilo bancário e fiscal de todos os envolvidos.

ZH – No auge da Rodin e da CPI do Detran, a governadora definia o Lair apenas com a palavra “festeiro”. No sábado, a governadora disse que Lair deve ter vendido por alto valor as fitas, o que seria, segundo ela, típico dele. Por que não falou isso desde o começo?

Crusius – O Lair realmente é um cara muito festeiro.”

Dá a real, Barbicha: a festa é governar o Bovinão. O problema é quando os tucanos dos outros estados sentem asco ao ouvir o nome de Yeda Crusius - sem contar a fuga do PMDB e de outros menos cotados da base aliada.

Só pode ser um golpe do PT para governar o estado com os peemedebistas por um ano, não uma completa sequência incompetente de atos que deixaria Delúbio Soares com inveja.

A Veja precisa chegar ao pasto para ajudar Yeda

14:26 | 09/05/09 | Rodrigo Alvares

O repórter da Zero Hora Fábio Schaffner conversou na manhã de hoje com Magda Cunha Koenigkan, viúva de Marcelo Cavalcante e que foi creditada pela desgovernadora como alguém que deve ser desconsiderada:

Marcelo entregou dinheiro a Crusius”, diz viúva (Blog da Rosane)

ZH — O que o Marcelo fazia? Ele arrecadava dinheiro para a campanha e entregava para a governadora?

Magda — À governadora, não. Passava para o doutor Carlos Crusius. Ele (Marcelo) nunca me contava história que a governadora estivesse envolvida. Ele contava de pegar, arrecadar (dinheiro). (…)

ZH — Ele recebia de quem e passava para quem?

Magda — Recebia dos apoiadores. O Marcelo falava da situação que conduziu à compra de um imóvel. Ele ficava muito chateado, indignado. Ele me cansou com essa história. Ele dizia que havia dado sangue na campanha, conseguia dinheiro com tanta dificuldade, comunicava a todos, às pessoas que trabalhavam na equipe, os fornecedores. Estava no comitê, entregou o dinheiro para o doutor Carlos Crusius. Ele saiu e ficou conversando com o Lair. De repente, ele (Crusius) chegou e comunicou que não teria como pagar, não teria conseguido arrecadar o dinheiro. O Marcelo quase caiu duro. Entrou furioso, disse: ‘Eu peguei o dinheiro, dei a você. Como não tem dinheiro?”. Estavam ali algumas pessoas da campanha, o Delson (Martini), a Walna (Vilarins), a Sandra Terra.‘”.

Estou com medo de ouvir toda a entrevista coletiva de Yeda. Acabei de assistir à reprise do Jornal do Almoço e desabei quando o repórter Rodrigo Lopes falou que “A governadora espera que a revista chegue a Porto Alegre”.

Dessa vez, Yeda tentou se explicar bem rapidinho

12:55 | 09/05/09 | Rodrigo Alvares

Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini
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“Até já apareceram provas, mas processei os meninos que publicaram

A desgovernadora fugiu do roteiro e tratou de convocar a imprensa logo que saiu a matéria da Veja, ao contrário de ter se encolhido por dias como em outras ocasiões. Mas gostei dessa frase dela:

“Desconsidero as declarações dessa moça (Magda). Ela está falando como se tivesse ouvido de alguém que não pode mais falar”

O interessante é que Yeda ainda não havia lido a matéria para falar isso. Disse que ia esperar para ler a versão impressa. Depois os outros é que devem ser desconsiderados e desqualificados, como aconteceu em um episódio recente.

Toma os remedinhos e vai para a coletiva, Yeda

11:26 | 09/05/09 | Rodrigo Alvares

Eu avisei que a pior coisa feita por Yeda Crusius (PSDB/RS) foi desancar uma matéria da Veja sobre as trampas do seu governo:

Gravações comprometem governo de Yeda Crusius (Veja)

VEJA teve acesso a gravações em que o ex-assessor da governadora gaúcha Yeda Crusius (PSDB) Marcelo Cavalcante, morto em fevereiro, relata uma série de irregularidades na campanha e no governo da tucana.

A reportagem ouviu 1h30m das 10 horas de diálogos mantidos entre Marcelo e o empresário Lair Ferst, um dos acusados de participar dos desvios no Detran gaúcho. Neles, fica claro que o ex-assessor conversava com liberdade com Ferst, que o havia ajudado informalmente a arrecadar dinheiro para a campanha da governadora.

Yeda Crusius não tem sossego. Enfrenta acusações de ter usado caixa dois em sua campanha eleitoral desde antes de tomar posse, em janeiro de 2007. Como se não bastasse, em meados do ano passado, a Polícia Federal desbaratou uma máfia que desviava recursos do Detran gaúcho.

Relacionados ao esquema estavam três secretários de governo e Marcelo Cavalcante, o chefe da representação do Rio Grande do Sul em Brasília. Todos tiveram de deixar seus cargos. Em fevereiro passado, a morte repentina de Cavalcante injetou uma dose de tragédia nas agruras do governo tucano. O corpo do ex-assessor foi encontrado boiando no Lago Paranoá, em Brasília. As investigações policiais indicam que ele se suicidou.

Chefe de gabinete de Yeda entre 2002 e 2006 e coordenador de sua campanha eleitoral, Marcelo conhecia o PSDB gaúcho na intimidade. Com seu desaparecimento, parecia ter se perdido uma das mais acuradas memórias da campanha e dos primeiros dias do governo Yeda. Era uma presunção falsa. Apenas um mês depois da morte de Marcelo, descobriu-se que o Ministério Público Federal dispunha das tais gravações. VEJA teve acesso a parte desses áudios.

Trechos - De acordo com Marcelo, Yeda recebeu dinheiro no caixa dois depois que a eleição terminou. Ele conta que, depois do segundo turno, coletou 200.000 reais da Alliance One e outros 200.000 reais da CTA Continental. São duas fabricantes de cigarro que, segundo Marcelo, fizeram as doações em espécie. O ex-assessor diz que entregou esse dinheiro a Carlos Crusius, marido da governadora.

Procurados por VEJA, os executivos da Alliance One negaram ter abastecido qualquer caixa dois e mostraram um recibo que comprova a transferência bancária de 200.000 reais para o diretório estadual do PSDB. Já a CTA Continental contesta ter feito qualquer doação à tucana. “Se me perguntar se me pediram dinheiro, digo que sim. Mas não levaram”, diz Allan Kardec Bichinho, presidente da empresa.

O ex-assessor diz que avisou Yeda sobre o esquema de corrupção no Detran gaúcho e conta ter entregado à governadora uma carta de oito páginas na qual o empresário Lair Ferst descrevia o modo como os recursos eram desviados da repartição oficial. Ferst escreveu essa carta para tentar livrar-se da suspeita de envolvimento no esquema.

Revelação - A reportagem de VEJA teve acesso a esses áudios há 40 dias. Só os divulga agora depois de encontrar uma fonte com credenciais suficientes para comprovar sua autenticidade. Ela é uma testemunha que também ouviu as gravações e assegura que Marcelo reconhecia como legítimo o seu conteúdo.

Mais: o ex-assessor lhe relatou os mesmos fatos. Essa testemunha, Magda Koegnikan, foi companheira de Marcelo. Dona de uma revista brasiliense, a Sras. e Srs., Magda relutou em revelar o que sabia. Ela temia perder o apoio financeiro para sua revista por parte de governos aliados de Yeda.

Magda diz que decidiu correr esse risco em nome da memória do homem com quem viveu por quinze meses. Em cinco horas e meia de entrevista a VEJA, contou que Marcelo soube da existência dos áudios, gravados por Lair Ferst, em novembro de 2007.

“Lair lhe mostrou as gravações e disse que as entregaria às autoridades para provar que os responsáveis pelos desvios no Detran eram integrantes do governo Yeda, e não ele”, lembra Magda. Ao ouvir isso, seu companheiro se desesperou: “Ele entrou em depressão e passou a beber.

De acordo com ela, Marcelo parecia ter reencontrado o equilíbrio em janeiro deste ano, quando aceitou confirmar o conteúdo das gravações aos procuradores federais que apuram o episódio. Chegou a marcar uma data para seu depoimento, mas morreu duas semanas antes da audiência.

As declarações de Magda, segundo ela ouvidas diretamente de Marcelo, são desastrosas para o governo tucano do Rio Grande do Sul. Elas mostram uso de caixa dois e desvio de recursos eleitorais para aumento de patrimônio pessoal. A presente reportagem revela que os áudios existem e que Magda Koenigkan diz ter ouvido do namorado o atestado de sua legitimidade.

Mas os áudios não são provas processuais e, a VEJA, Yeda afirmou desconfiar de sua autenticidade. O PT já coletou catorze das dezenove assinaturas necessárias para constituir uma CPI na Assembleia Legislativa com o objetivo de investigar essas suspeitas. Só a CPI e as demais autoridades podem decidir se as gravações são evidência legal dos desvios ali narrados.

“Se sair na mídia, não vai ser bom”

A empresária Magda Koenigkan viveu quinze meses, a partir do fim de 2007, com Marcelo Cavalcante, coordenador de campanha de Yeda Crusius, encontrado morto em fevereiro passado. Ela relatou a VEJA as confidências que seu companheiro lhe fez sobre irregularidades que teriam sido cometidas em nome da governadora gaúcha

Como era a relação de Marcelo Cavalcante com Yeda Crusius?

Era assim: na campanha ela ligava para ele a todo instante e pedia: “Marcelinho, precisamos arranjar 10 000 reais para isso e aquilo”. E ele arranjava.

Era ele, então, quem coletava doações?

Se havia um dinheiro para receber, Marcelo pegava e entregava a Carlos Crusius (marido da governadora). No começo (da campanha), tinha de convencer as pessoas a colaborar. Quando Yeda começou a subir nas pesquisas, ficou mais fácil. Vinham 200 000 reais dali, 100 000 de lá. Só que esse dinheiro não entrava para o caixa.

Ia para onde?

Olha, entre o fim do segundo turno eleitoral e a semana posterior à eleição, Marcelo recebeu 400 000 reais de dois fabricantes de cigarro, 200 000 de cada um. Ambos pediram para que a verba não fosse entregue oficialmente. Então, foi para o caixa dois.

Marcelo falava em caixa dois?

Até do caixa dois do caixa dois. Marcelo deu os 400 000 reais a Carlos Crusius no comitê da campanha. Crusius agradeceu e foi para uma sala mais reservada, enquanto Marcelo conversava com fornecedores que esperavam para receber o dinheiro que lhes deviam. Aí, Crusius apareceu e disse: “Quero me desculpar. Não conseguimos o dinheiro. Vamos precisar de mais um prazo. Espero sua compreensão”.

Como Marcelo reagiu?

Foi tirar satisfações com Crusius. Ele sempre me repetia essa história. Contava que disse a Crusius: “Como não tem dinheiro? Entreguei na sua mão”. Marcelo acreditava que Crusius escondia tudo da governadora. Mas ela justificou a história. Chegou e disse: “Marcelinho, Crusius quer pagar uma dívida antiga nossa que está apertando a gente e, se sair na mídia, não vai ser bom”. Marcelo se indagava sobre que dívida era aquela. Ele, que cuidava das finanças dela, não conhecia essa dívida.

O que foi feito dos 400 000 reais?

Passado algum tempo, Crusius finalizou a compra de uma casa. Pelo que o Marcelo contava, usou os 400 000 reais nisso.

A casa da governadora?

É. O Marcelo falava que o pai de um dos secretários da governadora simulou ter comprado um apartamento dela na praia. Teria sido uma venda forjada para mostrar que ela tinha renda para comprar a casa. Contou também que a casa custou cerca de 1 milhão de reais, talvez mais. Mas esses 400 000 foram entregues por baixo do pano (ao vendedor).

Marcelo relatou-lhe outras irregularidades?

Sim. Quem pagava as passagens aéreas e hospedagem para o Marcelo e a equipe da campanha de Yeda? O caixa dois. Marcelo se hospedava no hotel Swan Molinos (em Porto Alegre). Quem pagava era uma agência de publicidade, a DCS. Arcava também com os jantares que a governadora fez antes e depois da eleição.

Houve irregularidades antes da campanha eleitoral?

Marcelo contou que, quando ela era deputada, todo mês entravam cerca de 10 000 reais de um sindicato (Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Sicepot). O dinheiro ia diretamente para a governadora. Quem pegava era uma mulher contratada pelo Marcelo, Walna Vilarins (atual coordenadora de ações administrativas do governo gaúcho).

Por que Marcelo participou do governo Yeda, mesmo sabendo desses fatos?

Houve um momento em que ele mudou. Em novembro do ano passado, chegou ao conhecimento dele que havia áudios em que ele falava sobre as doações de campanha, como funcionava o pagamento da hospedagem da equipe e a compra da casa. Marcelo ficou muito angustiado e apreensivo.

Quem gravou esses áudios?

Outro integrante da campanha de Yeda, Lair Ferst. Ele ajudou Marcelo a arrecadar dinheiro. Entre 2006 e 2007, eles se encontraram diversas vezes. Em novembro, Lair contou a Marcelo que tinha gravado todos esses diálogos e que ia entregá-los à Justiça.

Marcelo avisou o governo Yeda?

Sim. Sugeriu que fizessem um acordo com Lair. Disse que havia muitos indícios do caixa dois e que Lair tinha ido com ele pegar dinheiro em empresas que não aparecem em lugar nenhum na receita declarada de campanha.

A senhora ouviu as gravações?

Ouvi. São conversas em barzinhos. Em janeiro, Marcelo foi procurado pela Justiça para confirmar se a voz nas gravações era dele e se tudo aquilo que ele dizia nelas era verdade. Estava com depoimento marcado entre a semana do Carnaval e a seguinte, mas morreu antes disso…

Marcelo lhe disse que iria confirmar que a voz das gravações era dele?

Sim.”

Mais, muito mais sobre isso daqui a pouco.

Enquanto isso, no Congresso

15:08 | 08/03/09 | Rodrigo Alvares

Jarbas Vasconcelos afirma que é alvo de espionagem (Folha)

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) pretende relatar na terça, no plenário do Senado, a denúncia de que teria sua vida investigada por empresa especializada em espionagem.

Segundo o senador, um detetive particular de Pernambuco o procurou para contar que a empresa americana Kroll havia tentado contratá-lo para investigar Jarbas.

Segundo o senador, o detetive recusou. ‘Vou fazer uma breve comunicação sobre o episódio’, disse. A reportagem não conseguiu falar com a Kroll. Segundo a revista Veja, a Kroll diz não espionar políticos.”

Veja contra o 20 de setembro

15:42 | 20/09/08 | Walter Valdevino

Desse jeito o Tico e o Teco ideológico vão entrar em colap$o irreversível. Uma semana depois da denúncias sobre o caixa dois do Pê Tê bovino, a revista Veja (má, feia, bobona, golpista, petista, neoliberal, monstruosa e tucana) volta à tona com a bandidagem bovina, essa coisa que não acaba nunca jamais em hipótese alguma porque gaúcho é melhor em tudo sem limites.

Só faltou avisar para a Veja que a publicação da matéria ocorre em um dia inoportuno. Hoje é 20 de setembro, a maior data patriótica do universo. Nós bovinóides estamos ocupados comemorando nossa superioridade moral em relação à todos os povos do universo. Nos deixem em paz.

Matéria na íntegra com grifo$ e links meu$:

“Rio Grande do Sul

Os tucanos também têm sua caixinha

Assessores do governo gaúcho recebem complemento salarial de empresários

Alexandre Oltramari

Na semana passada, VEJA revelou que uma das alas mais radicais do PT, a Democracia Socialista, manteve um esquema ilegal de financiamento político no Rio Grande do Sul. A denúncia partiu de um ex-arrecadador petista, Paulo Roberto Salazar. Na última quinta-feira, em depoimento ao Ministério Público, ele confirmou ter recolhido dinheiro para a caixinha clandestina. Nos pampas, ao que parece, as caixinhas extrapolam as ideologias. Na gestão da tucana Yeda Crusius, por exemplo, há duas autoridades do governo que recorreram a um “por fora” básico para complementar os salários. Uma delas é Ronei Ferrigolo, presidente da estatal Procergs, a maior empresa de informática gaúcha. A outra é Erik Camarano, secretário-geral do governo. Pagamentos recebidos pelos dois, mas ocultos em seus holerites funcionais, têm tudo para se tornar a mais nova dor de cabeça da governadora Yeda Crusius.

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“RENDA MÍNIMA O presidente da Procergs, Ronei Ferrigolo (à esq.), e o secretário Erik Camarano: remuneração “por fora”" (Fotos Mauro Mattos/Palácio Piratini e Jefferson Bernardes/Palácio Piratini)

O complemento salarial não envolve dinheiro público, mas nem por isso é menos grave. Foi, aparentemente, uma forma que os servidores encontraram para viabilizar financeiramente a participação no governo. Em abril de 2007, Erik Camarano foi convidado para trabalhar no gabinete da governadora. Na época, ele era executivo da ONG Pólo RS, patrocinada pelos maiores empresários gaúchos. Mas havia um problema: seu salário cairia de 20 000 para 6 120 reais. A solução foi receber um complemento salarial por meio de sua empresa de consultoria. “Entrei no governo e minha empresa continuou prestando consultoria à Pólo RS. Mas isso não era complemento”, diz Camarano. A empresa, chamada Camarano & Sardelli, não tem sede nem empregados e funciona na residência do secretário. A pedido dele, os pagamentos mensais foram suspensos no mês passado, quando Camarano foi promovido a secretário-geral. Já Ronei Ferrigolo, presidente da Procergs, foi indicado pela Federasul, entidade que representa as associações comerciais gaúchas. Até o mês passado seu complemento salarial era de 15 000 reais mensais, pagos pela entidade que o indicou para o governo. O PSOL, que descobriu as PPPs da dupla há duas semanas, vai à Justiça. “Vamos denunciá-los por improbidade administrativa”, diz a deputada federal Luciana Genro.”

UPDATE (20/09/08 - 16h19): tem notinha explicativa do Camarano no blog do André Machado. O melhor momento é o seguinte:

A chamada no índice da revista faz referência aos “tucanos”, o que deixa claro o viés de interesse político no trato da questão, pois não tenho filiação partidária.”

UPDATE II (21/09/08 - 11h17): “Federasul confirma pagamento ao presidente da Procergs

UPDATE III (22/09/08 - 01h07): “Presidente da Procergs se defende sobre acusação publicadas na Revista Veja - Ronei Ferrigolo admitiu que recebeu pagamento da Federasul por serviços de consultoria”:

A tentativa de tornar esta relação desabonatória tem um claro viés político, ao tentar vincular a palavra “tucanos” ou mesmo pelo período eleitoral da matéria.”

Que tédio nada… ou sim…. zzz… ronc

14:11 | 13/09/08 | Walter Valdevino

É, de tédio não se morre no Bovinão MESMO.

Depois de tocar o horror na man$ão da Yoda, agora é a vez da Veja (mídia má, feia, bobona, golpista) se atracar de pau com o Pê Tê bovino. Trechos da matéria publicada na edição da revista que começa a circular hoje (grifos e links e$perto$ meus):

A caixinha dos radicais do PT

No Rio Grande do Sul, a ala trotskista do partido radicalizou nos métodos de arrecadação ilegal de campanha. Valia tudo: revenda de selos, uso de dinheiro público, notas frias

Otávio Cabral

O processo número 10801965571, da 16ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre, aparentemente trata de um litígio particular. Nele, o técnico em telefonia Paulo Roberto Salazar da Silveira, 47 anos, cobra 445.000 reais do Partido dos Trabalhadores, ao qual era filiado até o ano passado. Paulo Salazar, como é conhecido pelos petistas, pretende provar que, entre 1998 e 2005, era obrigado a devolver ao partido cerca de 4.000 reais mensais que recebia como assessor parlamentar em gabinetes de deputados do PT na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. O ex-petista também reclama uma indenização material e moral pelo uso indevido de duas contas bancárias e de seu cartão de crédito por um comitê eleitoral do partido. (…)

Em entrevista a VEJA, Salazar contou o que fez e o que viu como um dos arrecadadores de campanhas eleitorais do partido. (…)

Revela como uma das alas mais radicais da legenda, a Democracia Socialista (DS), uma barulhenta defensora da ética, rendeu-se à sedução do caixa dois.

As revelações do ex-petista atingem a DS, corrente que reúne 20% do PT, comanda um ministério no governo do presidente Lula e tem como seu líder principal o ex-prefeito de Porto Alegre e ex-secretário-geral do partido Raul Pont. De acordo com Salazar, entre 1999 e 2005 ele foi funcionário-fantasma nos gabinetes de Pont e do deputado estadual Elvino Bohn Gass. Além de não trabalhar, ele repassava o dinheiro que recebia integralmente aos parlamentares. “Eu sacava todo o salário na boca do caixa no dia seguinte ao pagamento. Até férias e décimo terceiro eram devolvidos. O dinheiro ia para o caixa dois da DS“, afirma ele.

Extratos da conta de Salazar, em poder da Justiça, comprovam os saques. “Ele trabalhou e sempre recebeu tudo o que deveria”, rebate Raul Pont. “É estranho essa denúncia aparecer em pleno período eleitoral.” O deputado Bohn Gass confirma que Salazar trabalhou em seu gabinete e atribui sua indicação à cúpula do PT estadual. Ele nega ter se apropriado do salário do ex-funcionário.

Em vez de trabalhar na Assembléia Legislativa, Salazar conta que despachava na sede de uma tal Associação Em Tempo, um comitê eleitoral extra-oficial em Porto Alegre. Ali ele administrava o caixa dois da corrente petista e recebia salário de 2.000 reais da entidade, com o qual sustentava a família. Na eleição municipal de 2000, Salazar conta que recolhia dinheiro vivo em escritórios de advocacia a cada quinze dias. As remessas variavam entre 20.000 e 40.000 reais. Ele afirma ter arrecadado 250.000 reais para as campanhas apenas nessa eleição. O ex-assessor também recolhia malas em empresas de bebidas, laticínios, material esportivo e até em sindicatos. (…)

Na campanha de 2002, quando o petista Olívio Dutra governava o estado, o “financiamento” passou a ser estatal. A secretaria do Trabalho, aparelhada pela DS, alugou dez carros e quarenta telefones celulares usados na campanha de seus candidatos a deputado, entre eles Raul Pont. No total, segundo Salazar, a operação rendeu 1 milhão de reais. (…)

Para arrecadar dinheiro e manter seus candidatos, valia tudo – tudo mesmo. Os vereadores, por exemplo, dispõem de uma cota de selos para enviar correspondência a seus eleitores. O então vereador petista Carlos Pestana, também da DS, cedeu sua cota mensal de selos ao grupo. Salazar narra ter transformado a “doação” em dinheiro vivo ao revender os selos a uma agência franqueada dos Correios por metade de seu valor. Na campanha para a prefeitura de Porto Alegre, em 2004, apenas mercadejando selos de parlamentares petistas, Salazar diz ter arrecadado 25.000 reais. O candidato a prefeito era Raul Pont e sua vice, a deputada federal e atual candidata à prefeitura de Porto Alegre Maria do Rosário. O ex-assessor reuniu extratos bancários e diz que 400 000 reais “não contabilizados” passaram por suas mãos para a campanha. Ele afirma que tanto Raul Pont como Maria do Rosário sabiam do caixa dois. Ambos negam. “Isso não é uma prática exclusiva da DS. Todas as correntes internas se financiam com caixa dois. É uma ação corriqueira no PT”, afirma o ex-assessor petista, que também prestou depoimento ao Ministério Público, que vai investigar o caso.

(…)

Além de vender selos e carregar malas de dinheiro ilícito, uma de suas funções era conseguir notas fiscais frias para as empresas que contribuíam com o caixa dois do partido. Uma de suas fontes de notas fraudulentas era a gráfica Comunicação Impressa. A empresa, que recebeu 75.000 reais do valerioduto em 2005, é uma freqüente fornecedora petista. Ela aparece até na prestação de contas da campanha de Tarso Genro ao governo do Rio Grande do Sul, em 2002. Mas uma coisa aparentemente nada tem a ver com a outra. É histórica a divergência entre Raul Pont e Tarso Genro. Os dois, inclusive, pertencem a alas rivais do PT.”

Tem certeza de que não tem pizza lá?

10:20 | 30/08/08 | Walter Valdevino

Conversa com Severino Cavalcanti” na Veja que começa a circular hoje:

Só largo quando morrer’

O ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti renunciou ao mandato em 2005 para não ser cassado por cobrar propina de um restaurante do Congresso. Agora, disputa a prefeitura da cidade pernambucana de João Alfredo e ameaça voltar à Câmara como suplente

Severino está de volta?
Estou, sim. Faço política por amor. Só largo quando morrer e for para o céu.

O senhor acha que tem chances de ser eleito?
Claro. Vou ser prefeito da minha cidade, João Alfredo. Também posso ir para a Câmara no lugar do deputado Gonzaga Patriota, que tem a eleição de prefeito garantida em Petrolina. Gonzaga se elegendo, a vaga é minha. Mas prefiro ser prefeito.

O senhor teme enfrentar um novo processo se voltar à Câmara?
Não. É que a população de João Alfredo ficaria frustrada. Sou uma esperança para eles. Posso ser deputado depois.

O senhor foi acusado de cobrar propina de um restaurante da Câmara…

Não existe isso. Sou um candidato limpo. Os meus adversários é que são sujos.

O senhor freqüentava o restaurante?
Uma vez ou outra eu almoçava lá.

O que o senhor comia? Pizza?
Comia outros tipos de pratos. Não tem pizza na Câmara.

Tem certeza de que não tem pizza lá?
Minha filha, eu vou desligar.”

Medo e Sono no Bovinão

13:43 | 28/07/08 | Rodrigo Alvares

Quando Mônica Leal começa a dar pitaco na Secretaria de Segurança do Bovinão, é melhor começar mesmo a se preocupar:

“A decisão foi tomada no sábado. Uma das mais entusiasmadas com a escolha é a secretária estadual da Cultura, Mônica Leal. Colega de Goularte num curso de pós-graduação em Ciências Políticas que ambos cursaram na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) em Canoas, Mônica se derrama em elogios ao general:

‘Ele é profundo conhecedor da segurança. É o que precisamos’.”

Mas esse nariz de cera é só uma desculpa para mostrar o que realmente importa: o sono profundo da imprensa bovina sobre a matéria da Veja. O máximo que saiu na Zero Hora foi isso - ops, fui clicar na aba de Política e acabei na editoria de Polícia, não consigo mais distinguir as coisas:

Contraponto

O que disse Paulo Olímpio Gomes de Souza, advogado da governadora Yeda Crusius:

“Trata-se de um documento particular. Amanhã (hoje) vou examiná-lo e depois vamos tomar as medidas cabíveis. Estranhável que se apresente documento assinado pelo promitente comprador. Não tem nenhuma validade jurídica.”

No Correio do Povo, também não saiu mais nada. Eu entendo. Deve ser muito difícil conseguir o telefone do casal que ia comprar a casa por R$ 1 milhão. Vou ver se encontro no Telelistas. Depois tomam um baile da imprensa do centro do país - e acreditem, eles vão atrás dessa história - e não conseguem nem moderar os comentários nos blogs xingando muito a cobertura do caso.

Talvez seja melhor assim, mesmo: deixem os paulistas aniquilarem a sua, já que os pulitisadu$ bovinu$ preferem ruminar.

Protógenes + Chomsky + Ziegler + Pê Tê mental = Danta$ free

19:10 | 12/07/08 | Walter Valdevino

A revista Veja (mídia má, feia, bobona, imperialista e neoliberal) que começou a circular hoje traz uma excelente e didática matéria de capa explicando todos os detalhes do caso Daniel Valente Danta$ e levantando “20 questões que Daniel Dantas ainda pode esclarecer” (abaixo, no “Continue lendo…“).

Tem também um imperdível “Exclusivo on-line” com 12 matérias que a revista publicou sobre Danta$ de 1998 até hoje. Começa com a clássica matéria de 18/11/98 que transcreve o conteúdo de uma conversa gravada na época entre o então ministro das Comunicações do Príncipe, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e o presidente do BNDES, André Lara Resende, armando - para além do “limite da irresponsabilidade® - os pauzinhos para beneficiar o Opportunity no leilão das teles, passa pela matéria de 22/06/2005, que mostra o laço entre Dantas, Marcos Valério e Delúbio Soares, até chegar na matéria desta semana.

Mas o que de fato me interessou foi a segunda matéria, explicando os motivos pelos quais Dantas se livrará de tudo rapidinho, rapidinho: “O inquérito produzido pelo delegado federal Protógenes Queiroz, que embasou o pedido de prisão do banqueiro Daniel Dantas e companhia, é um texto confuso, eivado de convulsões ideológicas e pródigo em julgamentos sem nenhuma base na realidade.”

Como meu único e supremo interesse é na demência humana, reproduzo abaixo os trechos da matéria que explicam por A + B a razão de tanta euforia petista (resultado de embate mortal entre Tico e Teco, os dois neurônios dos cérebros e$querdi$ta$) com o inquérito e as ações do delegado Protógenes, capacho de Paulo Lacerda, ex-delegado-geral da PF e atual diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência):

1) “A atuação e o inquérito do delegado Protógenes, que abriga contrabandos de Lacerda contra seus desafetos, só não podem ser classificados como típicos de um estado policial, porque os estados policiais costumam ser mais competentes. Em determinados momentos, ele parece um aluno de faculdade de sociologia tentando impressionar o mestre esquerdista com frases de efeito. Para justificar a renovação da autorização dos grampos telefônicos, Protógenes recorre a uma frase do destrambelhado lingüista americano Noam Chomsky: “A mídia é um veículo independente, comprometido com a verdade e imparcial, certo? Errado!“. Ao ritmo de uma revolução por parágrafo, cita, ainda, o suíço Jean Ziegler, autor do livro A Suíça Lava Mais Branco: “Se prevalecem grandemente da deficiência dos dirigentes da sociedade capitalista contemporânea. A globalização de mercados financeiros debilita o estado de direito, sua soberania e sua capacidade de agir“. Ele também acha que Freud não explica: “Comparar a gigantesca organização criminosa comandada por D. Dantas com a de N. Nahas seria um ‘paradigma ingênuo’ ou aplicar a simetria das condutas criminosas estaríamos diante de um método freudiano primitivo e ridículo“. Não tente entender. Não tem sentido.”

2) “No inquérito, há uma “análise” segundo a qual o banco Opportunity “tem pessoas infiltradas no Comando do Exército, onde estes indivíduos promoveriam os interesses do grupo, principalmente espionando ações militares estratégicas e secretas”. Será que Dantas planejava montar uma base de mísseis em sua cobertura na Vieira Souto? O delegado Protógenes mostra também que não baixará a guarda “contra tudo isso que está aí”.”

3) “Nas partes referentes a Naji Nahas, toda a mitomania do especulador é levada a sério por Protógenes. Uma das sandices que mais ganharam repercussão na imprensa foi aquela em que se atribui ao especulador a posse de informações privilegiadas do Federal Reserve, o banco central americano: “Homem não identificado fala aparentemente de New York e antecipa para Naji a queda da taxa de juros, controlada pelo Fed americano, em até 0,5%… N. Nahas, segundo ele próprio revela que foi o presidente do Banco Mundial que lhe repassou esta informação. Tal fato ocorreu com vinte dias de antecedência, podendo então direcionar seus investimentos com certeza, aonde o mercado financeiro globalizado tinha dúvidas”. O Banco Mundial nada tem a ver com o Fed, ambos ficam em Washington e as mudanças da taxa de juros americana são antecipadas corretamente pelo mercado em 99% das vezes.”

4) “Os espasmos ideológicos do inquérito da Polícia Federal são particularmente violentos nas partes dedicadas à “mídia” – expressão preferida pelos inimigos da liberdade de expressão quando se referem à imprensa. O delegado Protógenes chegou a pedir a prisão da repórter Andréa Michael, do jornal Folha de S.Paulo, porque ela noticiara, em abril, a existência de uma operação em curso para prender Daniel Dantas. De acordo com o delegado, que a ela se refere como “travestida de correspondente na cidade de Brasília”, isso teria dificultado a ação policial. Problema seu, doutor Protógenes, se a PF foi incompetente para manter o segredo da operação. O que não pode, numa democracia, é punir o mensageiro porque ele fez o seu trabalho.”

NADA supera o Pê Tê mental.

(more…)

Veja, publica minha cartinha. Sou limpinho

20:17 | 22/06/08 | Rodrigo Alvares

O leitor Cezar Busatto teve sua carta publicada na seção da revista Veja desta semana:

“Não tenho absolutamente nada a ver com a fraude do Detran ou com eventuais irregularidades no Banrisul. Tenho quarenta anos de vida pública limpa como deputado estadual por três legislaturas, secretário de estado nos governos de Pedro Simon e Antônio Britto e secretário de da prefeitura de Porto Alegre no governo de José Fogaça.

Desafio alguém a provar que me envolvi em um caso de corrupção sequer em toda a minha vida. Mesmo trabalhando no âmbito da política tradicional, há muitos anos luto por uma reforma estrutural na política, com profissionalização do serviço público, democracia participativa, mais transparência e fiscalização da sociedade sobre os governos.

O que eu disse até as pedras sabem: o loteamento do estado pelos partidos é a porta de entrada de relações incestuosas, de promiscuidade entre os agentes públicos e os negócios e interesses privados. Essa é a origem de práticas ilícitas, de desvio de dinheiro público e de corrupção. Quantas CPIs já se fizeram no Rio Grande, no país afora e no governo federal? Esse foi o contexto da minha conversa com o vice-governador, que, com sua atitude de má-fé, omite as quase duas horas de diálogo que tivemos.

Questionado sobre isso, esse senhor diz que desgravou, diz que tratou de assunto particular, mas, como assim, conteúdo particular em conversa com alguém em quem ele diz não confiar e que por isso mesmo, grava?

Cezar Busatto

Porto Alegre, RS (Pensei que ele estivesse na Bahia, se recuperando do desgaste)

Incrível. Busatto conseguiu sepultar todas as escadas oferecidas pela mídia bovina com essas “Memórias do Desespero, Saí na Veja”.